Opinião
11 de agosto de 2026- Visualizações: 13
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A solidão e a esperança no início da maternidade
O nascimento de um filho traz a certeza de uma vida incerta. Mas a promessa que sustentou a mãe do Salvador é a mesma que nos sustenta.
Por Mariana Albuquerque
Tenho pensado muito em Maria, a mãe de Jesus. Fui mãe recentemente, mais precisamente há dois meses e alguns dias no momento em que escrevo este texto e, por mais que este tenha sido o meu grande sonho e desejo durante muito tempo, posso definitivamente dizer que eu não estava preparada. Inclusive, arrisco dizer que não há quem esteja.
Eu, no auge dos meus 32 anos, casada, com um bom emprego e uma boa rede de apoio. Eu não estava preparada. Agora, imagine Maria. Ela ainda muito jovem, recém-casada, virgem e numa sociedade que via de regra subjugava mulheres. Eu não consigo imaginar o que ela sentiu. Um anjo apareceu e disse que ela seria mãe do Salvador. Há um papel mais importante que este? Acho que não. Porém, ela deu à luz num estábulo, passou os primeiros anos da vida daquele bebê fugindo de homens poderosos, não tinha posses e era recém-casada. Fico imaginando Maria completamente sozinha com suas milhares de dúvidas nas longas madrugadas em que o bebê não dormia, imagino sua angústia ao escutar o choro estridente e interminável, na solidão da amamentação. Imagino Maria sozinha com suas questões sobre a maternidade e sobre o futuro do mundo enquanto observava o Cristo aprendendo a manter a sua postura e levantar a cabeça.
É muito difícil explicar a experiência materna para quem nunca a viveu. Inclusive, nos últimos meses percebi que mães se olham de forma diferente — especialmente as mães de crianças pequenas. É um olhar que diz: “eu sei exatamente pelo o que você está passando”. E saber, muitas vezes, já preenche um lugar especial em nosso coração.
Acho que Maria também não sabia o que estava por vir. E não, não estou falando da ideia completa do Evangelho, da morte do seu filho — numa cruz e da redefinição de quem o Salvador realmente era. Acho que tudo isso deve ter sido um soco no estômago daquela mulher. Na verdade, estou imaginando a parte mais humana da coisa. As noites mal dormidas, a ressignificação de si mesma e da vida, os desafios no relacionamento com José, as dúvidas sobre instrução e educação daquela criança. A lista, na verdade, é interminável. O que ela sentia quando ele chorava aparentemente sem motivo? O que ela pensou quando ele deu seu primeiro sorriso?
Se eu me sinto incapaz de cuidar de um ser humano comum e ordinário em seu segundo mês de vida, Maria deve ter se sentido muito pior. Como, ela, cuidaria do Salvador do mundo?

Ser mãe é ser diariamente humilhada, é dar de cara todos os dias com a verdade de que não temos como, em hipótese alguma, controlar o que nos cerca. É claro que a maternidade é uma experiência única para cada uma de nós, o que faz com a nossa empatia cresça de uma maneira surpreendente. Mas algumas experiências nos unem como um grupo que precisa desesperadamente da graça de Deus. Os pais, homens, mesmo os mais comprometidos, nunca saberão o que é sentir o que nós, mulheres mães, sentimos. O desespero, o desamparo, a solidão, a alegria, a satisfação. Tudo isso ao mesmo tempo.
Maria sentiu. Maria recebeu de braços abertos a humilhação da maternidade e ainda viu seu filho inocente pregado numa cruz. Para Maria, era mais do que uma ideia de mundo que acabava ali, era a vida do seu filho. Eu não consigo imaginar a dor.
A maternidade nos humilha, coloca-nos de frente com todos os nossos medos. No entanto, é essa mesma humilhação que nos torna melhores, mais humanas, mais empáticas. É uma faca de dois gumes que atravessa o nosso peito e refaz o nosso mundo. É essa mesma humilhação que nos faz ser peça fundamental nos planos de Deus.
O anúncio do anjo sobre a gravidez de Maria é um momento de grande espanto, mas também de esperança. Para todos nós, claro, mas especialmente para Maria. Antes de anunciar o seu destino, o anjo afirma: “O Senhor está com você!”. Acho que foi essa certeza que carregou Maria pelos dias mais sombrios. É esta mesma certeza que deve nos carregar. Há graça na humilhação e a esperança habita mesmo as madrugadas mais longas.
Imagem: Zach Lucero, Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOS
A mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da edição 420. Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» A Vida Em Cristo, John Stott
» O Que Você Quer? – Desejo, ambição e fé cristã, Jen Pollock Michel
» A Missão da Mulher, Paul Tournier
» O que muda quando a gente vira mãe? por Liz Valente
» Como falar do papel da mãe para crianças, por Márcia Barbutti
Por Mariana Albuquerque
Tenho pensado muito em Maria, a mãe de Jesus. Fui mãe recentemente, mais precisamente há dois meses e alguns dias no momento em que escrevo este texto e, por mais que este tenha sido o meu grande sonho e desejo durante muito tempo, posso definitivamente dizer que eu não estava preparada. Inclusive, arrisco dizer que não há quem esteja. Eu, no auge dos meus 32 anos, casada, com um bom emprego e uma boa rede de apoio. Eu não estava preparada. Agora, imagine Maria. Ela ainda muito jovem, recém-casada, virgem e numa sociedade que via de regra subjugava mulheres. Eu não consigo imaginar o que ela sentiu. Um anjo apareceu e disse que ela seria mãe do Salvador. Há um papel mais importante que este? Acho que não. Porém, ela deu à luz num estábulo, passou os primeiros anos da vida daquele bebê fugindo de homens poderosos, não tinha posses e era recém-casada. Fico imaginando Maria completamente sozinha com suas milhares de dúvidas nas longas madrugadas em que o bebê não dormia, imagino sua angústia ao escutar o choro estridente e interminável, na solidão da amamentação. Imagino Maria sozinha com suas questões sobre a maternidade e sobre o futuro do mundo enquanto observava o Cristo aprendendo a manter a sua postura e levantar a cabeça.
É muito difícil explicar a experiência materna para quem nunca a viveu. Inclusive, nos últimos meses percebi que mães se olham de forma diferente — especialmente as mães de crianças pequenas. É um olhar que diz: “eu sei exatamente pelo o que você está passando”. E saber, muitas vezes, já preenche um lugar especial em nosso coração.
Acho que Maria também não sabia o que estava por vir. E não, não estou falando da ideia completa do Evangelho, da morte do seu filho — numa cruz e da redefinição de quem o Salvador realmente era. Acho que tudo isso deve ter sido um soco no estômago daquela mulher. Na verdade, estou imaginando a parte mais humana da coisa. As noites mal dormidas, a ressignificação de si mesma e da vida, os desafios no relacionamento com José, as dúvidas sobre instrução e educação daquela criança. A lista, na verdade, é interminável. O que ela sentia quando ele chorava aparentemente sem motivo? O que ela pensou quando ele deu seu primeiro sorriso?
Se eu me sinto incapaz de cuidar de um ser humano comum e ordinário em seu segundo mês de vida, Maria deve ter se sentido muito pior. Como, ela, cuidaria do Salvador do mundo?

Ser mãe é ser diariamente humilhada, é dar de cara todos os dias com a verdade de que não temos como, em hipótese alguma, controlar o que nos cerca. É claro que a maternidade é uma experiência única para cada uma de nós, o que faz com a nossa empatia cresça de uma maneira surpreendente. Mas algumas experiências nos unem como um grupo que precisa desesperadamente da graça de Deus. Os pais, homens, mesmo os mais comprometidos, nunca saberão o que é sentir o que nós, mulheres mães, sentimos. O desespero, o desamparo, a solidão, a alegria, a satisfação. Tudo isso ao mesmo tempo.
Maria sentiu. Maria recebeu de braços abertos a humilhação da maternidade e ainda viu seu filho inocente pregado numa cruz. Para Maria, era mais do que uma ideia de mundo que acabava ali, era a vida do seu filho. Eu não consigo imaginar a dor.
A maternidade nos humilha, coloca-nos de frente com todos os nossos medos. No entanto, é essa mesma humilhação que nos torna melhores, mais humanas, mais empáticas. É uma faca de dois gumes que atravessa o nosso peito e refaz o nosso mundo. É essa mesma humilhação que nos faz ser peça fundamental nos planos de Deus.
O anúncio do anjo sobre a gravidez de Maria é um momento de grande espanto, mas também de esperança. Para todos nós, claro, mas especialmente para Maria. Antes de anunciar o seu destino, o anjo afirma: “O Senhor está com você!”. Acho que foi essa certeza que carregou Maria pelos dias mais sombrios. É esta mesma certeza que deve nos carregar. Há graça na humilhação e a esperança habita mesmo as madrugadas mais longas.
- Mariana Albuquerque é casada com Mateus, mãe de Timóteo e atualmente é gerente de projetos das traduções da Christianity Today.
Imagem: Zach Lucero, Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOSA mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da edição 420. Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
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» A Vida Em Cristo, John Stott
» O Que Você Quer? – Desejo, ambição e fé cristã, Jen Pollock Michel
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