Notícias
25 de setembro de 2026- Visualizações: 61
comente!- +A
- -A
-
compartilhar
Lamento. Leontina Novaes (1931-2026): a escritora que preparou sua última mensagem
Seu ministério não se definiu por um único grande acontecimento, mas por incontáveis atos discretos de obediência
Por Eleuza e Cleiton
Obituário
“Como é triste andar em trevas,
sem perdão do Salvador!
Bela é a vida, mas a vida
dominada pelo amor.”
HINO “A DOCE LUZ”, CANTOR CRISTÃO
Poetisa, escritora e educadora cristã, Leontina Novaes (1931–2026) fez da palavra uma forma de serviço. Escreveu para periódicos, produziu poesias, jograis, letras de hinos e textos para igrejas e, 40 anos antes de morrer, redigiu também a própria despedida: uma ordem de culto centrada na ressurreição de Jesus e dos que creem nele, além de uma poesia de sua autoria para ser lida no funeral.
Nascida em Antonina, PR, em 29 de agosto de 1931, Leontina foi batizada em 31 de dezembro de 1947 pelo pastor João Emílio Henck, na Primeira Igreja Batista de Curitiba. Casou-se com o jornalista Roberto Novaes, com quem teve dois filhos, Roberto Júnior e Eleuza, e dois netos, Roberta e Renan. A nora, Rosamir, o genro, Cleiton, e os cônjuges dos netos, Homero e Scarlett, completaram a família. Renan e Scarlett deram a ela o presente da bisneta, Ayla. Colaborou com importantes periódicos cristãos, entre eles Ultimato e O Jornal Batista, e teve sua trajetória profundamente ligada às igrejas batistas do Paraná.
Sua vida traduziu com singular beleza o verso do hino: “Bela é a vida, mas a vida dominada pelo amor”. À semelhança de Jesus, que crescia “em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2.52), Leontina expressou o amor de Deus por meio do estudo da Bíblia, da generosidade, da liderança espiritual e do cuidado com o próximo.
Uma vida dedicada à Palavra e ao próximo
Leu a Bíblia mais de 120 vezes, conforme seus registros, memorizou a Primeira Epístola de Pedro e copiou à mão toda a Escritura, de Gênesis a Apocalipse. O trabalho nasceu de um concurso promovido na Igreja Batista Mercês para incentivar o interesse pela Palavra de Deus, mas tornou-se, para ela, um exercício devocional. Foram três anos de dedicação e 25 canetas utilizadas. A Bíblia manuscrita, organizada em seis volumes, foi doada ao Museu da Bíblia, em Barueri, São Paulo, administrado pela Sociedade Bíblica do Brasil.
Sua generosidade também se manifestava de forma concreta: ajudou a financiar os estudos de seminaristas e amparou viúvas que atendia no Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE), onde trabalhou durante 35 anos. Já aposentada, reunia frutas que considerava saborosas, colocava-as em uma sacola e as distribuía a pessoas que pediam ajuda diante das igrejas.
Nas igrejas em que serviu, ministrou a Palavra em cultos, escolas dominicais e reuniões familiares. Participou de grupos de oração que se reuniram por mais de vinte anos. Reconhecida pelo dom da palavra, recebia frequentes pedidos para criar jograis, apoteoses, letras de hinos, poesias e outros textos. Para ela, a tarefa parecia simples, pedir direção a Deus e escrever, sempre de próprio punho.
Sendo Jesus o Senhor de todas as áreas da sua vida, dedicava longos períodos à intercessão silenciosa pelos que sofriam e realizava cada tarefa com alegria. Seu ministério não se definiu por um único grande acontecimento, mas por incontáveis atos discretos de obediência. Para Leontina, amar a Deus era inseparável de amar o próximo. Sem buscar reconhecimento, fez dos seus 95 anos um testemunho duradouro de devoção, expresso em décadas de serviço amoroso.
Mesmo nos últimos anos, quando suas forças físicas diminuíram, sua paixão pelo Evangelho permaneceu firme. Continuou a orientar mulheres mais jovens, a compartilhar seu testemunho com os profissionais que a atendiam e a orar pela família, igreja e necessitados. Sua trajetória evocava as palavras do apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7).
Sua morte trouxe pesar, mas também a esperança cristã de que ela entrou na presença daquele a quem serviu fielmente. Seu legado permanece nas sementes de fé, amor e bondade que plantou e no exemplo de uma vida oferecida ao serviço do Senhor.

A ordem de culto preparada quarenta anos antes
Em 1986, inspirada na leitura de Gênesis 47.27–31, passagem em que Jacó dá instruções a respeito de seu sepultamento, Leontina registrou como desejava que fosse realizado o culto de seu funeral. Quarenta anos antes de sua morte, definiu uma ordem que incluía quatro hinos do Cantor Cristão, a leitura integral de 1 Coríntios 15, uma mensagem que desse “toda relevância à ressurreição” e a leitura de uma poesia de sua autoria.
No sepultamento, os pastores destacaram que esse cuidado não representava apenas uma preocupação com os detalhes da cerimônia, mas um testemunho de fé que continuava a falar aos presentes. Seu genro, o pastor Cleiton Alves de Oliveira, que oficiou o culto, afirmou que a Escritura é definida pelo futuro que promete: esse futuro havia chegado para Dona Leontina. Ela estava vivendo o cumprimento da esperança recebida no dia em que confessou Cristo como Salvador e Senhor.
Ao deixar a ordem do culto e o poema que seria lido em sua despedida, Leontina transformou o próprio funeral em sua última publicação: uma mensagem de esperança cristã, escrita para consolar, exortar e apontar para a ressurreição.
Com Jesus
Leontina Novaes
Estou com o Senhor! Aleluia!
É verdade, amigos, tudo em que eu cri!
Vejo Jesus face a face agora,
vejo-O em sua glória;
me regozijo aqui!
Há anjos e arcanjos rodeando
o grande trono do meu Salvador.
Estou com o Senhor! Ó glória!
Continuo vivendo em seu amor.
Comprovo, com prazer, toda a verdade
que a Bíblia me ensinou.
Os salvos estão junto comigo,
pois Jesus nos salvou!
É indescritível o céu, irmãos!
Só vendo mesmo!
Aqui tudo é belo e magistral.
Filhos, irmãs, amigos e netos:
metade da glória celeste
jamais se contou ao mortal!
Prossigam sinceros, servindo a Jesus;
jamais se desviem do brilho da luz.
Logo todos nos encontraremos
neste mesmo lindo lugar.
O dia já declina: tenham calma,
não vai mais demorar…
O seu legado continua vivo no trabalho da agência missionária Associação Harvest Brasil através do Fundo Missionário Leontina Novaes.
**
D Leontina Novaes faleceu no dia 9/9/2026.
Ela foi colaboradora de Ultimato no início dos anos 1970. Confira aqui algumas de suas poesias.
REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?
A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?
Talvez a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença.
Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
» A Bíblia Toda o Ano Todo - Meditações diárias, John Stott
» Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro, A religiosidade, o papel feminino, as denominações e suas pioneiras, Rute Salviano Almeida
Por Eleuza e Cleiton
Obituário
“Como é triste andar em trevas,
sem perdão do Salvador!
Bela é a vida, mas a vida
dominada pelo amor.”
HINO “A DOCE LUZ”, CANTOR CRISTÃO
Poetisa, escritora e educadora cristã, Leontina Novaes (1931–2026) fez da palavra uma forma de serviço. Escreveu para periódicos, produziu poesias, jograis, letras de hinos e textos para igrejas e, 40 anos antes de morrer, redigiu também a própria despedida: uma ordem de culto centrada na ressurreição de Jesus e dos que creem nele, além de uma poesia de sua autoria para ser lida no funeral.Nascida em Antonina, PR, em 29 de agosto de 1931, Leontina foi batizada em 31 de dezembro de 1947 pelo pastor João Emílio Henck, na Primeira Igreja Batista de Curitiba. Casou-se com o jornalista Roberto Novaes, com quem teve dois filhos, Roberto Júnior e Eleuza, e dois netos, Roberta e Renan. A nora, Rosamir, o genro, Cleiton, e os cônjuges dos netos, Homero e Scarlett, completaram a família. Renan e Scarlett deram a ela o presente da bisneta, Ayla. Colaborou com importantes periódicos cristãos, entre eles Ultimato e O Jornal Batista, e teve sua trajetória profundamente ligada às igrejas batistas do Paraná.
Sua vida traduziu com singular beleza o verso do hino: “Bela é a vida, mas a vida dominada pelo amor”. À semelhança de Jesus, que crescia “em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2.52), Leontina expressou o amor de Deus por meio do estudo da Bíblia, da generosidade, da liderança espiritual e do cuidado com o próximo.
Uma vida dedicada à Palavra e ao próximo
Leu a Bíblia mais de 120 vezes, conforme seus registros, memorizou a Primeira Epístola de Pedro e copiou à mão toda a Escritura, de Gênesis a Apocalipse. O trabalho nasceu de um concurso promovido na Igreja Batista Mercês para incentivar o interesse pela Palavra de Deus, mas tornou-se, para ela, um exercício devocional. Foram três anos de dedicação e 25 canetas utilizadas. A Bíblia manuscrita, organizada em seis volumes, foi doada ao Museu da Bíblia, em Barueri, São Paulo, administrado pela Sociedade Bíblica do Brasil.
Sua generosidade também se manifestava de forma concreta: ajudou a financiar os estudos de seminaristas e amparou viúvas que atendia no Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE), onde trabalhou durante 35 anos. Já aposentada, reunia frutas que considerava saborosas, colocava-as em uma sacola e as distribuía a pessoas que pediam ajuda diante das igrejas.
Nas igrejas em que serviu, ministrou a Palavra em cultos, escolas dominicais e reuniões familiares. Participou de grupos de oração que se reuniram por mais de vinte anos. Reconhecida pelo dom da palavra, recebia frequentes pedidos para criar jograis, apoteoses, letras de hinos, poesias e outros textos. Para ela, a tarefa parecia simples, pedir direção a Deus e escrever, sempre de próprio punho.
Sendo Jesus o Senhor de todas as áreas da sua vida, dedicava longos períodos à intercessão silenciosa pelos que sofriam e realizava cada tarefa com alegria. Seu ministério não se definiu por um único grande acontecimento, mas por incontáveis atos discretos de obediência. Para Leontina, amar a Deus era inseparável de amar o próximo. Sem buscar reconhecimento, fez dos seus 95 anos um testemunho duradouro de devoção, expresso em décadas de serviço amoroso.
Mesmo nos últimos anos, quando suas forças físicas diminuíram, sua paixão pelo Evangelho permaneceu firme. Continuou a orientar mulheres mais jovens, a compartilhar seu testemunho com os profissionais que a atendiam e a orar pela família, igreja e necessitados. Sua trajetória evocava as palavras do apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7).
Sua morte trouxe pesar, mas também a esperança cristã de que ela entrou na presença daquele a quem serviu fielmente. Seu legado permanece nas sementes de fé, amor e bondade que plantou e no exemplo de uma vida oferecida ao serviço do Senhor.

A ordem de culto preparada quarenta anos antes
Em 1986, inspirada na leitura de Gênesis 47.27–31, passagem em que Jacó dá instruções a respeito de seu sepultamento, Leontina registrou como desejava que fosse realizado o culto de seu funeral. Quarenta anos antes de sua morte, definiu uma ordem que incluía quatro hinos do Cantor Cristão, a leitura integral de 1 Coríntios 15, uma mensagem que desse “toda relevância à ressurreição” e a leitura de uma poesia de sua autoria.
No sepultamento, os pastores destacaram que esse cuidado não representava apenas uma preocupação com os detalhes da cerimônia, mas um testemunho de fé que continuava a falar aos presentes. Seu genro, o pastor Cleiton Alves de Oliveira, que oficiou o culto, afirmou que a Escritura é definida pelo futuro que promete: esse futuro havia chegado para Dona Leontina. Ela estava vivendo o cumprimento da esperança recebida no dia em que confessou Cristo como Salvador e Senhor.
Ao deixar a ordem do culto e o poema que seria lido em sua despedida, Leontina transformou o próprio funeral em sua última publicação: uma mensagem de esperança cristã, escrita para consolar, exortar e apontar para a ressurreição.
Com Jesus
Leontina Novaes
Estou com o Senhor! Aleluia!
É verdade, amigos, tudo em que eu cri!
Vejo Jesus face a face agora,
vejo-O em sua glória;
me regozijo aqui!
Há anjos e arcanjos rodeando
o grande trono do meu Salvador.
Estou com o Senhor! Ó glória!
Continuo vivendo em seu amor.
Comprovo, com prazer, toda a verdade
que a Bíblia me ensinou.
Os salvos estão junto comigo,
pois Jesus nos salvou!
É indescritível o céu, irmãos!
Só vendo mesmo!
Aqui tudo é belo e magistral.
Filhos, irmãs, amigos e netos:
metade da glória celeste
jamais se contou ao mortal!
Prossigam sinceros, servindo a Jesus;
jamais se desviem do brilho da luz.
Logo todos nos encontraremos
neste mesmo lindo lugar.
O dia já declina: tenham calma,
não vai mais demorar…
O seu legado continua vivo no trabalho da agência missionária Associação Harvest Brasil através do Fundo Missionário Leontina Novaes.
**
D Leontina Novaes faleceu no dia 9/9/2026.
Ela foi colaboradora de Ultimato no início dos anos 1970. Confira aqui algumas de suas poesias.
REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?
Talvez a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença.
Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
» A Bíblia Toda o Ano Todo - Meditações diárias, John Stott
» Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro, A religiosidade, o papel feminino, as denominações e suas pioneiras, Rute Salviano Almeida
25 de setembro de 2026- Visualizações: 61
comente!- +A
- -A
-
compartilhar

Leia mais em Notícias
Opinião do leitor
Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta
Para escrever uma resposta é necessário estar cadastrado no site. Clique aqui para fazer o login ou seu cadastro.
Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.
Assuntos em Últimas
- 500AnosReforma
- Aconteceu Comigo
- Aconteceu há...
- Agenda50anos
- Arte e Cultura
- Biografia e História
- Casamento e Família
- Ciência
- Devocionário
- Espiritualidade
- Estudo Bíblico
- Evangelização e Missões
- Ética e Comportamento
- Igreja e Liderança
- Igreja em ação
- Institucional
- Juventude
- Legado e Louvor
- Meio Ambiente
- Política e Sociedade
- Reportagem
- Resenha
- Sessenta +
- Série Ciência e Fé Cristã
- Teologia e Doutrina
- Testemunho
- Vida Cristã
Revista Ultimato
+ lidos
- Entre o laboratório e a fé
- Missão 2026: Amanhar- congresso semeia esperança e conecta geração à missão de Deus
- Os valores cristãos em tempo de eleições
- Evento celebra dez anos, reafirmando a “cidadania plena” do refugiado e migrante
- Quando o pouco é suficiente
- Uma nova família: a igreja
- A beleza salvará o mundo
- Garantia de direitos e a proteção da mulher – o que a Bíblia tem com isso?
- Enfrentando a solidão na era dos companheiros de IA
- Enchente no Nepal deixa centenas de mortos e mobiliza igrejas locais
(31)3611 8500
(31)99437 0043
ONG Rio de Paz realiza protesto em Brasília
Um mutirão de oração pelas crianças
Portas Abertas divulga classificação da perseguição a cristãos no mundo






