Opinião
14 de outubro de 2026- Visualizações: 77
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O artigo reprovado pelos teólogos
Por Paulo Ribeiro
Num mundo em que o Sermão do Monte havia permanecido perdido durante séculos, um estudante de teologia descobriu um antigo manuscrito num arquivo esquecido. Seu autor era desconhecido. Sua linguagem era surpreendentemente simples.
O estudante leu o texto uma vez, depois outra. Não havia definições elaboradas nem demonstrações de erudição. Ainda assim, certas frases o incomodavam de uma maneira que seus livros jamais haviam conseguido.
Tentado pela proximidade do prazo de entrega, apresentou aqueles ensinamentos como um ensaio de sua própria autoria.
O primeiro professor devolveu o trabalho coberto de anotações em vermelho.
“‘Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.’ Você precisa definir misericórdia. Que tradição teológica sustenta essa afirmação? Onde estão suas referências?”
Ao lado de outra frase — “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” —, escreveu:
“Uma ideia atraente, mas insuficientemente desenvolvida. É necessário dialogar com a literatura pertinente.”
O segundo professor questionou a originalidade.
“Essas frases curtas e simétricas são suspeitas. Você usou inteligência artificial?”
O terceiro professor ficou incomodado com o tratamento dado aos inimigos.
“Amá-los? Orar por eles? Você precisa distinguir entre adversários legítimos e aqueles que ameaçam nossos valores.”
Na reunião do corpo docente, todos concordaram que faltava profundidade acadêmica ao ensaio. Um professor sugeriu que, após uma revisão substancial, talvez o texto pudesse ter alguma utilidade.
O estudante finalmente confessou. Havia copiado o texto de um manuscrito.
“Você compreende”, disse o diretor, “que apresentar o trabalho de outra pessoa como se fosse seu é uma infração grave.”
Ele compreendia. Pela primeira vez desde a entrega do ensaio, não tinha nada a dizer em sua defesa.
Especialistas examinaram o manuscrito. Meses depois, identificaram-no como o ensinamento perdido de Jesus.
A faculdade anunciou uma celebração pública. Os professores que haviam rejeitado o ensaio prepararam sermões exaltando sua profunda simplicidade.
O estudante acompanhou tudo do fundo da capela. Seu processo disciplinar ainda estava em andamento.

Durante a recepção, ouviu um professor se recusar a conversar com um colega com quem havia discutido.
“Há coisas que não podem ser perdoadas”, disse o professor.
O estudante baixou os olhos para o programa da celebração. Na capa, em letras douradas, estava a frase que havia precisado de uma definição:
Bem-aventurados os misericordiosos.
Nos domingos seguintes, os sermões voltaram a ser longos, repletos de termos técnicos e citações eruditas.
Os teólogos reconheceram o autor do manuscrito, mas pouco haviam aprendido com ele. Do púlpito, continuavam a demonstrar o quanto sabiam sobre Deus, enquanto a simplicidade dos ensinamentos de Jesus — perdoar, fazer a paz, exercer misericórdia — permanecia mais fácil de elogiar do que de viver.
Podemos observar que o ensino do próprio Nosso Senhor — no qual não há imperfeição — não nos é apresentado de maneira esquemática, infalível e rígida que poderíamos esperar ou desejar. Ele não escreveu nenhum livro. Temos apenas relatos de suas palavras, a maioria proferida em resposta a perguntas e moldada, em certa medida, pelo contexto. E, mesmo depois de reunirmos todas elas, não conseguimos reduzi-las a um sistema. Ele prega, mas não ministra aulas teóricas. Ele utiliza o paradoxo, o provérbio, o exagero, a parábola, a ironia; e até mesmo (sem qualquer intenção de irreverência) a "piada". Ele profere máximas que, tal como os provérbios populares, se interpretadas ao pé da letra, podem parecer contraditórias entre si. Portanto, seu ensino não pode ser apreendido apenas pelo intelecto, nem estudado como se fosse uma simples "matéria". Se tentarmos fazer isso, descobriremos que Ele é o mais enganador dos mestres. Raramente Ele dava uma resposta direta a uma pergunta direta. Ele não se deixa "enquadrar" da maneira que desejamos. Tal tentativa é (repito: sem qualquer intenção de irreverência) como tentar engarrafar um raio de sol.”
― C.S. Lewis, Reflexões sobre os Salmos
REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?
A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?
Talvez a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença.
Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
A Grande História - Um Convite para Professores Cristãos, Rick Hove, Heather Holleman
Lendo o Sermão do Monte Com John Stott, John Stott
Num mundo em que o Sermão do Monte havia permanecido perdido durante séculos, um estudante de teologia descobriu um antigo manuscrito num arquivo esquecido. Seu autor era desconhecido. Sua linguagem era surpreendentemente simples.
O estudante leu o texto uma vez, depois outra. Não havia definições elaboradas nem demonstrações de erudição. Ainda assim, certas frases o incomodavam de uma maneira que seus livros jamais haviam conseguido.
Tentado pela proximidade do prazo de entrega, apresentou aqueles ensinamentos como um ensaio de sua própria autoria.
O primeiro professor devolveu o trabalho coberto de anotações em vermelho.“‘Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.’ Você precisa definir misericórdia. Que tradição teológica sustenta essa afirmação? Onde estão suas referências?”
Ao lado de outra frase — “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” —, escreveu:
“Uma ideia atraente, mas insuficientemente desenvolvida. É necessário dialogar com a literatura pertinente.”
O segundo professor questionou a originalidade.
“Essas frases curtas e simétricas são suspeitas. Você usou inteligência artificial?”
O terceiro professor ficou incomodado com o tratamento dado aos inimigos.
“Amá-los? Orar por eles? Você precisa distinguir entre adversários legítimos e aqueles que ameaçam nossos valores.”
Na reunião do corpo docente, todos concordaram que faltava profundidade acadêmica ao ensaio. Um professor sugeriu que, após uma revisão substancial, talvez o texto pudesse ter alguma utilidade.
O estudante finalmente confessou. Havia copiado o texto de um manuscrito.
“Você compreende”, disse o diretor, “que apresentar o trabalho de outra pessoa como se fosse seu é uma infração grave.”
Ele compreendia. Pela primeira vez desde a entrega do ensaio, não tinha nada a dizer em sua defesa.
Especialistas examinaram o manuscrito. Meses depois, identificaram-no como o ensinamento perdido de Jesus.
A faculdade anunciou uma celebração pública. Os professores que haviam rejeitado o ensaio prepararam sermões exaltando sua profunda simplicidade.
O estudante acompanhou tudo do fundo da capela. Seu processo disciplinar ainda estava em andamento.

Durante a recepção, ouviu um professor se recusar a conversar com um colega com quem havia discutido.
“Há coisas que não podem ser perdoadas”, disse o professor.
O estudante baixou os olhos para o programa da celebração. Na capa, em letras douradas, estava a frase que havia precisado de uma definição:
Bem-aventurados os misericordiosos.
Nos domingos seguintes, os sermões voltaram a ser longos, repletos de termos técnicos e citações eruditas.
Os teólogos reconheceram o autor do manuscrito, mas pouco haviam aprendido com ele. Do púlpito, continuavam a demonstrar o quanto sabiam sobre Deus, enquanto a simplicidade dos ensinamentos de Jesus — perdoar, fazer a paz, exercer misericórdia — permanecia mais fácil de elogiar do que de viver.
Podemos observar que o ensino do próprio Nosso Senhor — no qual não há imperfeição — não nos é apresentado de maneira esquemática, infalível e rígida que poderíamos esperar ou desejar. Ele não escreveu nenhum livro. Temos apenas relatos de suas palavras, a maioria proferida em resposta a perguntas e moldada, em certa medida, pelo contexto. E, mesmo depois de reunirmos todas elas, não conseguimos reduzi-las a um sistema. Ele prega, mas não ministra aulas teóricas. Ele utiliza o paradoxo, o provérbio, o exagero, a parábola, a ironia; e até mesmo (sem qualquer intenção de irreverência) a "piada". Ele profere máximas que, tal como os provérbios populares, se interpretadas ao pé da letra, podem parecer contraditórias entre si. Portanto, seu ensino não pode ser apreendido apenas pelo intelecto, nem estudado como se fosse uma simples "matéria". Se tentarmos fazer isso, descobriremos que Ele é o mais enganador dos mestres. Raramente Ele dava uma resposta direta a uma pergunta direta. Ele não se deixa "enquadrar" da maneira que desejamos. Tal tentativa é (repito: sem qualquer intenção de irreverência) como tentar engarrafar um raio de sol.”
― C.S. Lewis, Reflexões sobre os Salmos
REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?
Talvez a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença.
Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
A Grande História - Um Convite para Professores Cristãos, Rick Hove, Heather Holleman
Lendo o Sermão do Monte Com John Stott, John Stott
Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, foi Professor em Universidades nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Holanda, e Pesquisador em Centros de Pesquisa (EPRI, NASA). Atualmente é Professor Titular Livre na Universidade Federal de Itajubá, MG. É originário do Vale do Pajeú e torcedor do Santa Cruz.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao
Pesquisa publicada recentemente aponta os cientistas destacados entre o “top” 2% dos pesquisadores de maior influência no mundo, nas diversas áreas do conhecimento. Destes, 600 cientistas são de Instituições Brasileiras. O Professor Paulo F. Ribeiro foi incluído nesta lista relacionado a área de Engenharia Elétrica.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao
Pesquisa publicada recentemente aponta os cientistas destacados entre o “top” 2% dos pesquisadores de maior influência no mundo, nas diversas áreas do conhecimento. Destes, 600 cientistas são de Instituições Brasileiras. O Professor Paulo F. Ribeiro foi incluído nesta lista relacionado a área de Engenharia Elétrica.
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