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24 de setembro de 2026- Visualizações: 157
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“Plantar jardins de esperança. Semear paz em meio ao exílio”
Hoje, o profeta continua dizendo: Trabalhem com esforço e caminhem juntos – ninguém pode seguir sozinho
Por Débora Fahur
Chegamos ao X Fórum Refugiados, promovido pela Associação CASA. A palavra que melhor traduz este momento é gratidão – a Deus, pela consolidação de um espaço qualificado de formação e capacitação. Gratidão – àqueles que se fizeram presente nessa caminhada.
O Fórum, realizado entre os dias 19 e 21 de agosto de 2026, foi um tempo especial de celebração. Pela primeira vez, o evento aconteceu fora de São Paulo, nas dependências de uma universidade, onde fé e debate acadêmico se encontram. A UNIEVANGÉLICA, em Anápolis, GO, tornou-se casa para este encontro de amigos e irmãos. Tivemos a alegria de reunir acadêmicos, líderes de organizações e igrejas cristãs evangélicas, representantes do ACNUR, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Cátedra Sérgio Vieira de Melo e, sobretudo, nossos convidados especiais: refugiados e migrantes que escolheram o Brasil como lar.
Para contar essa trajetória de dez anos, precisamos voltar ao ano de 2015, quando aceitamos o desafio de acolher famílias refugiadas e migrantes. Pela Rede IBAB Solidária, chegamos à Missão Dignitá e aprendemos que acolher é também um ato de fé. A visita à Missão Paz, o diálogo com Cáritas e com a Igreja Presbiteriana da Penha revelaram modelos já em prática. O Programa Reconstruir, na Associação Educacional e Beneficente Vale da Benção, recebeu sua primeira família – uma mãe e seu bebê de dezoito meses, vindos da Nigéria. Depois vieram outras, do Egito, Líbia, Iêmen, Síria, Colômbia e Venezuela. Assim começava a se formar uma rede potente, ainda invisível, mas já em movimento.
Também em 2015, a guerra civil na Síria atingiu seu auge, com milhares de mortos e milhões de refugiados em países vizinhos. Muitos arriscavam a vida no Mediterrâneo tentando chegar à Europa. Nesse contexto, o Brasil passou a conceder vistos humanitários a sírios que buscassem refúgio. No mês de setembro daquele ano, a foto do menino Alan Kurdi, de três anos, tirada pela fotojornalista Nilufer Demir, chocou o mundo. Alan e sua família fugiam em um bote inflável rumo à ilha grega de Kos, mas a embarcação virou e doze pessoas morreram, incluindo ele, seu irmão e sua mãe. A imagem se tornou símbolo da crise dos refugiados na Europa.
Uma criança síria. Essa história se conecta à minha própria história familiar. Meu esposo, Elias Fahur, é descendente de sírios. Sua avó Maria chegou ao Brasil aos quatorze anos de idade. Apesar das dificuldades na adaptação cultural, nova língua e desafios financeiros, ela abraçou o Brasil, onde construiu uma família abençoada.
A foto do menino Alan Kurdi, serviu para ampliar a minha visão pessoal sobre a situação dos refugiados e migrantes. E a equipe que já estava trabalhando com famílias refugiadas aceitou o desafio de entrarmos juntos no modo emergência. Tomar a decisão e agir!

Em 2017, esse movimento vibrante ganhou nome: Fórum Refugiados. Primeiro, um olhar para o Brasil. Depois, a pergunta: como preparar a igreja para receber? O foco passou a ser integração – não apenas acolher, mas caminhar junto. Cada edição trouxe rostos, histórias e recomeços. O Fórum Refugiados ganhava força. Lançamos a cartilha Igreja: lugar de refúgio e o Programa de Mapeamento revelou uma rede de organizações e igrejas cristãs evangélicas espalhadas pelo Brasil, atendendo milhares de pessoas de diversas nacionalidades. Nasceu também o Programa Jovens Líderes, mobilizando uma nova geração, capacitando jovens cristãos para responder aos desafios da crise migratória e do qual recebemos a inspiração: “Ser refugiado não é uma escolha. Acolher, sim! (Giovanna Braga).
Passaram-se dez anos. Ao chegar em 2026, enxergamos um ano marcado por desastres simultâneos. Nenhuma imagem traduz plenamente o caos e a dor vividos. Em apenas dois meses, entre julho e agosto, o mundo foi abalado por tragédias de proporções inimagináveis: terremotos na Venezuela, Colômbia, Peru e Indonésia; a invasão de Ceuta, entre Marrocos e Espanha; e um tsunami de lama no Nepal. Eventos que deixaram perdas irreparáveis – famílias enlutadas, crianças órfãs, deslocamentos forçados e bens materiais destruídos.
Diante dessa realidade assombrosa, somos lembrados das palavras do profeta Jeremias aos exilados na Babilônia, que foram arrancados de suas casas e terras. Essa mensagem ecoa em nossos dias: em meio as perdas e deslocamentos forçados, onde muitos vivem em países estrangeiros sem visto, sem família e sem falar a língua. Esta carta extremamente realista, é um chamado à esperança e à reconstrução, em meio ao sofrimento:
“Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam dos seus frutos. Casem-se e tenham filhos e filhas. Busquem a prosperidade da cidade e orem por ela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela. Pois sou Eu que conheço os planos que tenho para vocês — planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.” (Jeremias 29.4-11)
Através dessas recomendações, somos chamados a semear esperança, que nos faz viver, caminhar, levantar e reconstruir vidas. E pela fé seguir anunciando que Deus continua conduzindo a história com planos de paz, prosperidade e futuro. Pois “a igreja soprada pela Esperança continua viva e capaz de sinalizar o Reino de Deus em todo tempo e em todo lugar” (André Saldiba).
Diante do cenário geopolítico mundial, imagino no dia de hoje, o profeta Jeremias nos dizendo:
Ocupem o seu lugar na história. Valorizem a sua família, cultivem relacionamentos saudáveis que os ajudem a interpretar e discernir os tempos. Não desanimem. Trabalhem com esforço e caminhem junto, ninguém pode seguir sozinho. Aproximem-se de outras organizações e igrejas, dialoguem com a sociedade civil, poder público e organismos internacionais. Pesquisem, participem de fóruns e debates acadêmicos. Expressem-se com leveza, levando arte aos corações. Toquem instrumentos e inundem o mundo com a sua música. Unam-se em oração pelos que sofrem, pelas famílias enlutadas e pelas equipes de busca e salvamento que atuam em meio às tragédias. Busquem ao Senhor todos os dias. Pois ele ouvirá e vocês serão abençoados.
O Fórum Refugiados se tornou o nosso jeito de ser. Acreditamos e trabalhamos em rede e caminhada conjunta. Durante esses dez anos, plantamos jardins de esperança. E oramos para que essa mensagem nos inspire a continuar semeando paz e esperança, na vida das famílias que se encontram hoje em situação de exílio.
Débora Fahur, psicóloga, diretora de Programas Sociais da Associação CASA.
Fotos
1. Participantes do X Fórum.
2. Anos iniciais – acolhimento.
3. VI Fórum.
4. Amigos no X Fórum.
REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?
A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?
Talvez a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença.
Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
» Pessoas: Humanas e Divinas – Ensaios sobre a natureza e o valor das pessoas, Peter van Inwagen
» A Igreja – Uma comunidade singular de pessoas, John Stott e Tim Chester
» Muitas Andorinhas Fazem Verão – Renovo - Unindo Pessoas na Transformação Social da Cidade, Cilas Fiuza Gavioli
» Carta a um discípulo muito amado – Conselhos e Afetos na Segunda Carta de Paulo a Timóteo, Robert Liang Koo
Por Débora Fahur
Chegamos ao X Fórum Refugiados, promovido pela Associação CASA. A palavra que melhor traduz este momento é gratidão – a Deus, pela consolidação de um espaço qualificado de formação e capacitação. Gratidão – àqueles que se fizeram presente nessa caminhada.O Fórum, realizado entre os dias 19 e 21 de agosto de 2026, foi um tempo especial de celebração. Pela primeira vez, o evento aconteceu fora de São Paulo, nas dependências de uma universidade, onde fé e debate acadêmico se encontram. A UNIEVANGÉLICA, em Anápolis, GO, tornou-se casa para este encontro de amigos e irmãos. Tivemos a alegria de reunir acadêmicos, líderes de organizações e igrejas cristãs evangélicas, representantes do ACNUR, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Cátedra Sérgio Vieira de Melo e, sobretudo, nossos convidados especiais: refugiados e migrantes que escolheram o Brasil como lar.
Também em 2015, a guerra civil na Síria atingiu seu auge, com milhares de mortos e milhões de refugiados em países vizinhos. Muitos arriscavam a vida no Mediterrâneo tentando chegar à Europa. Nesse contexto, o Brasil passou a conceder vistos humanitários a sírios que buscassem refúgio. No mês de setembro daquele ano, a foto do menino Alan Kurdi, de três anos, tirada pela fotojornalista Nilufer Demir, chocou o mundo. Alan e sua família fugiam em um bote inflável rumo à ilha grega de Kos, mas a embarcação virou e doze pessoas morreram, incluindo ele, seu irmão e sua mãe. A imagem se tornou símbolo da crise dos refugiados na Europa.
Uma criança síria. Essa história se conecta à minha própria história familiar. Meu esposo, Elias Fahur, é descendente de sírios. Sua avó Maria chegou ao Brasil aos quatorze anos de idade. Apesar das dificuldades na adaptação cultural, nova língua e desafios financeiros, ela abraçou o Brasil, onde construiu uma família abençoada.
A foto do menino Alan Kurdi, serviu para ampliar a minha visão pessoal sobre a situação dos refugiados e migrantes. E a equipe que já estava trabalhando com famílias refugiadas aceitou o desafio de entrarmos juntos no modo emergência. Tomar a decisão e agir!

Em 2017, esse movimento vibrante ganhou nome: Fórum Refugiados. Primeiro, um olhar para o Brasil. Depois, a pergunta: como preparar a igreja para receber? O foco passou a ser integração – não apenas acolher, mas caminhar junto. Cada edição trouxe rostos, histórias e recomeços. O Fórum Refugiados ganhava força. Lançamos a cartilha Igreja: lugar de refúgio e o Programa de Mapeamento revelou uma rede de organizações e igrejas cristãs evangélicas espalhadas pelo Brasil, atendendo milhares de pessoas de diversas nacionalidades. Nasceu também o Programa Jovens Líderes, mobilizando uma nova geração, capacitando jovens cristãos para responder aos desafios da crise migratória e do qual recebemos a inspiração: “Ser refugiado não é uma escolha. Acolher, sim! (Giovanna Braga).
Diante dessa realidade assombrosa, somos lembrados das palavras do profeta Jeremias aos exilados na Babilônia, que foram arrancados de suas casas e terras. Essa mensagem ecoa em nossos dias: em meio as perdas e deslocamentos forçados, onde muitos vivem em países estrangeiros sem visto, sem família e sem falar a língua. Esta carta extremamente realista, é um chamado à esperança e à reconstrução, em meio ao sofrimento:
“Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam dos seus frutos. Casem-se e tenham filhos e filhas. Busquem a prosperidade da cidade e orem por ela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela. Pois sou Eu que conheço os planos que tenho para vocês — planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.” (Jeremias 29.4-11)
Através dessas recomendações, somos chamados a semear esperança, que nos faz viver, caminhar, levantar e reconstruir vidas. E pela fé seguir anunciando que Deus continua conduzindo a história com planos de paz, prosperidade e futuro. Pois “a igreja soprada pela Esperança continua viva e capaz de sinalizar o Reino de Deus em todo tempo e em todo lugar” (André Saldiba).Diante do cenário geopolítico mundial, imagino no dia de hoje, o profeta Jeremias nos dizendo:
Ocupem o seu lugar na história. Valorizem a sua família, cultivem relacionamentos saudáveis que os ajudem a interpretar e discernir os tempos. Não desanimem. Trabalhem com esforço e caminhem junto, ninguém pode seguir sozinho. Aproximem-se de outras organizações e igrejas, dialoguem com a sociedade civil, poder público e organismos internacionais. Pesquisem, participem de fóruns e debates acadêmicos. Expressem-se com leveza, levando arte aos corações. Toquem instrumentos e inundem o mundo com a sua música. Unam-se em oração pelos que sofrem, pelas famílias enlutadas e pelas equipes de busca e salvamento que atuam em meio às tragédias. Busquem ao Senhor todos os dias. Pois ele ouvirá e vocês serão abençoados.
O Fórum Refugiados se tornou o nosso jeito de ser. Acreditamos e trabalhamos em rede e caminhada conjunta. Durante esses dez anos, plantamos jardins de esperança. E oramos para que essa mensagem nos inspire a continuar semeando paz e esperança, na vida das famílias que se encontram hoje em situação de exílio.
Débora Fahur, psicóloga, diretora de Programas Sociais da Associação CASA.
Fotos
1. Participantes do X Fórum.
2. Anos iniciais – acolhimento.
3. VI Fórum.
4. Amigos no X Fórum.
REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?
Talvez a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença.
Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
» Pessoas: Humanas e Divinas – Ensaios sobre a natureza e o valor das pessoas, Peter van Inwagen
» A Igreja – Uma comunidade singular de pessoas, John Stott e Tim Chester
» Muitas Andorinhas Fazem Verão – Renovo - Unindo Pessoas na Transformação Social da Cidade, Cilas Fiuza Gavioli
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