Opinião
03 de setembro de 2026- Visualizações: 30
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Religiosidade e Universidade: contextos, limites e responsabilidades
Por Paulo Ribeiro
A universidade deve resistir às tentações, tanto da imposição da crença religiosa quanto a visão materialista da realidade como a única posição intelectualmente legítima.
Como professor universitário e cristão, preocupa-me quando convicções religiosas são apresentadas como argumentos de autoridade no contexto acadêmico. A fé, ou a crença, pode orientar a consciência, os valores e as motivações pessoais do pesquisador, mas não deve ser utilizada para conferir autoridade acadêmica a convicções religiosas, nem substituir evidências, métodos, argumentação fundamentada ou a possibilidade de questionamento.
Durante vários anos, ensinei em universidades religiosas (cristãs) nos Estados Unidos e apreciava, e ainda aprecio, a oportunidade de discutir diferentes disciplinas a partir de uma perspectiva cristã. Naquele contexto, essa abordagem fazia parte da identidade e da missão explicitamente assumidas por aquelas instituições. Isso nos permitia refletir abertamente sobre as relações entre fé, conhecimento, ética e responsabilidade profissional.
Também ensinei, e continuo ensinando, em uma universidade secular. Nesse ambiente, não me sinto confortável quando convicções religiosas são expressas dentro do contexto acadêmico. A identidade religiosa do professor, ou do pesquisador, merece respeito, mas não deve conferir autoridade especial às suas análises.
A mesma cautela deve aplicar-se às convicções não religiosas. Por vezes, uma visão estritamente materialista da realidade é apresentada não como uma perspectiva filosófica aberta à discussão, mas como a única posição intelectualmente legítima.
Quando isso acontece, a ausência da religiosidade pode, por si só, tornar-se motivo de superioridade intelectual. A universidade deve resistir a ambas as tentações: tanto à imposição da crença religiosa quanto à pretensão de que apenas uma visão material da realidade seja compatível com a razão.
Naturalmente, as Ciências da Religião têm um lugar legítimo e importante na universidade. Mesmo nesse campo, porém, os pesquisadores, inclusive aqueles que são teólogos confessionais, devem distinguir suas convicções pessoais da análise acadêmica, estudando as diferentes tradições religiosas com honestidade intelectual, respeito e rigor metodológico.
Conheço cientistas, filósofos e teólogos que são inteiramente abertos sobre sua religiosidade, no sentido de certeza fiduciária, e possuem sólida reputação intelectual, mas que, em seus trabalhos acadêmicos, procuram argumentar com base na ciência, na história e na razão. E essa perspectiva certamente influencia a maneira como compreendem a realidade, mas não é utilizada como um atalho para estabelecer conclusões científicas ou intelectuais.
Isso não significa que a crença deva ser escondida ou excluída da universidade. Significa reconhecer o contexto e os limites de cada esfera. Em questões técnicas, uma afirmação deve estar aberta ao exame.
Finalmente, nenhum de nós observa a realidade a partir de uma posição de neutralidade absoluta. Todos partimos de certos pressupostos e depositamos algum grau de confiança em teorias, métodos e modelos científicos. Isso não transforma a ciência em religião, mas nos lembra de que nossas interpretações também possuem limitações.
A neutralidade completa somente seria possível para quem não sustentasse crença, pressuposto ou teoria alguma, uma condição praticamente impossível para qualquer pessoa que procure compreender a realidade.
A universidade deve resistir às tentações, tanto da imposição da crença religiosa quanto a visão materialista da realidade como a única posição intelectualmente legítima.
Como professor universitário e cristão, preocupa-me quando convicções religiosas são apresentadas como argumentos de autoridade no contexto acadêmico. A fé, ou a crença, pode orientar a consciência, os valores e as motivações pessoais do pesquisador, mas não deve ser utilizada para conferir autoridade acadêmica a convicções religiosas, nem substituir evidências, métodos, argumentação fundamentada ou a possibilidade de questionamento.
Durante vários anos, ensinei em universidades religiosas (cristãs) nos Estados Unidos e apreciava, e ainda aprecio, a oportunidade de discutir diferentes disciplinas a partir de uma perspectiva cristã. Naquele contexto, essa abordagem fazia parte da identidade e da missão explicitamente assumidas por aquelas instituições. Isso nos permitia refletir abertamente sobre as relações entre fé, conhecimento, ética e responsabilidade profissional.
Também ensinei, e continuo ensinando, em uma universidade secular. Nesse ambiente, não me sinto confortável quando convicções religiosas são expressas dentro do contexto acadêmico. A identidade religiosa do professor, ou do pesquisador, merece respeito, mas não deve conferir autoridade especial às suas análises.
A mesma cautela deve aplicar-se às convicções não religiosas. Por vezes, uma visão estritamente materialista da realidade é apresentada não como uma perspectiva filosófica aberta à discussão, mas como a única posição intelectualmente legítima.
Quando isso acontece, a ausência da religiosidade pode, por si só, tornar-se motivo de superioridade intelectual. A universidade deve resistir a ambas as tentações: tanto à imposição da crença religiosa quanto à pretensão de que apenas uma visão material da realidade seja compatível com a razão.
Naturalmente, as Ciências da Religião têm um lugar legítimo e importante na universidade. Mesmo nesse campo, porém, os pesquisadores, inclusive aqueles que são teólogos confessionais, devem distinguir suas convicções pessoais da análise acadêmica, estudando as diferentes tradições religiosas com honestidade intelectual, respeito e rigor metodológico.
Conheço cientistas, filósofos e teólogos que são inteiramente abertos sobre sua religiosidade, no sentido de certeza fiduciária, e possuem sólida reputação intelectual, mas que, em seus trabalhos acadêmicos, procuram argumentar com base na ciência, na história e na razão. E essa perspectiva certamente influencia a maneira como compreendem a realidade, mas não é utilizada como um atalho para estabelecer conclusões científicas ou intelectuais.
Isso não significa que a crença deva ser escondida ou excluída da universidade. Significa reconhecer o contexto e os limites de cada esfera. Em questões técnicas, uma afirmação deve estar aberta ao exame.
Finalmente, nenhum de nós observa a realidade a partir de uma posição de neutralidade absoluta. Todos partimos de certos pressupostos e depositamos algum grau de confiança em teorias, métodos e modelos científicos. Isso não transforma a ciência em religião, mas nos lembra de que nossas interpretações também possuem limitações.
A neutralidade completa somente seria possível para quem não sustentasse crença, pressuposto ou teoria alguma, uma condição praticamente impossível para qualquer pessoa que procure compreender a realidade.
Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, foi Professor em Universidades nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Holanda, e Pesquisador em Centros de Pesquisa (EPRI, NASA). Atualmente é Professor Titular Livre na Universidade Federal de Itajubá, MG. É originário do Vale do Pajeú e torcedor do Santa Cruz.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao
Pesquisa publicada recentemente aponta os cientistas destacados entre o “top” 2% dos pesquisadores de maior influência no mundo, nas diversas áreas do conhecimento. Destes, 600 cientistas são de Instituições Brasileiras. O Professor Paulo F. Ribeiro foi incluído nesta lista relacionado a área de Engenharia Elétrica.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao
Pesquisa publicada recentemente aponta os cientistas destacados entre o “top” 2% dos pesquisadores de maior influência no mundo, nas diversas áreas do conhecimento. Destes, 600 cientistas são de Instituições Brasileiras. O Professor Paulo F. Ribeiro foi incluído nesta lista relacionado a área de Engenharia Elétrica.
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