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14 de julho de 2015- Visualizações: 9355
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Qual o sonho da “geração smartphone”?
Ser feliz. Ficar rico. Morar em outro país. Em princípio, uma dessas opções pode parecer o principal desejo de todo jovem, mas não é. Pelo menos de acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, sob encomenda do jornal Folha de São Paulo. Segundo o estudo, a maior aspiração dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos é alcançar a profissão dos sonhos. O levantamento foi feito em 175 municípios, ouviu 1.036 jovens de um total de 2.437 pessoas.A pesquisa do Datafolha delineou o perfil da geração chamada por especialistas de “nativa digital” ou “geração smartphone”, identificando que pessoas de 16 a 24 anos ficam on-line, em média, nove horas por dia e a maioria é pelo celular (78% têm seu próprio smartphone). Ouvir música é a atividade mais comum, seguida por compartilhar fotos em redes sociais, acessar notícias e, por último, assistir vídeos no Youtube.
Outra pesquisa foi um pouco mais afundo e apontou a mesma tendência sobre a juventude, no que se refere à profissão. O projeto Sonho Brasileiro realizado pela BOX1824 – uma empresa de pesquisa global focada no mapeamento de tendências e comportamentos –, identificou que 55% dos sonhos individuais dos jovens estão ligados à formação profissional e emprego. Dentre estes, 24% almejam a profissão dos sonhos. A pesquisa “Sonho Brasileiro” buscou identificar as tendências de comportamentos da atual geração entre 18 e 24 anos e o seu sonho para o país.
Embora não neguem as questões funcionais do trabalho, como dinheiro e estabilidade, muitos jovens buscam no emprego a realização pessoal. Um enorme desafio a ser concretizado quando o Brasil registra a maior taxa de desemprego (8,1%), no trimestre referente a dezembro de 2014 a fevereiro de 2015. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são mais de 8 milhões de brasileiros desempregados.
Qual a saída para uma geração que está buscando no trabalho muito mais que retorno e estabilidade financeira? A edição nº 355 da revista Ultimato pode oferecer algumas pistas. A matéria de capa, sobre Vocação e Juventude, aponta a falta de perspectiva de muitos jovens para sustentar a vida e destaca a importância do jovem buscar compreender a sua vocação e, assim, entender melhor o seu papel no mundo.Na matéria de capa, além de poder extrair alguns princípios importantes para cumprir sua vocação a partir da vida de José – um jovem que tinha consciência do seu chamado –, Ultimato traz ao leitor um infográfico que apresenta os muitos diferentes aspectos da vocação e mostra o ponto de partida para o jovem descobri-la.
Falando sobre a visão cristã do trabalho na coluna Ética, Paul e Raphael Freston dizem que é preciso experimentar o trabalho como um dom de Deus, que traz significado e gratificação. “O trabalho socialmente útil não basta”, enfatizam. E foi isso que a pesquisa “Sonho Brasileiro” constatou. Além do retorno financeiro e a satisfação pessoal, o jovem busca fazer diferença na sociedade através da sua profissão. Mas para essa efetiva ressignificação do trabalho, que vai além do utilitarismo, a “geração smartphone” precisa se conectar com Deus e resgatar os princípios bíblicos do trabalho. Só assim, o jovem poderá desenvolver seu papel no mundo com dignidade e desfrutar da honra e alegria de exercitar seus talentos.
Conservadora ou contraditória?A pesquisa do Datafolha também revelou outras características curiosas sobre o perfil dos jovens. A geração que assimilou tão rapidamente as novas tecnologias digitais está sendo considerada por alguns como “careta” e “conservadora”, por causa do seu posicionamento em relação a temas como sexo, aborto e homossexualidade.
Os resultados mostram que a maioria dos jovens aceita como moralmente certo o sexo antes do casamento e o comportamento homossexual, mas condena a visualização de vídeos pornográficos – 44% acham moralmente certo o sexo entre pessoas que não são casadas, 29% discordam; 36% acham certo o comportamento homossexual, 30% discordam; 51% julgam errado assistir vídeos pornográficos. Também aumentou entre os jovens a aceitação do aborto e da maconha, mas a porcentagem dos que são contra continua alta: 79% afirmam que o aborto é inaceitável e 67% acham que é moralmente errado fumar maconha.
Outro dado interessante é que os jovens valorizam a família, mas rejeitam o casamento. Entre os 10 itens listados como os mais importantes, o casamento ficou em último lugar. Sair de casa e abdicar do aconchego e segurança dos pais para encarar o desafio de constituir a própria família é uma escolha feita cada vez mais tarde. Na classificação, saúde, família, trabalho e estudo foram considerados os itens mais importantes para os jovens, até mesmo à frente de quesitos como amigos, sexo e beleza.
Utopias, pragmatismo e transformação
Já a pesquisa “Sonho Brasileiro” revelou que o jovem não só aponta os problemas do país, mas enxerga e se envolve em maneiras possíveis de atuação para transformar a realidade. Dentre os meios pelos quais a juventude acredita que podem surgir mudanças, estão: agir com honestidade no dia-a-dia (56%) e aproveitar as oportunidades que o Brasil oferece (30%).
É uma geração que une sonho e pragmatismo. Enxerga a si mesma como sonhadora (35%), mas não pensa em grandes transformações estruturais, como gerações de décadas passadas, e sim em pequenas mudanças na realidade do dia-a-dia. Acreditam que ações cotidianas de honestidade ajudam a combater a corrupção, por exemplo, e não depositam suas expectativas em instituições formais para transformação da sociedade.
Na pesquisa “Sonho Brasileiro” foram identificados indivíduos denominados de “jovem-ponte”. Segundo o estudo, é o sujeito que transita por mais grupos distintos que a média das pessoas (3 ou 4 grupos), recolhendo referências a partir das quais amplia sua visão de mundo. Além de redefinir seu próprio pensamento, o jovem passa a difundir essas ideias e estabelecer redes de diálogos entre grupos que não se falariam espontaneamente.
Três características principais do “jovem-ponte” são: a hiperconectividade, o não dualismo e as microrrevoluções. Ao invés de polarizar, essa geração integra ideias e conceitos, antes colocados em oposição. Valorizam a possibilidade de transitar e participar de projetos diversos, tendo flexibilidade para atuar de formas mais pontuais e se conectar com o máximo possível de frentes em que acreditam.
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