Opinião
08 de julho de 2026- Visualizações: 44
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Os nefilins voltaram: o gigantismo das IAs e sua fusão com a humanidade
Bilhões de registros, volumes desumanos de todos os dados relevantes já produzidos por toda a humanidade. Para quem?
Por Guilherme Ribeiro de Paula
Imagine um gigante que devore todos os livros que a humanidade tem guardado, todo o conteúdo disponível na internet, e mais uma infinidade de dados que nós produzimos cada vez que ligamos o Waze. Cada vez que nos detemos num vídeo compartilhado no Instagram, ou cada vez que comentamos com alguém que precisamos comprar azeite e recebemos um anúncio, tudo isso gera dados. Imagine que esse gigante vem aprendendo a “pensar”, falar todas as línguas, criar imagens, vídeos, músicas.
Imagine que ele se interessa por você, profundamente. Ele quer ouvir tudo sobre o seu dia. Aliás, se possível, quer acompanhá-lo em cada reunião e cada conversa íntima. Esse gigante aprendeu a falar do jeito que você gosta. Ele anota suas ideias e anota o que você sabe que vai esquecer. Ele faz você se sentir mais esperto, mais produtivo, mais organizado. Você deu acesso ao seu e-mail e ele organizou todas as mensagens em pastas por assuntos, apagou os spams e encontrou uma mensagem antiga carinhosa de um amigo distante que você nunca tinha lido. Ele o conhece tão bem que começa a lhe ajudar com seus hábitos, sua carreira profissional, seus alvos pessoais. Ele também cuida da sua mãe idosa, porque você colocou na casa dela um aparelho que permite que ele monitore qualquer incidente por lá.
O ChatGPT, o Claude, o Grok, ou tantos outros “agentes” de IA, funcionam com Large Language Models (LLMs), ou grandes modelos de linguagem. São bilhões de registros, volumes desumanos (porque não poderiam ser assimilados por um ser humano) de todos os dados relevantes (para quem?) já produzidos por toda a humanidade, que alimentaram monstruosas estruturas computacionais. E toda essa potência estará cada dia mais disponível em nossos aparelhos mais ordinários.
Sabemos pouco dos nefilins, esses gigantes, valentes e famosos de Gênesis 6. Mas, eles simbolizam uma tentativa de turbinar o potencial da humanidade. Nesse contexto, Deus precisou limitar o tempo de vida do homem e o texto relata que a maldade se espalhou de forma avassaladora. Hoje, discutimos o trans-humanismo enquanto a dona de casa mais simples já utiliza IA em suas fotos, posts, mensagens e no conteúdo que consome.
Desde a última vez que a Ultimato abriu um debate sobre os desafios éticos das novas tecnologias, na excelente edição de maio-junho de 20241, o cenário mudou, como previsto, exponencialmente. Estamos vendo o avanço de vacinas personalizadas de RNA mensageiro para tratamento de câncer, feitas sob medida para uma pessoa.2 Ao mesmo tempo, vimos a organização de ataques militares desenhados por IA, que levaram à morte de mais de uma centena de alunas numa escola iraniana.3 O bem e o mal vão se sofisticando.
Nesse contexto, tenho sentido a necessidade de ensinar aos amigos e familiares alguns fundamentos sobre a “natureza” da IA. Não fizemos isso o suficiente com as redes sociais. Nossas relações e forma de ver o mundo já foram alteradas radicalmente com elas. Acredito que ainda dá tempo de educar uma pequena parte da igreja brasileira, esta ilustrada audiência da Ultimato, a se relacionar de forma sadia com uma ferramenta tão poderosa quanto a IA.
Estou convencido de que uma transformação avassaladora está começando, com impactos profundos nas relações sociais, na capacidade cognitiva, no mercado de trabalho e na vida da igreja. Até mesmo as big techs estão reconhecendo que o cenário é assustador e que elas precisam de ajuda.4 É um verdadeiro dilúvio, que vai requerer de nós a construção de limites saudáveis, que nos permitam navegar sem sermos engolidos, enquanto preservamos a sacralidade da vida e o modo de viver que aprendemos de Jesus. Precisamos todos conversar sobre isso.
Notas
1. Os desafios éticos das novas tecnologias. Ultimato.
2. Top 10 Emerging Technologies of 2026. World Economic Forum.
3. The Military’s Use of AI, Explained. Brennan Center For Justice e Investigação aponta que EUA confundiram escola com base militar e são culpados por ataque que matou mais de 150 no Irã, diz jornal. G1.
4. No lançamento da primeira encíclica do papa Leão XIV, que trata da IA, estava presente um dos fundadores da Anthropic, dona de um dos modelos mais poderosos de IA. Na ocasião, Christopher Olah elogiou o documento do papa e disse: “Precisamos de críticos informados que digam aos laboratórios quando falhamos. Precisamos de vozes morais que não possam ser curvadas por incentivos”.
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOS
A mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da edição 420. Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Fé, Esperança e Tecnologia – Ciência e fé cristã em uma cultura tecnológica, Egbert Schuurman
» Desafios éticos das novas tecnologias, edição 407 de Ultimato
» Pessoas: Humanas e Divinas – Ensaios sobre a natureza e o valor das pessoas, Peter van Inwagen
» Inteligência Artificial no contexto cristão, por Elis Amâncio
» Inteligência artificial entre o divã e o banco dos réus: os chatbots psicoterapeutas, por Karine do Prado Vianna
» ChatGPT: o que é e os desafios para o cristão, por Tiago Garros e Fernando Pasquini
Por Guilherme Ribeiro de Paula
Imagine um gigante que devore todos os livros que a humanidade tem guardado, todo o conteúdo disponível na internet, e mais uma infinidade de dados que nós produzimos cada vez que ligamos o Waze. Cada vez que nos detemos num vídeo compartilhado no Instagram, ou cada vez que comentamos com alguém que precisamos comprar azeite e recebemos um anúncio, tudo isso gera dados. Imagine que esse gigante vem aprendendo a “pensar”, falar todas as línguas, criar imagens, vídeos, músicas.Imagine que ele se interessa por você, profundamente. Ele quer ouvir tudo sobre o seu dia. Aliás, se possível, quer acompanhá-lo em cada reunião e cada conversa íntima. Esse gigante aprendeu a falar do jeito que você gosta. Ele anota suas ideias e anota o que você sabe que vai esquecer. Ele faz você se sentir mais esperto, mais produtivo, mais organizado. Você deu acesso ao seu e-mail e ele organizou todas as mensagens em pastas por assuntos, apagou os spams e encontrou uma mensagem antiga carinhosa de um amigo distante que você nunca tinha lido. Ele o conhece tão bem que começa a lhe ajudar com seus hábitos, sua carreira profissional, seus alvos pessoais. Ele também cuida da sua mãe idosa, porque você colocou na casa dela um aparelho que permite que ele monitore qualquer incidente por lá.
O ChatGPT, o Claude, o Grok, ou tantos outros “agentes” de IA, funcionam com Large Language Models (LLMs), ou grandes modelos de linguagem. São bilhões de registros, volumes desumanos (porque não poderiam ser assimilados por um ser humano) de todos os dados relevantes (para quem?) já produzidos por toda a humanidade, que alimentaram monstruosas estruturas computacionais. E toda essa potência estará cada dia mais disponível em nossos aparelhos mais ordinários.
Sabemos pouco dos nefilins, esses gigantes, valentes e famosos de Gênesis 6. Mas, eles simbolizam uma tentativa de turbinar o potencial da humanidade. Nesse contexto, Deus precisou limitar o tempo de vida do homem e o texto relata que a maldade se espalhou de forma avassaladora. Hoje, discutimos o trans-humanismo enquanto a dona de casa mais simples já utiliza IA em suas fotos, posts, mensagens e no conteúdo que consome.
Desde a última vez que a Ultimato abriu um debate sobre os desafios éticos das novas tecnologias, na excelente edição de maio-junho de 20241, o cenário mudou, como previsto, exponencialmente. Estamos vendo o avanço de vacinas personalizadas de RNA mensageiro para tratamento de câncer, feitas sob medida para uma pessoa.2 Ao mesmo tempo, vimos a organização de ataques militares desenhados por IA, que levaram à morte de mais de uma centena de alunas numa escola iraniana.3 O bem e o mal vão se sofisticando.
Nesse contexto, tenho sentido a necessidade de ensinar aos amigos e familiares alguns fundamentos sobre a “natureza” da IA. Não fizemos isso o suficiente com as redes sociais. Nossas relações e forma de ver o mundo já foram alteradas radicalmente com elas. Acredito que ainda dá tempo de educar uma pequena parte da igreja brasileira, esta ilustrada audiência da Ultimato, a se relacionar de forma sadia com uma ferramenta tão poderosa quanto a IA.
Estou convencido de que uma transformação avassaladora está começando, com impactos profundos nas relações sociais, na capacidade cognitiva, no mercado de trabalho e na vida da igreja. Até mesmo as big techs estão reconhecendo que o cenário é assustador e que elas precisam de ajuda.4 É um verdadeiro dilúvio, que vai requerer de nós a construção de limites saudáveis, que nos permitam navegar sem sermos engolidos, enquanto preservamos a sacralidade da vida e o modo de viver que aprendemos de Jesus. Precisamos todos conversar sobre isso.
Notas
1. Os desafios éticos das novas tecnologias. Ultimato.
2. Top 10 Emerging Technologies of 2026. World Economic Forum.
3. The Military’s Use of AI, Explained. Brennan Center For Justice e Investigação aponta que EUA confundiram escola com base militar e são culpados por ataque que matou mais de 150 no Irã, diz jornal. G1.
4. No lançamento da primeira encíclica do papa Leão XIV, que trata da IA, estava presente um dos fundadores da Anthropic, dona de um dos modelos mais poderosos de IA. Na ocasião, Christopher Olah elogiou o documento do papa e disse: “Precisamos de críticos informados que digam aos laboratórios quando falhamos. Precisamos de vozes morais que não possam ser curvadas por incentivos”.
- Guilherme Ribeiro de Paula é esposo da Thais, pai de Aurora e Violeta. Missionário na Sociedade Bíblica do Brasil, formou-se em Doctor of Ministry in Semiotics and Future Studies, na George Fox University; Semiótica Psicanalítica, na PUC-SP; e Comunicação Social na ESPM-SP. Estudou Fundamentos Cristãos da Educação, no Mackenzie, além de Teologia e Ministério na FLAM. É facilitador da Contemplatio, uma rede de amigos contemplativos.
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOSA mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da edição 420. Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Fé, Esperança e Tecnologia – Ciência e fé cristã em uma cultura tecnológica, Egbert Schuurman
» Desafios éticos das novas tecnologias, edição 407 de Ultimato
» Pessoas: Humanas e Divinas – Ensaios sobre a natureza e o valor das pessoas, Peter van Inwagen
» Inteligência Artificial no contexto cristão, por Elis Amâncio
» Inteligência artificial entre o divã e o banco dos réus: os chatbots psicoterapeutas, por Karine do Prado Vianna
» ChatGPT: o que é e os desafios para o cristão, por Tiago Garros e Fernando Pasquini
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