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15 de julho de 2026- Visualizações: 295
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Jesus de acordo com o Novo Testamento
Leitura mais que recomendada para quem quer se aprofundar na cristologia bíblica dos últimos tempos
Por César Moisés
Para os que não estão habituados às leituras teológicas acadêmicas, um título como Jesus de Acordo com o Novo Testamento pode parecer mero oximoro, pois alguém pode pensar: “Mas, excetuando o Novo Testamento, existem outras fontes de conhecimento a respeito de Jesus?”. Conquanto a pergunta tenha razão de ser, ela ignora que o Novo Testamento é uma reunião de 27 documentos, contendo diversos gêneros literários. Temos os evangelhos (narrativas episódicas), o livro de Atos (narrativa sustentada), as epístolas (missivas comunitárias e pessoais) e Apocalipse (literatura apocalíptica e epistolar). Esses documentos apresentam Nosso Senhor Jesus Cristo sob diversos ângulos ou perspectivas, que o autor da obra em questão, James Dunn, chama de “imagens de Jesus”. O livro foi lançado pela Editora Vozes em 2025.
Essa pluralidade literária do Novo Testamento apresenta muitos desafios interpretativos. Entre os autores modernos que se dedicam à interpretação dos documentos neotestamentários, ou seja, que se especializaram em sua exegese, o teólogo britânico metodista James Dunn (1939-2020) é um dos mais proeminentes. Sua missão, consignada nos muitos anos dedicados à docência e ao labor teológico, resultou em mais de cinquenta livros escritos e, ou editados, entre eles, a conhecidíssima trilogia sobre Jesus, sob os títulos de Jesus Recordado, Começando em Jerusalém e Nem Judeu, Nem Grego que, juntas, somam mais de 4 mil páginas.
Há alguns anos, deixei de comprar títulos e passei a comprar autores. Costumo dizer que uma obra, para ser adquirida, lida e para ocupar um espaço permanente em uma de minhas estantes, precisa valer a pena. Quando se trata de teologia, com raríssimas exceções, prefiro teólogos bíblicos aos sistemáticos. Entre os teólogos bíblicos, James Dunn é um dos que mais leio. Felizmente, se você lê, mas hesita se investiria seu tempo e recursos em uma trilogia do porte da que mencionei, ou mesmo se leria um acadêmico como Dunn, em Jesus de acordo com o Novo Testamento, o autor apresenta uma espécie de resumo do segundo volume de sua trilogia. Jesus de acordo com o Novo Testamento tem 247 páginas, isto é, cerca de 15 por cento da obra Começando em Jerusalém, é dividido em nove capítulos, mais um pós-escrito e dois apêndices. Para além disso, não é uma obra hermética e permeada de expressões técnicas, sendo altamente recomendada para quem quer erudição e piedade em um mesmo livro.
Dunn desmonta, com argúcia e sofisticação, os argumentos pretensamente científicos da busca do “Jesus Histórico”, que incorretamente dividiu o Filho de Deus, dizendo que ele é diferente do “Cristo da fé”. E o autor executa essa tarefa, ironia das ironias, apropriando-se justamente da categoria “testemunho”, derivada dos conceitos de memória e oralidade. Tais conceitos foram utilizados pela crítica histórica para descredibilizar a fidedignidade das narrativas neotestamentárias; contudo, com o avanço dos estudos, atualmente é consenso que as civilizações do Antigo Oriente Próximo eram predominantemente compostas por pessoas que liam precariamente ou eram analfabetas. Não havia papel e os materiais para a escrita, além de reivindicar o trabalho de um copista, eram caros e pouquíssimas pessoas podiam pagar por eles e ter uma biblioteca particular. Assim, por mais inimaginável que seja, para a nossa realidade atual, o testemunho oral era a forma mais fiel de preservar a integridade de uma história.
Por tudo isso, Jesus de Acordo com o Novo Testamento é leitura mais que recomendada, sendo obrigatória para os que querem se aprofundar no que há de melhor da cristologia bíblica dos últimos tempos. Obra que vale o tempo empregado em sua leitura.
Livro: Jesus de Acordo com o Novo Testamento, James D. G . Dunn. Editora Vozes.
Imagem: O guardião do tesouro: a última ceia, 1491. Michael Wolgemut. Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOS
A mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da edição 420.
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Saiba mais:
» Teologia Analítica - A Teologia em Diálogo com a Filosofia, Thomas H. McCall
» Não Perca Jesus de Vista, Elben Magalhães Lenz César
» A Vida em Cristo, John Stott
Por César Moisés
Para os que não estão habituados às leituras teológicas acadêmicas, um título como Jesus de Acordo com o Novo Testamento pode parecer mero oximoro, pois alguém pode pensar: “Mas, excetuando o Novo Testamento, existem outras fontes de conhecimento a respeito de Jesus?”. Conquanto a pergunta tenha razão de ser, ela ignora que o Novo Testamento é uma reunião de 27 documentos, contendo diversos gêneros literários. Temos os evangelhos (narrativas episódicas), o livro de Atos (narrativa sustentada), as epístolas (missivas comunitárias e pessoais) e Apocalipse (literatura apocalíptica e epistolar). Esses documentos apresentam Nosso Senhor Jesus Cristo sob diversos ângulos ou perspectivas, que o autor da obra em questão, James Dunn, chama de “imagens de Jesus”. O livro foi lançado pela Editora Vozes em 2025.Essa pluralidade literária do Novo Testamento apresenta muitos desafios interpretativos. Entre os autores modernos que se dedicam à interpretação dos documentos neotestamentários, ou seja, que se especializaram em sua exegese, o teólogo britânico metodista James Dunn (1939-2020) é um dos mais proeminentes. Sua missão, consignada nos muitos anos dedicados à docência e ao labor teológico, resultou em mais de cinquenta livros escritos e, ou editados, entre eles, a conhecidíssima trilogia sobre Jesus, sob os títulos de Jesus Recordado, Começando em Jerusalém e Nem Judeu, Nem Grego que, juntas, somam mais de 4 mil páginas.
Há alguns anos, deixei de comprar títulos e passei a comprar autores. Costumo dizer que uma obra, para ser adquirida, lida e para ocupar um espaço permanente em uma de minhas estantes, precisa valer a pena. Quando se trata de teologia, com raríssimas exceções, prefiro teólogos bíblicos aos sistemáticos. Entre os teólogos bíblicos, James Dunn é um dos que mais leio. Felizmente, se você lê, mas hesita se investiria seu tempo e recursos em uma trilogia do porte da que mencionei, ou mesmo se leria um acadêmico como Dunn, em Jesus de acordo com o Novo Testamento, o autor apresenta uma espécie de resumo do segundo volume de sua trilogia. Jesus de acordo com o Novo Testamento tem 247 páginas, isto é, cerca de 15 por cento da obra Começando em Jerusalém, é dividido em nove capítulos, mais um pós-escrito e dois apêndices. Para além disso, não é uma obra hermética e permeada de expressões técnicas, sendo altamente recomendada para quem quer erudição e piedade em um mesmo livro.
Dunn desmonta, com argúcia e sofisticação, os argumentos pretensamente científicos da busca do “Jesus Histórico”, que incorretamente dividiu o Filho de Deus, dizendo que ele é diferente do “Cristo da fé”. E o autor executa essa tarefa, ironia das ironias, apropriando-se justamente da categoria “testemunho”, derivada dos conceitos de memória e oralidade. Tais conceitos foram utilizados pela crítica histórica para descredibilizar a fidedignidade das narrativas neotestamentárias; contudo, com o avanço dos estudos, atualmente é consenso que as civilizações do Antigo Oriente Próximo eram predominantemente compostas por pessoas que liam precariamente ou eram analfabetas. Não havia papel e os materiais para a escrita, além de reivindicar o trabalho de um copista, eram caros e pouquíssimas pessoas podiam pagar por eles e ter uma biblioteca particular. Assim, por mais inimaginável que seja, para a nossa realidade atual, o testemunho oral era a forma mais fiel de preservar a integridade de uma história.Por tudo isso, Jesus de Acordo com o Novo Testamento é leitura mais que recomendada, sendo obrigatória para os que querem se aprofundar no que há de melhor da cristologia bíblica dos últimos tempos. Obra que vale o tempo empregado em sua leitura.
Livro: Jesus de Acordo com o Novo Testamento, James D. G . Dunn. Editora Vozes.
- César Moisés é licenciado em pedagogia (Unespar), especialista em teologia (PUC-Rio), mestre em história (UFRJ), doutorando em educação (UFPR) e autor de, entre outros, Teologia Sistemático-Carismática (Thomas Nelson).
Imagem: O guardião do tesouro: a última ceia, 1491. Michael Wolgemut. Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOSA mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
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» Teologia Analítica - A Teologia em Diálogo com a Filosofia, Thomas H. McCall
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