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Opinião

Conhecimento bíblico não transforma. A prática do evangelho, sim

O que você faz com aquilo que já sabe ser a vontade de Deus?

Por Paulo Roberto (Bebeto) Araújo

Durante muito tempo, a igreja acreditou que mais conhecimento teológico significaria mais transformação no mundo. A lógica parecia simples: ensinar as verdades bíblicas, pregar bons sermões e transmitir conteúdo seria suficiente para mudar pessoas e sociedades.

Mas a realidade mostra que não é tão simples assim.

Se conhecimento, por si só, transformasse a vida das pessoas, estaríamos vivendo na sociedade mais justa e compassiva da história. Nunca tivemos tanto acesso à Bíblia, estudos, livros, vídeos, podcasts e cursos. Ainda assim, continuamos convivendo com injustiça, indiferença e sofrimento por toda parte.

O paradoxo é evidente: nunca soubemos tanto e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão expostos ao risco de praticar tão pouco.

Existe muita teologia circulando sobre as nossas cabeças. O desafio é fazer essa teologia tocar o chão da vida.

A grande virada de chave para a igreja de hoje é entender que a nossa participação na missão de Deus não é medida pelo tamanho da nossa erudição. O mais importante não é quanto você sabe, mas o que você faz com aquilo que já sabe ser a vontade de Deus.

Porque todo evangelho que não se torna visível na vida de alguém dificilmente pode ser chamado de evangelho. É apenas discurso. E o mundo está cansado de discursos.

Diante da dor humana, discursos não bastam. Quem sofre não precisa apenas ouvir sobre a compaixão de Deus. Precisa encontrá-la na vida de alguém. O faminto não é alimentado por uma doutrina correta sobre providência. Ele é alimentado por pão repartido.

É verdade que a fé vem pelo ouvir (Rm 10.17). Mas a fé também nasce quando as pessoas veem os seguidores de Jesus vivendo o evangelho na prática, realizando as boas obras que Deus preparou para que fizessem (Ef 2.10). Quando o amor ganha forma concreta na vida real, o mundo percebe algo diferente e glorifica ao Pai que está nos céus (Mt 5.16).



O mundo não precisa apenas ouvir no que acreditamos. Precisa enxergar o que a nossa fé produz na prática.

Por isso, talvez o maior desafio da igreja não seja criar mais uma conferência, mais uma série de mensagens ou mais um conteúdo inspirador. Tudo isso tem seu lugar. Mas a missão começa quando aquilo que ouvimos no culto se transforma em presença, serviço, cuidado, justiça e compaixão durante a semana.

A igreja já possui um patrimônio extraordinário. Temos gente capacitada, dons diversos, experiência, recursos e uma rede de relacionamentos espalhada por todos os lugares.

O que precisamos é ouvir com mais atenção os gritos que vêm das nossas ruas, dos nossos bairros e das nossas cidades. E então responder.

Quando colocamos aquilo que somos e temos a serviço dos que sofrem, o evangelho deixa de ser apenas uma mensagem anunciada. Ele passa a ser uma realidade experimentada. E é aí que a transformação começa.
  • Paulo Roberto (Bebeto) Araújo, engenheiro Florestal (UFRPE), estudou no CEM em 1995-1996, viveu e trabalhou com igreja e desenvolvimento comunitário em Itaperuçu, PR. É diretor da Missão Aliança Noruega no Brasil.
Imagem: Unsplash.

REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOS

A mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da edição 420.
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Saiba mais:
» Quando a Igreja Abraça a Cidade, Vários autores
» O Evangelho – Uma mensagem que transforma a vida, John Stott e Tim Chester
» Raízes de um Evangelho Integral – Missão em perspectiva histórica, Valdir Steuernagel, René Padilla (editor)

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