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Por Escrito

Companhia, acolhimento e conselho até o encontro pessoal com Jesus

Por Rodrigo Almeria Ragio

Meu primeiro contato com a igreja evangélica foi aos nove anos de idade, quando minha mãe, num momento difícil da vida, passou a ir à Igreja Presbiteriana do Brasil do nosso bairro e levou meu irmão e eu junto. Um ano depois fomos para uma Igreja Batista Nacional, também no bairro. Apesar de ir todo domingo, eu não tinha interesse na vida em comunhão e não me sentia parte da igreja, só frequentava por obrigação. Um pouco mais velho (12/13 anos) parei de ir e fiquei um longo tempo sem contato, fazendo apenas umas poucas visitas nos oito anos seguintes.

Nesse meio tempo, se alguém me perguntava sobre a fé ou Deus, eu simplesmente dizia que era evangélico ou que acreditava em Deus. Mas isso não tinha significado algum em minha vida. Apesar de minha decisão, minha mãe continuou insistindo em oração até que, durante a adolescência, concordei em ler a Bíblia com ela, um capítulo por noite. Isso seguiu conforme eu crescia, até entrar na Universidade Federal do ABC (UFABC) em 2012, aos dezoito anos.

Na universidade, prossegui meus estudos sem um contato verdadeiro com Deus, até que, num fim de tarde em agosto de 2014, recebi um convite que mudou minha trajetória. Uma amiga cristã que conheci nas minhas primeiras semanas na universidade me viu jantando sozinho no restaurante universitário (RU) e me convidou para sentar com o pessoal do Grupo de Estudos Bíblicos (GEB), o nome adotado pela Aliança Bíblica Universitária (ABU) na UFABC. Após a janta, acompanhei os estudantes em uma reunião de louvor do lado de fora do RU e, a partir dali, fui acolhido pelo grupo e me envolvi cada vez mais.

Enquanto participava dos estudos bíblicos, reuniões de oração e de louvor, fui compreendendo melhor a fé e me aproximei mais das pessoas do grupo, até contar para alguns sobre o tempo que já estava afastado da igreja. Eles buscaram me aconselhar (e provavelmente oraram bastante) e, conforme cresceu em mim a convicção de que Cristo é o Senhor da minha vida, tomei a decisão de voltar a Igreja Batista Nacional onde congregava quando era mais novo e onde permaneço até hoje. Isso aconteceu em novembro de 2014, e por mais que não seja capaz de colocar uma data exata para minha conversão, uma marca relevante foi atender a um apelo na cantata de Natal da igreja em naquele ano.

Com o passar do tempo, fui ajudado pelos amigos da ABU ABC e da igreja na minha caminhada de fé de como recém-convertido. Uma marca importante desse processo foi participar do Projeto Lucas com um amigo veterano do GEB em 2015, um guia de estudos baseado no evangelho de Lucas. Essa experiência foi importante para que eu entendesse melhor alguns conceitos básicos relacionados à fé. Também me chamou muita atenção ver que o texto deste evangelho é o trabalho de um historiador, reunindo testemunhas e relatos. Lucas estava ali estudando aquele ambiente e aquelas pessoas para formar o relato com mais fidelidade: interessante a preocupação do autor bíblico em trazer a verdade. Por mais que saibamos da inspiração divina do texto, ver esse detalhe explícito foi muito legal, porque não deixa de ser um trabalho de pesquisa, algo que passou a fazer parte da minha vida profissional, conforme segui nos anos seguintes para um mestrado e um doutorado. Foram quatro meses de estudos que continuam a influenciar minha caminhada cristã.



Essa busca por conhecer mais a Deus no ambiente universitário também influenciou minha motivação para os estudos acadêmicos: da busca por um diploma em engenharia ambiental e urbana apenas para conseguir uma melhor colocação no mercado de trabalho, passei a ver o que estudava e pesquisava como uma forma de cuidado com a criação. Entendendo melhor o reino de Deus e as mazelas que causamos ao poluir e devastar o meio ambiente, podemos pensar em formas de melhor cuidar dele e reduzir os impactos negativos.

Outro ponto importante da caminhada de fé foi meu batismo: ao mesmo tempo que aprendia com os irmãos na universidade, também fiz a classe da Escola Bíblica Dominical (EBD) para os que iriam, como costumamos dizer, “passar pelas águas”. Ali também tive meu discipulado com um dos pastores da igreja e aprendi ainda mais sobre as doutrinas que fundamentam a fé cristã. Terminando as aulas, o batismo foi marcado para setembro de 2015, no mesmo dia do aniversário da minha avó materna. Uma noite de celebração que contou com família e os sempre presente amigos da ABU. Fico feliz com cada uma dessas marcas e muitas outras que o ministério estudantil deixou em mim e continua a deixar a cada novo dia entre os irmãos e irmãs da comunidade acadêmica.
  • Rodrigo Almeria Ragio, mestre em ciência e tecnologia ambiental e doutorando em energia pela Universidade Federal do ABC. Natural de São Bernardo do Campo, SP. Membro da Igreja Batista Nacional da Paulicéia desde 2015. Participa da ABUB desde 2014, atuando hoje como assessor auxiliar.
Imagem: Unsplash.

REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOS
A mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao
perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da
edição 420. Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
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