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ONG apoia revalidação dos diplomas de refugiados sírios no Brasil

Toda manhã, o sírio Salim, de 32 anos, pega duas linhas de metrô e duas de trem antes de entrar no ônibus que o levará ao trabalho. O refugiado deixa sua casa em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo, em torno das 7 horas da manhã para garantir tempo suficiente para chegar ao destino.

Ele começa o seu dia junto com outros cinco funcionários verificando se as encomendas de remédios e suplementos estão seguras para serem entregues aos clientes. À tarde, Salim revisa o processo de documentação e ajuda a equipe no que for preciso.

Salim e sua esposa, Salsabil – ambos farmacêuticos que viviam em Damasco –, chegaram a São Paulo há três anos com sua filha mais velha, Jury, e obtiveram o visto humanitário concedido pelo governo brasileiro aos refugiados sírios que buscam proteção internacional.

Os procedimentos simplificados para emissão de vistos nos consulados brasileiros do Oriente Médio permitiram que a família viajasse em segurança para o maior país da América Latina, onde puderem requisitar o status de refugiados.

Além de abandonar casa, familiares e amigos, eles esperavam também deixar para trás suas carreiras. Isso porque seus diplomas precisariam ser traduzidos e revalidados para então poderem ser inscritos no Conselho Regional de Farmácia – um processo longo, complexo e caro.

Por conta das dificuldades, Salim começou a trabalhar em uma loja de acessórios para o celular no centro da cidade, enquanto Salsabil vendia comida síria tradicional nas ruas.

Entretanto, Salim não desistiu. Buscou informações em universidade públicas sobre a revalidação de diplomas. No entanto, em cada uma delas recebia informações diferentes sobre como proceder.

>> Organizações cristãs atuam em favor de refugiados <<

Incansável, ele pediu conselhos em uma rede social a um grupo de sírios que moram no Brasil. Um deles sugeriu que buscasse informações com a Compassiva, uma ONG parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) que tem projetos voltados para atender essa população.

O processo de revalidação pode ser longo e cansativo, mas o apoio dado pela Compassiva a Salim e Salsabil, inclusive com aulas de português para ajudá-los no aprendizado do idioma, deu esperanças ao casal.

“Não é apenas um pedaço de papel”, diz André Leitão, presidente executivo da Compassiva. “Revalidar o diploma é o primeiro passo para que essas pessoas possam recuperar a sua dignidade, sua identidade”.

A ONG já ajudou cerca de 60 refugiados a aplicar os formulários necessários, sendo que 20 já tiveram seus diplomas revalidados. Quando o programa começou, em 2016, 90% dos pedidos eram feitos por sírios, a maioria engenheiros, médicos e dentistas. Atualmente, os sírios compõem cerca de 50% dos refugiados atendidos, já que outras nacionalidades também começaram a requisitar o serviço financiado pelo ACNUR.

>> Lei que isenta refugiados de taxas para revalidar diplomas é aprovada em São Paulo <<

Algumas semanas após a entrada do pedido, a espera do casal terminou e seus diplomas foram revalidados. Na sequência, Salim e Salsabil estavam vendendo comida síria em um evento promovido pela Compassiva, quando um executivo da empresa Jadlog perguntou à ONG se conheciam algum farmacêutico. Para Salim, foi a sorte grande estar ali naquele dia, e seu atual chefe afirma que foi sua competência que garantiu o emprego.

“Ele estudou por cinco anos para ser farmacêutico e, devido ao que aconteceu em sua país, teve de vir ao Brasil”, diz Genivan Borges, dono da franquia da JadLog, onde Salim trabalha.

“Se você fechar as portas (aos refugiados) e disser não, você pode perder uma grande oportunidade. Para mim, essa oportunidade foi encontrar Salim. Ele é um profissional excelente.”

O trabalho de Salim é tão notório que a própria Jadlog está buscando outra vaga para ele, no período vespertino. A empresa também pretende oferecer um posto para Salsabil em uma farmacêutica.

Enquanto a filha do casal, de 6 anos, fica na escola, os outros dois filhos nascidos no Brasil – Walid, de 3 anos, e Yasmin, de oito meses – ficam em casa com a mãe. Ela pretende aceitar a oferta da JadLog para trabalhar fora quando todas as crianças estiverem na escola.

A família diz estar feliz por residir em um país que não só os acolheu, como também possibilitou que reconstruíssem suas vidas com dignidade. “Vários países têm paz. Eu poderia ter achado isso em outros lugares”, diz Salim. “Mas não encontrei apenas paz aqui no Brasil. Encontrei um futuro”.

Fonte: ONU Brasil

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