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Opinião

De Zaqueu a Paulo, de Agostinho a Lewis, como operou na história o poder transformador do evangelho?

Por Alderi Souza de Matos

Nada se compara a uma experiência genuína de conversão

Ao longo da vida, as pessoas muitas vezes passam por experiências profundamente impactantes e transformadoras, como casar-se com alguém especial, trazer filhos ao mundo, fazer uma viagem inesquecível, ter uma grande vitória na carreira ou estudos, sobreviver a um acidente ou grave enfermidade, e assim por diante. Esses eventos dão a quem os experimenta a sensação de que não são mais os mesmos, de que vivem num nível mais elevado do que antes. Todavia, nada disso se compara, em termos de transformação pessoal e existencial, a uma experiência genuína de conversão – no caso da fé cristã, o encontro vital com o Salvador, a reconciliação com Deus por meio de Cristo Jesus.

O Antigo Testamento tem grande número de ocorrências do verbo “converter(-se)”, geralmente em sentido genérico e coletivo. Na maior parte das vezes, a referência é aos israelitas que se encontravam afastados de Deus, rebelados contra a sua lei e os seus propósitos, e são exortados a arrepender-se e retornar para ele (Ne 1.8-9; Is 55.6-7; Jr 18.11; Jl 2.12). No Novo Testamento, embora a ocorrência do termo seja menos frequente, a ideia está muito presente e a ênfase recai sobre a dimensão individual dessa experiência. Também se insiste sobre o seu caráter radical – na conversão ocorre uma ruptura com a trajetória anterior, sendo abraçadas novas convicções, novos valores, novas afeições.

Já nos evangelhos encontramos os desafios de Jesus a uma mudança radical de vida, a um profundo compromisso com ele, com a sua mensagem, com o reino de Deus (Mt 16.24-26; 18.3; Mc 1.15; Lc 15.7). Se os sinóticos insistem no arrependimento (metanoia ou mudança de coração), no quarto evangelho se dá especial destaque à fé, à confiança em Cristo, no contexto da conversão (Jo 1.12; 3.16; 20.31). Também vemos exemplos de pessoas que deram esse passo, como Zaqueu (Lc 19.9), o oficial do rei (Jo 4.53), os samaritanos (Jo 5.39-42), o cego curado por Jesus (Jo 9.35-38). Em Atos dos Apóstolos e nas epístolas multiplicam-se os ensinos sobre a conversão e as narrativas acerca de pessoas e famílias que tiveram essa experiência. A radicalidade dessa transição é descrita em termos de uma nova criação (2 Co 5.17), da passagem das trevas para a luz (Cl 1.13; 1 Pe 2.9). Embora se mencione a conversão de judeus e prosélitos gentios, também há muitas referências a pessoas que não tinham nenhum conhecimento prévio do Deus verdadeiro, e agora se voltam a ele por meio de Cristo (At 11.21; 15.3; 16.30-31; 1 Ts 1.9).

Conversão a uma pessoa e não a um sistema religioso


O grande protótipo de conversão que encontramos nessa parte da Bíblia é a do apóstolo Paulo. Muitos estudiosos afirmam que sua experiência não foi de fato uma conversão. Ele não deixou o judaísmo para abraçar outra religião. Ao contrário, agora sentia-se um judeu ainda mais autêntico do que antes. Mas o fato é que Paulo passou, sim, por uma experiência de conversão, porém conversão a uma pessoa, não a um sistema religioso. Só um homem convertido poderia dar esse testemunho de fé: “O que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele” (Fp 3.7-9a).

Ao longo da história, vão surgindo grandes homens e mulheres atraídos pela força do evangelho e transformados pelo poder de Deus. Na igreja antiga, o exemplo mais notável é o do grande bispo e pensador norte-africano Agostinho de Hipona. Sua mãe era cristã e seu pai pagão. Por muitos anos ele experimentou diversas opções religiosas e filosóficas, até que se convenceu da verdade da fé cristã. Na famosa experiência do jardim, ao ouvir uma criança que cantava “toma e lê” ele abriu ao acaso um manuscrito da Bíblia e leu as palavras que o transformaram: “... não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm 13.13-14). Ao descrever o acontecimento em suas famosas Confissões, ele concluiu: “Não quis ler mais, nem era necessário, porque logo com o fim desta sentença fugiram de mim todas as trevas de dúvida”.

Ao longo dos séculos, os nomes de indivíduos convertidos a Cristo se multiplicam: Pedro Valdo, Martinho Lutero, Catarina de Bora, João Calvino, John Bunyan, John Wesley, George Whitefield, William Carey, Pandita Ramabai, Charles Spurgeon, Dwight Moody, C. S. Lewis, Joni Eareckson Tada e tantos outros, sem falar num incontável número de pessoas anônimas ou pouco conhecidas. Quer a conversão seja gradual, desde a tenra idade, quer resulte de uma experiência repentina e/ou dramática, ela testifica que “o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16) e que “justificados mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).

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Imagem:
Da esquerda para a direita: Apóstolo Paulo (Recorte da obra "São Paulo" de El Greco, pintor grego). Santo Agostinho (Detalhe de um vitral em St, Augustine, Flórida, EUA). C. S. Lewis.
Autor de A Caminhada Cristã na História, Alderi Souza de Matos é pastor presbiteriano e professor no Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, em São Paulo. É bacharel em teologia, filosofia e direito, mestre em Novo Testamento (S.T.M.) e doutor em História da Igreja (Th.D.). É também o historiador da Igreja Presbiteriana do Brasil e escreve a coluna “História” da revista Ultimato.
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