Opinião
06 de janeiro de 2026- Visualizações: 265
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Livramento e libertação de todo mal
Jesus ensinou a orar pedindo preventivamente por livramento do mal. Mas quê “mal” ele tinha em mente?
Por Christian Gillis
Ninguém quer ou deseja ser alcançado por qualquer tipo de mal, de dor ou de sofrimento. Todos desejam uma vida boa, segura, protegida e distante de tudo aquilo que é considerado ruim, destrutivo, prejudicial e mortal. Todos queremos viver bem e longe de toda forma mal.
Com certeza você já viu adesivos colocados em automóveis e residências declarando que todo mal está amarrado ou anúncios prometendo proteção contra maus-olhados e diversos outros males na área dos relacionamentos afetivos ou negócios. As correntes de oração por livramento de insucessos e busca de realização e satisfação são inúmeras.
Alguns até imaginam, fantasiosamente, que podem amarrar o mal por meio de decretos proferidos por palavras “proféticas” ou resguardar-se usando mandingas inventadas para servir de amuleto para afastar o que é ruim, perverso, danoso, maligno, maldoso, adverso, desfavorável para a vida pessoal, conjugal, familiar, negócios e nação. Até a Bíblia aberta num salmo empoeirado é usada para proteger a casa do mal e atrair agentes do bem.
De qualquer forma o mal é levado a sério, não como categoria filosófica, teológica ou moral, a ser considerada conceitual e academicamente, mas como realidade prática que afeta negativamente a existência e da qual deseja-se distância e livramento.
Jesus considerou o mal, a malignidade e o Maligno como realidades das quais era necessário precaver-se e proteger-se. Jesus percebeu e constatou a ação e as insinuações malignas do Adversário, o pai da mentira, e libertou as pessoas que sofriam os efeitos dolorosos da presença e proximidade dos espíritos malignos.

Jesus mesmo foi pessoalmente tentado a desviar-se da sua vocação e missão pelo mal personificado em Satanás. Ele enfrentou as forças de todo tipo de mal, inclusive o mal nas ações de líderes religiosos que usavam a própria Lei Mosaica para oprimir e explorar pessoas, e o mal estrutural nos sistemas sociais injustos da sua época. Jesus, por exemplo, elevou socialmente as mulheres no contexto da sociedade patriarcal, machista e misógina dos seus dias. Jesus também deu lugar e atenção a toda sorte de marginalizados, tratados como párias, e repudiado socialmente. Jesus tocou em leprosos para curá-los, colocou a mão em mortos e comeu com publicanos e pecadores, tudo considerado impureza na religião legalista dos judeus, sem se contaminar espiritualmente, redimensionando as concepções religiosas vigentes. Jesus rejeitou a perspectiva exclusivista dos judeus e afirmou a intenção de Deus de abençoar toda humanidade, sem distinções e privilégios étnicos ou raciais.
O mal não é apenas uma realidade moral subjetiva e psicológica. O mal se manifesta em estruturas sociais injustas, eivadas de racismos, machismos, sistemas de castas e classes, desigualdades econômicas e concentração de riqueza. Ele desafiou essas perspectivas e práticas e pregou o amor, a justiça e a misericórdia.
Jesus experimentou a força do mal social e político quando foi traído, abandonado pelos seus amigos, julgado de forma injusta, entregue para ser crucificado, sofrendo o máximo de dor física e emocional, experimentando o mal espiritual absoluto que é a sensação do afastamento do Pai Celestial.
Jesus ensinou a orar pedindo preventivamente por livramento do mal. Mas quê “mal” Jesus tinha em mente? Seria o infortúnio nos relacionamentos afetivos ou nos negócios?
Considerando a própria oração de Jesus, o mal é não conhecer a Deus como Pai, é não relacionar-se com o Pai Celestial pessoalmente, é não perceber a santidade, a exclusividade, a distinção e a prioridade que o Nome e Pessoa de Deus deve ter, no coração, perante e sobre toda criação; é viver aqui na terra querendo que no Céu seja feita a vontade egoísta do próprio ego; é experimentar a falta do pão e do que é básico para a sobrevivência; é andar sobrecarregado pela culpa, tentando por meio de ritos, observâncias religiosas e justiça própria obter o perdão; é carregar no coração rancor e deixar-se ser regido pela amargura, ira, e desejo de vingança contra aqueles que eventualmente nos feriram; é deixar-se ser levado pelos encantamentos, seduções e enganos que nos atravessam diariamente na forma de toda sorte de tentações; tudo isso é considerado mal na perspectiva da oração básica que Jesus ensinou seus discípulos/as a orarem regularmente.
O mal está misturado no interior da alma, nos fluxos de ideias e afetos que transitam nas dinâmicas da mente e do coração, nas escolhas e comportamentos das pessoas e dos coletivos quando se colocam em oposição aos propósitos de Deus. "Porque é de dentro, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, prostituições, furtos, homicídios, adultérios, avareza, malícia, engano, devassidão, inveja, blasfêmia, orgulho e insensatez". (Mc 7.21-22). O mal está aí, está por perto, está ao derredor, está nas estruturas políticas e econômicas quando construídas por pessoas que atuam em conjunto segundo maus propósitos. Há, portanto, o mal num plano pessoal e subjetivo, que se expressa no comportamento individual, mas o mal coletivo e estrutural que é expressão de construções coletivas de corações unidos em torno de interesses de classes em detrimento do bem coletivo.
Livra-nos do mal significa livrar-nos do autoengano, dos maus propósitos e compulsões que habitam a própria alma, de fazer o mal que não queremos, mas significa também o livramento da ação maligna destrutiva, que antagoniza e quer destruir toda vida, beleza e Graça que há na criação. Livrar-nos do mal significa livrar-nos dos males morais e espirituais, mas significa também livrar-nos e libertar-nos das desigualdades e injustiças sistêmicas que corações corruptos conceberam para, em detrimento de outros e da glória de Deus, favorecer a si mesmos e ao seu grupo ou classe.
Jesus, por sua vida-morte-ressurreição, venceu o pecado – e não há nada mais poderoso nos universos que a cruz de Jesus –, implodiu o mal e as obras de Satanás, a personificação do mal. Ao orarmos em união com Cristo, com fé conforme a oração que nos ensinou, nos conectamos com a fonte de poder espiritual que nos permite experimentar a força para resistir e vencer o mal e viver segundo os valores do Reinado de Deus. É Jesus que dá o Espírito Santo a todos os que pedem e creem em seu Nome, e o Espírito de Cristo nos dá um novo coração, de onde vem todas as coisas boas, e, então, aprendemos a renunciar os maus desígnios para amar e servir ao nosso próximo. Gente com coração transformado, empoderada pelo Espírito de Deus, começa a amar e transformar as relações e contexto no qual está inserida, inclusive promovendo a reforma das estruturas injustas, sejam as raciais, as de gênero ou as econômicas.
A libertação do mal é, portanto, um processo espiritual contínuo, no qual Jesus oferece proteção, orientação e renovação para todos os que confiam nele, e através de gente com coração renovado espalha sal, luz, amor e Graça pelo mundo.
Imagem: Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – LEMBREM-SE: ‘DEIXO COM VOCÊS A PAZ, A MINHA PAZ LHES DOU”
Durante a última ceia com os discípulos, Jesus se despede com palavras de paz: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não a dou como o mundo a dá. Não vos perturbeis, nem vos atemorizeis”.
Por meio dos artigos de capa desta edição, Ultimato quer ajudar o leitor a se lembrar dessa verdade. Para fazer frente aos dias difíceis em que vivemos.
É disso que trata a edição 417. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» O Mal e a Justiça de Deus – Mundo injusto, Deus justo?, N. T. Wright
» Discordâncias Religiosas – Como lidar com a pluralidade de crenças, Helen De Cruz
» Livra-nos do mal, edição 413 de Ultimato
Por Christian Gillis
Ninguém quer ou deseja ser alcançado por qualquer tipo de mal, de dor ou de sofrimento. Todos desejam uma vida boa, segura, protegida e distante de tudo aquilo que é considerado ruim, destrutivo, prejudicial e mortal. Todos queremos viver bem e longe de toda forma mal.Com certeza você já viu adesivos colocados em automóveis e residências declarando que todo mal está amarrado ou anúncios prometendo proteção contra maus-olhados e diversos outros males na área dos relacionamentos afetivos ou negócios. As correntes de oração por livramento de insucessos e busca de realização e satisfação são inúmeras.
Alguns até imaginam, fantasiosamente, que podem amarrar o mal por meio de decretos proferidos por palavras “proféticas” ou resguardar-se usando mandingas inventadas para servir de amuleto para afastar o que é ruim, perverso, danoso, maligno, maldoso, adverso, desfavorável para a vida pessoal, conjugal, familiar, negócios e nação. Até a Bíblia aberta num salmo empoeirado é usada para proteger a casa do mal e atrair agentes do bem.
De qualquer forma o mal é levado a sério, não como categoria filosófica, teológica ou moral, a ser considerada conceitual e academicamente, mas como realidade prática que afeta negativamente a existência e da qual deseja-se distância e livramento.
Jesus considerou o mal, a malignidade e o Maligno como realidades das quais era necessário precaver-se e proteger-se. Jesus percebeu e constatou a ação e as insinuações malignas do Adversário, o pai da mentira, e libertou as pessoas que sofriam os efeitos dolorosos da presença e proximidade dos espíritos malignos.

Jesus mesmo foi pessoalmente tentado a desviar-se da sua vocação e missão pelo mal personificado em Satanás. Ele enfrentou as forças de todo tipo de mal, inclusive o mal nas ações de líderes religiosos que usavam a própria Lei Mosaica para oprimir e explorar pessoas, e o mal estrutural nos sistemas sociais injustos da sua época. Jesus, por exemplo, elevou socialmente as mulheres no contexto da sociedade patriarcal, machista e misógina dos seus dias. Jesus também deu lugar e atenção a toda sorte de marginalizados, tratados como párias, e repudiado socialmente. Jesus tocou em leprosos para curá-los, colocou a mão em mortos e comeu com publicanos e pecadores, tudo considerado impureza na religião legalista dos judeus, sem se contaminar espiritualmente, redimensionando as concepções religiosas vigentes. Jesus rejeitou a perspectiva exclusivista dos judeus e afirmou a intenção de Deus de abençoar toda humanidade, sem distinções e privilégios étnicos ou raciais.
O mal não é apenas uma realidade moral subjetiva e psicológica. O mal se manifesta em estruturas sociais injustas, eivadas de racismos, machismos, sistemas de castas e classes, desigualdades econômicas e concentração de riqueza. Ele desafiou essas perspectivas e práticas e pregou o amor, a justiça e a misericórdia.
Jesus experimentou a força do mal social e político quando foi traído, abandonado pelos seus amigos, julgado de forma injusta, entregue para ser crucificado, sofrendo o máximo de dor física e emocional, experimentando o mal espiritual absoluto que é a sensação do afastamento do Pai Celestial.
Jesus ensinou a orar pedindo preventivamente por livramento do mal. Mas quê “mal” Jesus tinha em mente? Seria o infortúnio nos relacionamentos afetivos ou nos negócios?
Considerando a própria oração de Jesus, o mal é não conhecer a Deus como Pai, é não relacionar-se com o Pai Celestial pessoalmente, é não perceber a santidade, a exclusividade, a distinção e a prioridade que o Nome e Pessoa de Deus deve ter, no coração, perante e sobre toda criação; é viver aqui na terra querendo que no Céu seja feita a vontade egoísta do próprio ego; é experimentar a falta do pão e do que é básico para a sobrevivência; é andar sobrecarregado pela culpa, tentando por meio de ritos, observâncias religiosas e justiça própria obter o perdão; é carregar no coração rancor e deixar-se ser regido pela amargura, ira, e desejo de vingança contra aqueles que eventualmente nos feriram; é deixar-se ser levado pelos encantamentos, seduções e enganos que nos atravessam diariamente na forma de toda sorte de tentações; tudo isso é considerado mal na perspectiva da oração básica que Jesus ensinou seus discípulos/as a orarem regularmente.
O mal está misturado no interior da alma, nos fluxos de ideias e afetos que transitam nas dinâmicas da mente e do coração, nas escolhas e comportamentos das pessoas e dos coletivos quando se colocam em oposição aos propósitos de Deus. "Porque é de dentro, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, prostituições, furtos, homicídios, adultérios, avareza, malícia, engano, devassidão, inveja, blasfêmia, orgulho e insensatez". (Mc 7.21-22). O mal está aí, está por perto, está ao derredor, está nas estruturas políticas e econômicas quando construídas por pessoas que atuam em conjunto segundo maus propósitos. Há, portanto, o mal num plano pessoal e subjetivo, que se expressa no comportamento individual, mas o mal coletivo e estrutural que é expressão de construções coletivas de corações unidos em torno de interesses de classes em detrimento do bem coletivo.
Livra-nos do mal significa livrar-nos do autoengano, dos maus propósitos e compulsões que habitam a própria alma, de fazer o mal que não queremos, mas significa também o livramento da ação maligna destrutiva, que antagoniza e quer destruir toda vida, beleza e Graça que há na criação. Livrar-nos do mal significa livrar-nos dos males morais e espirituais, mas significa também livrar-nos e libertar-nos das desigualdades e injustiças sistêmicas que corações corruptos conceberam para, em detrimento de outros e da glória de Deus, favorecer a si mesmos e ao seu grupo ou classe.
Jesus, por sua vida-morte-ressurreição, venceu o pecado – e não há nada mais poderoso nos universos que a cruz de Jesus –, implodiu o mal e as obras de Satanás, a personificação do mal. Ao orarmos em união com Cristo, com fé conforme a oração que nos ensinou, nos conectamos com a fonte de poder espiritual que nos permite experimentar a força para resistir e vencer o mal e viver segundo os valores do Reinado de Deus. É Jesus que dá o Espírito Santo a todos os que pedem e creem em seu Nome, e o Espírito de Cristo nos dá um novo coração, de onde vem todas as coisas boas, e, então, aprendemos a renunciar os maus desígnios para amar e servir ao nosso próximo. Gente com coração transformado, empoderada pelo Espírito de Deus, começa a amar e transformar as relações e contexto no qual está inserida, inclusive promovendo a reforma das estruturas injustas, sejam as raciais, as de gênero ou as econômicas.
A libertação do mal é, portanto, um processo espiritual contínuo, no qual Jesus oferece proteção, orientação e renovação para todos os que confiam nele, e através de gente com coração renovado espalha sal, luz, amor e Graça pelo mundo.
- Christian Gillis, pastor na Igreja Batista da Redenção em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Imagem: Unsplash.
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Por meio dos artigos de capa desta edição, Ultimato quer ajudar o leitor a se lembrar dessa verdade. Para fazer frente aos dias difíceis em que vivemos.
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