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Por Escrito

Um pedido de namoro que ilumina*

Por Paulo F. Ribeiro
 
Há 45 anos eu tive a minha primeira conversa com o pastor Francisco Leonardo Schalkwijk em circunstâncias comuns. Fui à sua casa pedir permissão para namorar com sua filha mais velha, Adriana. Mas o que parecia corriqueiro se transformou num evento todo especial, que marca a minha vida até hoje. Após mostrar genuíno interesse em saber o que eu fazia e a minha relação com Deus, ele deu-me permissão e disse-me: “meu filho, venho de uma cultura que parte da confiança até que alguém prove o contrário”, e daí sugeriu algo que eu não esperava: “vamos colocar o seu relacionamento com a minha primogênita no trono do Senhor”, e acrescentou: “vamos fazer isso de joelhos”.
 
Quando olho para esses 45 anos, e 42 de união de bênçãos e alegrias com a minha esposa, fico sem palavras e apenas lágrimas profusas de agradecimento cobrem a minha face. Aquele encontro e oração de joelhos foi um momento com raízes na eternidade. 
 
Quando olho para a vida e testemunho do pastor Francisco neste mesmo período, observo uma profunda consistência, estabilidade e integralidade de fé, ação e vida cristã. 
 
Meses após o pedido de namoro, quando estava concluindo o curso de engenharia elétrica na Universidade Federal de Pernambuco, tive outra lição que permeou a minha carreira profissional até hoje. Precisava decidir qual das cinco opções de trabalho e pós-graduação deveria aceitar (os tempos eram outros, vivíamos o milagre brasileiro). O Assessor da ABU e depois professor e bispo anglicano Dom Robinson Cavalcanti ajudou-me muito a ver que eu poderia ser um missionário de tempo integral como engenheiro. Mas, na prática, não é algo simples, e é difícil de implementar. 
 
Quando expus ao pastor Francisco o meu problema de decidir entre as opções, ele disse-me: “Vamos pensar”. Pegou um papel e colocou na vertical as cinco opções e na horizontal quatro critérios: salário, estabilidade, serviço e orgulho (com referencias bíblicas para cada critério), e encorajou-me a preencher com valores de 1 a 10. Mas com uma observação: as opções com maior salário, maior estabilidade e a que mais me orgulharia teriam os menores pesos, e o que pudesse servir mais com os meus dons, maior peso. Achei que ele tinha se enganado, especialmente com o salário. Mas ele retrucou e disse: “não, meu filho, no Reino de Deus o valor do salário é irrelevante. O impacto mais importante da perspectiva cristã quanto a encontrar trabalho/vocação é que a prioridade passa da ênfase na recompensa para o ideal de servir. Agora, pense e ore sobre como completar essa tabela e o Senhor irá te orientar”.
E, me deu o Salmo 25.12: “Qual é o homem que teme ao Senhor? Ele o ensinará no caminho que deve escolher”.

A tabela era algo como esta abaixo:
 
Opções Critérios
>>
Salário
1 Tim. 6:9
Estabilidade
1 Tim. 6:8
Serviço
Efe. 6:7
Orgulho
Jo. 12:43
Total 
 1            
 2            
 3            

A decisão final deixou minha família e amigos intrigados, pois não entenderam o porquê não escolhi a empresa com o maior salário. Como a decisão foi algo muito pessoal, inicialmente preferi não justificar e apenas dizer que achei melhor a opção feita.
 
Pois bem, quarenta e quatro anos após a decisão, só posso dizer que o Senhor foi e continua fiel, pois nunca esperava ter a carreira profissional e o chamado que o Senhor me deu, e me levar a estudar e trabalhar em vários países por mais de 30 anos, dos quais mais de 15 anos ensinando engenharia elétrica em universidades protestantes reformadas nos Estados Unidos. 
 
Nunca irei esquecer a mensagem que pastor Francisco pregou no nosso casamento — sobre a fidelidade do Senhor para conosco – e nossa de um para com o outro e para com o Senhor. A figura do pássaro João de Barro (pássaro fiel à única companheira) nunca saiu da minha mente. Durante estes 45 anos, foram muitas conversas e conselhos que pastor Francisco nos deu, sempre pautados em princípios bíblicos e ações praticas, e que nos ajudaram a tomar as muitas decisões com relação a como lidar com problemas familiares, e pra quem foi chamado para uma espécie de exílio tecnológico/missionário itinerante. A tabela inicial para decisões foi sempre usada — como bússola da vontade de Deus — e foi fundamental nas nossas decisões como família. 
 
Do ponto de vista do trabalho do Reverendo Francisco como pastor, fomos ovelhas privilegiadas; do ponto de vista de professor de teologia, historiador e pesquisador, posso apenas dizer que o livro sobre a Igreja Reformada e Governo no Brasil Holandês abriu minha mente de forma extraordinária para os pioneiros da fé reformada no Brasil, até então desconhecidos. Pedro Poti, possivelmente nosso primeiro mártir, se tornou meu verdadeiro herói nordestino: não "um Cabra da Peste", mas um “Cabra de Fé”. 
 
A leitura da seguinte passagem, do livro do pastor Francisco, nunca falha em me comover profundamente: 
 
"O domínio dos holandeses estava terminando. Na segunda batalha dos Guararapes, no dia 19 de fevereiro de 1649, o regedor Pedro Poti foi preso, não podendo esperar nenhuma compaixão dos seus juízes, como Calabar, que havia optado definitivamente pelo lado flamengo. Seu sofrimento deve ter sido terrível. Conforme testemunho de Antônio Paraupaba, ele foi lançado num poço, na fortaleza de Santo Agostinho, onde permaneceu durante cerca de seis meses. Quando era retirado, de vez em quando, padres e monges juntamente com seus parentes saltavam sobre ele, tentando forçá-lo a abjurar a religião reformada. Mas o Deus e Pai de toda misericórdia em vida e morte, que o havia trazido da escuridão para a luz, fortaleceu aquele ‘junco frágil’, como disse Paraupaba, transformando-o num pilar da fé, como todos os que estavam presos com ele naquele tempo no Cabo Santo Agostinho podiam testemunhar..., pois refletia palavras do primeiro capítulo do Catecismo de Heidelberg, decorado pelos cristãos reformados, versando sobre a consolação em vida e morte.” 
 
Sete anos atrás, minha esposa e eu morávamos na Holanda, onde ensinava engenharia elétrica na Universidade de Eindhoven (após 23 anos nos Estados Unidos), e sempre pensava em retornar ao Brasil para ensinar em Universidade Federal, pois foi de lá que obtive meu primeiro titulo em engenharia elétrica. Quando surgiu uma oportunidade conversei com minha esposa, que ficou muito relutante, pois deixaria os pais, com mais de oitenta anos naquela época, sozinhos na Holanda. Mas para nossa surpresa, foi pastor Francisco e dona Margarida que foram os grandes encorajadores do nosso retorno ao Brasil. Ele disse: “Paulo, você aprendeu muito esses anos – talvez possa compartilhar um pouco do que aprendeu, pois as necessidades do Brasil são bem maiores que as da Holanda, e Adriana poderá exercitar a medicina – seu grande amor e chamada profissional”. Três meses após nossa chegada no Brasil, Adriana começou a trabalhar no Programa Mais Médicos, no qual serviu por seis anos numa comunidade carente no sul de Minas, onde leciono em universidade federal. A tabela funcionou mais uma vez, pois nossa condição financeira na Holanda em termos de salários e estabilidade eram muito boas, mas mudar de um país para outro quando já estamos chegando aos sessenta anos não era trivial.  Mas o Senhor foi fiel conosco, e a visão e fé desses servos de Deus nos deu a confiança para ir em frente.
 
No momento, estou na Holanda, com minha esposa, passando um mês com pastor Francisco e dona Margarida, e desfrutando da companhia desses servos do Senhor, que continuam a ser uma benção para muitos, e celebrando os 65 anos de casados – um exemplo de vida fundamentado na obediência à vontade do Deus que eles servem com todo o coração, mente, alma e força. 
 
E, a rotina que observava há 45 anos continua acontecendo inalterada: meditação na Palavra cedo pela manhã, meditação e recitação de versículos durante as refeições, e oração pela família à noite, sem esquecer-se de Salmos 4.8: “Em paz me deito e logo pego no sono, pois só Tu, Senhor, me fazes repousar seguro”, continuam hábitos inabaláveis. 
Que privilegio Deus tem dado à minha esposa e a mim, de termos pais como servos do Senhor que honram Seu Nome e vivem de acordo com Sua Palavra.
 
C. S. Lewis disse do seu amigo Charles Williams: “Nenhum evento corroborou tanto para minha fé na vida eterna como simplesmente Williams fez ao morrer”.  E eu diria que poucas coisas têm corroborado tanto para fortalecer minha fé no Senhor Jesus como o privilegio de ver de perto a vida e o testemunho do pastor Francisco. 
 
Fica também marcada na minha mente a dedicação e o profundo amor do pastor Francisco pelo povo e a igreja do Brasil, a qual ele serviu por quase 40 anos “in locu” e ainda serve fielmente através de seu trabalho como instrutor através da internet na FITRef (Faculdade Internacional de Teologia Reformada).  
 
O amor do pastor Francisco pelo Brasil é grande e genuíno. Um dia ele me disse que sempre pensava que iria aguardar o dia da ressurreição em terras brasileiras. “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22:20).

Trecho retirado de Doutrina Segundo a Piedade - em homenagem a Frans Leonard Schalkwijk, publicado pela Editora Monergismo.


>> Conheça o livro Confissão de um Peregrino, de Francisco Leonardo Schalkwijk
Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, foi Professor em Universidades nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Holanda, e Pesquisador em Centros de Pesquisa (EPRI, NASA). Atualmente é Professor Titular Livre na Universidade Federal de Itajubá, MG. É originário do Vale do Pajeú e torcedor do Santa Cruz.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao

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