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Opinião

Política, religião e vocação: qual a motivação dos candidatos?

Por Paulo Ribeiro
 
As eleições estão bem próximas e milhares de candidatos prometem fazer tudo de bom para a sociedade. Mas qual seria a principal motivação destes possíveis políticos? Como podemos acreditar que não farão o mesmo que a maioria dos seus antecessores?
 
Certa ocasião estava fazendo uma apresentação numa conferência no Canadá quando disse que, muitas vezes, nós engenheiros nos portamos como prostitutas. Fui imediatamente contestado e tive que retrucar. Tentei explicar que, na maioria dos casos, quando estamos envolvidos em projetos, nos concentramos apenas no que é puramente técnico e não questionamos sobre a sua razão, nem a sua natureza. Trabalhamos apenas pela recompensa financeira.
 
Mas para o engenheiro ou político pode ser ainda pior. Uma pessoa que vende o corpo faz seu trabalho para sobreviver, alimentar a si mesma ou aos filhos. O político ou engenheiro pode fazer o seu trabalho não apenas por dinheiro mas por prestígio e, finalmente, poder.   
 
Vivemos num mundo de distorções. Tenho visto, ano após ano, estudantes buscarem seus cursos baseados em promessas financeiras ou imposição da família, não no que eles realmente gostariam de fazer. Cursos que odeiam, ou no melhor dos casos, os deixam miseráveis, desapontados e finalmente deprimidos.
 
Quantos de nós gostaríamos de fazer para viver algo que faríamos mesmo que fossemos ricos? Ou faríamos mesmo sem receber nada? E, se somos pagos, deveríamos dar mais do que somos pagos para fazer.
 
E nossos candidatos, quais suas motivações? Saberemos depois das eleições. Outro dia estava lendo a lista de candidatos de uma cidade do interior de Pernambuco, na qual uma percentagem fora do comum de candidatos a vereador começava com o nome “irmão” ou “irmã”. Fiquei abismado e questionando qual seria a motivação desses aspirantes? Que qualificações teriam? 
 
Para os candidatos a políticos (religiosos ou não), lembro-me da palavra do Senhor Jesus em Mateus 21.31: “Digo-lhes a verdade: os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus”, ao qual um velho professor inglês diria: “É por isso que um puritano frio e hipócrita que vai regularmente à igreja pode estar muito mais perto do inferno”.
 
Uma reclamação frequente é que a vocação política foi degradada pela predominância de funcionários contratados. Eu não discordo. Qualquer campanha que buscasse injetar mais o aspecto vocacional na conversa estéril do discurso político (dominado por advogados e economistas) seria rapidamente banida. Mas eu sugeriria que a responsabilidade de romper este ciclo sufocante de cinismo e desconfiança mútua não cabe aos políticos, mas a nós os eleitores.
 
E não devemos esquecer que aceitamos a democracia não porque o ser humano é sábio o  bastante e que qualquer um merece ser eleito para uma posição no governo, mas porque somos  tão corruptos que não podemos confiar em ninguém com poder irrestrito sobre os demais.
 
Finalmente, devemos lembrar que aqueles que só desejam o poder não têm ideologias. A busca pelo poder não tem partido, apenas fazem uso deles. Nosso voto deve favorecer aqueles que buscam justiça social e direitos humanos e não ideologias pintadas com cores religiosas ou reduzidas a questões específicas.

Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, foi Professor em Universidades nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Holanda, e Pesquisador em Centros de Pesquisa (EPRI, NASA). Atualmente é Professor Titular Livre na Universidade Federal de Itajubá, MG. É originário do Vale do Pajeú e torcedor do Santa Cruz.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao

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