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Opinião

Lutero e a Bíblia dos analfabetos

No último dia 31 de outubro, celebramos o aniversário de 499 anos da Reforma Protestante. Por ocasião desta celebração, participei de um encontro e promovi outro. Participei de uma conferência teológica de dois dias sobre Martinho Lutero. Nessa conferência falou o Dr. Ricardo Willy Rieth, presidente da Comissão Editorial das Obras Selecionadas de Martinho Lutero em língua portuguesa. No primeiro dia, Ricardo destacou o centro do pensamento de Lutero, sintetizado na seguinte declaração: “Deus faz tudo, por sua palavra, em um processo, para nossa salvação”. No segundo dia, boa parte da sua fala foi dedicada a Lucas Cranach, o velho, pintor alemão que, de certa forma, deu rosto a Lutero. Cranach retratou o reformador em diversos momentos da sua vida, bem como seus familiares e amigos. Suas obras podem ser vistas no acervo virtual que se encontra em lucascranach.org.

Em um dado momento, Ricardo fez uma declaração que chamou minha atenção de maneira especial: “Nos dias da Reforma Protestante, a arte era a Bíblia dos analfabetos”. Ou seja, como a maioria da população alemã não era capaz de ler, a mensagem da Escritura era comunicada através de pinturas. Fiquei tão impressionado com essa declaração que decidi promover um encontro com a juventude da igreja que pastoreio para que, juntos, apreciássemos a seguinte obra de Cranach.

Esta obra se encontra no altar central da Igreja de São Pedro e Paulo em Weimar, Alemanha. Ela foi iniciada por Lucas Cranach, o velho, e terminada por Lucas Cranach, o jovem, seu filho. No centro está Jesus crucificado. A cruz é de madeira rústica. No topo, há a inscrição “INRI”, que significa “Jesus Nazareno, rei dos judeus”. No lado esquerdo baixo está Jesus ressuscitado. Atrás dele, o túmulo está vazio. Sob seus pés estão dois grandes inimigos: a morte e o Diabo. Este último é atravessado por uma bandeira quase invisível que simboliza a vitória de Cristo. Outro símbolo dessa vitória é o manto vermelho que envolve o Jesus ressuscitado.

No lado direito baixo estão três pessoas. João Batista, Lucas Cranach – o velho – e Martinho Lutero. Lutero está vestido de preto. Com a mão esquerda ele segura uma Bíblia e com a direita ele indica um texto bíblico. Seu olhar, porém, está na pessoa de Jesus. Cranach tem barbas brancas e longas. Seu olhar também está na pessoa de Jesus e suas mãos estão unidas, numa atitude de piedade pessoal. Sobre sua cabeça está o sangue que jorra diretamente do lado direito do Jesus crucificado, simbolizando a purificação dos seus pecados. O Batista está vestido com peles e também está envolto em um manto vermelho. Com a mão direita ele aponta para o Jesus crucificado e com a esquerda para um cordeiro que está aos pés da cruz.

À semelhança do Jesus ressuscitado, esse cordeiro também segura uma bandeira quase invisível com os dizeres “Ecce Agnus Dei qui tollit peccata mundi”, que significam “Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”. Crucificado, Jesus tem a cabeça tombada e os olhos quase fechados. Um pano branco envolve a sua cintura. Seu movimento manifesta a presença do Espírito Santo que será derramado sobre a Igreja.

No centro, atrás da cruz, do lado direito, está Moisés, apontando para a lei. Também no centro, atrás da cruz, do lado esquerdo, está um homem que, por não conseguir a justificação pela obediência à lei de Moisés, é perseguido pela morte e pelo Diabo até condenação, simbolizada pelo fogo que sai detrás do túmulo outrora ocupado por Jesus. No lado direito alto, sobre a cabeça de Lutero, de Cranach e de João Batista, está o povo de Israel que, tendo deixado o Egito, encontra-se acampado no deserto. No meio desse acampamento há uma serpente de bronze sobre uma cruz. Apontando para essa serpente, Moisés reaparece, usando as mesmas roupas de outrora. Ele indica ao povo o único caminho possível para a salvação: a serpente pendurada na cruz, um tipo de Cristo que também seria pendurado na cruz. O mesmo Cristo cujo nascimento, no lado direito mais alto, um anjo anuncia aos pastores de ovelhas no campo. Somente nele está a salvação da humanidade. Por fim, na cruz, sob os seus pés, estão o ano da obra, 1555, e a assinatura de Cranach, o velho, um dragão com asas de morcego, carregando um pingente de rubi em sua boca.

Nessa obra do século XVI, contemplamos o que é central nas Escrituras. Podemos dizer que Evangelho está exposto diante dos nossos olhos, assim como Paulo disse aos irmãos da Galácia: “Não foi diante dos seus olhos que Jesus Cristo foi exposto como crucificado?” (Gl 3.1). Que o Deus Trino, Senhor da história, levante outros “Lucas Cranachs” hoje, gente capaz comunicar a mensagem bíblica por meio das mais variadas manifestações artísticas!

Luiz Felipe Xavier é discípulo de Jesus, casado com a Thaís, pai da Anne, pastor na Igreja Batista da Redenção (Redê), professor na Faculdade Batista de Minas Gerais e no Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. Twitter: @LuizFelipeXIII

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