Opinião
22 de fevereiro de 2016- Visualizações: 4194
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Deus é louco
“Deus escolheu o que para o mundo é loucura para envergonhar os sábios, e escolheu o que para o mundo é fraqueza para envergonhar o que é forte. Ele escolheu o que para o mundo é insignificante, desprezado e o que nada é, para reduzir a nada o que é, a fim de que ninguém se vanglorie diante dele” (1 Coríntios 1.27-29) Deus é louco. Dentre todas as linhas narrativas possíveis para a história que está compondo, ele se decidiu pela mais inconsistente e improvável. Logo de início, lançou-se em um projeto louco, compondo cada estrutura, fibra e coluna do mundo com a própria palavra, culminando num ser à sua imagem e semelhança – sim! O Criador inspirou-se em si mesmo para tecer a mais gloriosa de suas criaturas. Após se ver traído por tal espécime, sofrendo a mais desprezível das ofensas, trazendo o caos a toda criação meticulosamente planejada, permitiu-a ainda que vivesse – louco! Como se não bastasse, lançou-se em mais um louco empreendimento: o resgate dos vilões.
O Criador ainda se aprofundou em sua loucura ao escolher um casal idoso e estéril como pais de um povo que seria chamado de seu. Através de uma linhagem de idólatras, adúlteros, enganadores e assassinos, construiu sua multidão, seu povo, a menina de seus olhos. Não se tratava do povo mais numeroso, justo, bondoso ou organizado – era, inclusive, murmurador, arrogante, utilitarista e infiel – mas ele deu sua palavra de que zelaria por eles. Quando se recusaram a serem governados pelo próprio Deus, deu-lhes um rei. Quando este rei se tornou orgulhoso, deu-lhes um outro: um menino rejeitado pela própria família, um adúltero e assassino – este era o seu amado.
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