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Opinião

Convite à mansidão

Cabe a nós escolher de que maneira queremos continuar ligados às pessoas: pelo rancor ou pelo perdão?

Por Isabelle Ludovico da Silva

“O sábio é cauteloso e desvia-se do mal, mas o insensato encoleriza-se e dá-se por seguro. “ (Pv 14.16)

Uma emoção legítima quando alguém nos machuca é a raiva. Sentir raiva não é pecado: “Irai-vos e não pequeis” (Ef 4.26). Pecado é nos vingar. Achar que a vingança nos protege é insensato, pois responder ao mal com o mal só alimenta o ciclo do mal e gera mais agressão.

A raiva é uma etapa saudável para chegar a uma aceitação que não seja resignação. Muitas depressões têm origem em raivas ou culpas engolidas e voltadas contra a própria pessoa. Jesus também irou-se, mas respondeu com o perdão. Há um caminho de cura que passa pelo reconhecimento da amplitude do mal e o perdão fundamentado na atitude de Jesus na cruz. Vencer o mal com o bem é resistir ao mal, recusar-se a deixar que ele tome conta do nosso coração, deforme nossa autoimagem e nos leve a desistir de amar e deixar-se amar. Deus nos capacita a digerir os pensamentos e as emoções que nos assaltam, depositando todas essas feridas aos pés da cruz. A vitória que ele já conquistou é nossa também se escolhemos o bálsamo do seu amor.

É importante reconhecer no nosso íntimo a tentação de deixar-nos abater pelo mal e até nos deformar por ele, tornando-nos pessoas rancorosas. Somos tentados a desconfiar do amor de Deus por ter permitido esse sofrimento. Mas quando consideramos que até Cristo foi alvo da maldade humana e não cedeu ao ódio, mas pelo contrário reafirmou o seu amor incondicional, somos encorajados a seguir suas pegadas porque encontramos nele a fonte inesgotável de amor. Assim, levantamos a cabeça e nos dispomos a encarar a vida com sua porção de sofrimento, mas também de alegria e presentes a serem desfrutados.

Não devemos lidar com o perdão superficialmente. Ele é livre e gratuito para os que aceitam o sacrifício de Jesus, mas não é barato: custou ao Senhor a vida do seu único Filho. Cabe a nós escolher de que maneira queremos continuar ligados às pessoas: pelo rancor ou pelo perdão?

Pai, obrigada pelo teu perdão, que me capacita a não deixar que o mal mobilize o que há de pior em mim, mas, pelo contrário, a escolher perdoar.

Artigo publicado originalmente no devocionário Refeições Diárias Celebrando a Reconciliação (Ultimato).

Imagem:
Unsplash.

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aqui.
Saiba mais:
» Refeições Diárias Celebrando a Reconciliação, Vários autores
» A Vida Em Cristo, John Stott
» Culpa e Graça, Paul Tournier
» O perdão anuncia coisas estupendas, blog Ultimato
» O custo do perdão, por Robert L. Koo
Francesa de nascimento e brasileira de coração, é psicóloga e terapeuta sistêmica. Aprendeu com a filha a separar o lixo e com o filho um estilo de vida mais simples.
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