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Opinião

C. S. Lewis em de tempo eleição: “O que é justo” versus “o que funciona”

Por Paulo F. Ribeiro

Quais seriam, na prática, as questões que deveríamos demandar dos nossos políticos?

A recomendação geral seria: não se preocupe tanto com “política” – esse amontoado de compromissos e interesses próprios que constituem grande parte da nossa dieta política. Se você espera encontrar uma receita para resolver o problema da poluição do ar ou conselhos sobre como vencer uma eleição, não se preocupe em ler pessoas sábias como o CS Lewis. Ele não tem nada para lhe dizer.

A preocupação de Lewis não era com “política”, mas com princípios. Os problemas políticos do dia eram interessantes apenas na medida em que envolviam questões permanentes. Ao evitar a luta partidária de seu tempo, Lewis foi capaz de articular padrões políticos duradouros para todos os tempos, e aconselhou:

“Uma sociedade doente deve pensar tanto em política, quanto uma pessoa doente deve pensar sobre sua digestão; ignorar o assunto pode ser uma covardia fatal tanto para um como para o outro. Mas se vierem a considerar estes pensamentos como o alimento da mente – e se esquecerem que pensamos em tais coisas apenas para podermos pensar em outras coisas – então o que foi feito em prol da saúde torna-se uma nova forma de doença mortal”.

Finalmente devemos também ter cuidado com a propaganda eleitoral que polui os meios de comunicação no momento. No livro “O Regresso do Peregrino” (Lançamento de novembro da Editora Ultimato) o seguinte dialogo revela um erro comum nestes tempos de eleição:

“Deve haver algo de bom nessa revolução [e proposta do Partido X]”, disse Vertue. "É muito sólido – parece duradouro”. O Guia riu. "Você está caindo em seu próprio erro", disse ele. "A mudança não é radical nem será permanente. Essa ideia depende de uma doença curiosa que todos pegaram – a incapacidade de desacreditar em propaganda comercial [eleitoral]”.

Não deixe a política consumir você.

O que é mais importante: “o que é justo?” ou “o que funciona?”

Se C.S. Lewis não gostava de política, isto não significa que nunca dissesse nada de importante sobre política. Na realidade ele escreveu muito sobre o assunto nos seus ensaios: crime, obscenidade, pena de morte, comunismo, conscrição, fascismo, socialismo, guerra, vivissecção, estado de bem-estar social, armamento atômico, entre outros.

Mas quando falou sobre esses tópicos o fez de maneira diferente da maioria dos políticos – enfatizou o permanente para sustentação da vida e o valor do eterno.

O fascismo, por exemplo foi uma das manifestações mais óbvias da tirania sobre a qual o Lewis escreveu, mas não era o único tipo de tirania que o preocupava. Em particular, Lewis estava preocupado com a tirania que poderia resultar da união entre a Ciência e o Estado.

A ciência moderna tem como premissa a noção de que todas as coisas são determinadas por causas materiais. Tal determinismo destrói e enfraquece a validade do raciocínio humano e a possibilidade da virtude, porque nega a livre escolha da qual depende toda a virtude.

Se a ciência moderna está certa e a conduta humana é função de causas não-racionais, então a natureza da política muda fundamentalmente. Sob a velha ordem, a política envolvia uma reflexão séria sobre a justiça e o bem comum.

Mas quanto mais o homem pensa que ele é determinado por causas não-racionais, a reflexão séria se torna menos importante. Sob esta perspectiva, tudo o que importa é o resultado final – a heresia moral do utilitarismo prevalece. A única deliberação é entre os burocratas, e a única questão não é “o que é justo? ”, mas “o que funciona? ”.

Além disso, com a nova ordem se dispensa a noção de homem como agente moral, “o que funciona” é o que tem valor. Enquanto o homem era considerado responsável por suas ações, havia certos limites além dos quais o Estado não poderia interferir. As leis promulgadas sob o antigo sistema prometiam punição, mas não podiam obrigar a obediência. Isso ocorre porque a própria ideia de punição pressupõe a livre escolha: só se pode punir depois de alguém ter feito algo merecedor de punição. Se uma pessoa está disposta a enfrentar as consequências de suas ações, ele ainda pode violar a lei. Sua capacidade de escolher é deixada intacta.

Neste admirável mundo novo, a relação entre cidadão e Estado começa a assemelhar-se à relação entre senhor e escravo disposto a servir o Estado de Bem-Estar Social.

Não se deixe enganar pela heresia moral do utilitarismo e do pragmatismo que predomina no nosso contexto político.

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Doutor em engenharia elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, é pesquisador e professor na Universidade Federal de Itajubá, MG. É originário do Vale do Pajeú e é torcedor do Santa Cruz.
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