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Opinião

Abrir uma igreja é um bom negócio?

Por Robson Ramos

Abrir uma igreja é um bom negócio. Essa é a percepção na cabeça na maior parte das pessoas mais observadoras. Ouvimos essa expressão tão rotineiramente que deixamos de avaliar, de fato, o porquê desse quadro. Certa vez, ouvi de uma pessoa que cresceu na igreja e que não faz mais parte de igreja alguma: “os evangélicos deveriam ser como os espíritas, que não fazem nada por dinheiro.”

Isso é particularmente alarmante, além de paradoxal, considerando que no mesmo ano em que se comemoraram os 500 anos da Reforma Protestante também vieram à tona no Brasil casos de igrejas evangélicas que passaram a ser investigadas por envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro.

>>> Onde há corrupção, há corrompidos e corruptores <<<

Em 2017, por exemplo, um grupo de pastores e empresários de alguns estados do Sul do país promoveu um esquema de arrecadação de dinheiro entre os membros de suas igrejas, com base na promessa de uma suposta verba que uma entidade estatal brasileira, distribuiria a um grupo de pastores de uma determinada denominação. Estes fariam uma distribuição generosa dessa verba milionária, àqueles que depositassem uma quantia em dinheiro, em uma determinada conta bancária, que obviamente era administrada pelos líderes do golpe. Lamentavelmente, muitos caíram na jogada e estão até hoje amargando o fruto de sua ingenuidade e ganância. Alguns deles estão culpando a Deus, de quem esperam um ressarcimento do dinheiro investido.

O grupo envolvido está sendo investigado na esfera criminal. Esse caso foi tornado público pela mídia com audiência nacional. Importante ressaltar que um delito é passível de uma responsabilização administrativa ou penal, seja envolvendo um valor pequeno ou grande. Não importa se se trata de uma conduta reprovável por falta de transparência ou mal uso de recursos doados por fiéis, em uma igreja pequena ou em uma denominação com centenas de templos espalhados pelo país e em outros países.

À luz desse fenômeno, a igreja como sinônimo de um bom negócio, esta reflexão tem por objetivo abordar o tema “Compliance”. A escolha do tema deve-se à observação de que dia após dia sucedem-se as situações que demonstram claramente que os ambientes e estruturas eclesiásticas facilitam a ocorrência de condutas delituosas, causando danos a pessoas incautas e também contra a Administração Pública.

>>> O jeito Brasil de ser corrupto e a Igreja <<<

O relato da experiência de José, governador do Egito, conforme relatado no livro de Gênesis, nos apresenta um exemplo magnífico de Compliance – tema em destaque atualmente no mundo corporativo, público ou privado, e que, por inúmeras razões merece nossa atenção.

Uma análise do texto bíblico nos mostra José como um líder com visão estratégica do momento em que ele vivia, o que lhe permitiu pensar em ações estratégicas, definir planos com metas, envolvendo sua comunidade para ação e administração dos bens e patrimônio, insumos, comodities que Deus colocou sob seus cuidados. Certamente ele devia ter uma equipe que seguia à risca tudo o que devia ser feito para que alcançassem os resultados almejados. José exercitou o princípio da Mordomia com muita competência, responsabilidade e transparência perante o Faraó. A implementação dos planos pede integridade e transparência. José esteve envolvido em todas as etapas de seu plano de provisão para o Egito e teve o cuidado de supervisionar seus encarregados, ao mesmo tempo em que delegava a pessoas integras.

Integridade e transparência foram fundamentais para conquistar a confiança do Faraó, o que resultou na preservação da vida dele e de sua família, permitindo que por vários séculos vivessem bem no Egito.

O mesmo tema, Compliance, tem também uma conexão muito próxima, porém negativa, com um exemplo trágico na vida do Povo de Deus. Trata-se do relato a respeito dos filhos de Eli, no livro de I Samuel, e que não é nada diferente do que acontece nos dias atuais em muitas igrejas e instituições a elas ligadas, seja nas grandes capitais ou entre comunidades mais simples e pobres nos interiores desse país.

Infelizmente é difícil encontrar – embora existam - exemplos de ministérios que sigam o exemplo de José. O que mais se vê hoje é a clonagem endêmica dos “filhos de Eli” que, estando na fartura usavam indevidamente as ofertas do templo para seus próprios interesses estabelecendo um esquema de corrupção. Como consequência a descendência de seu pai perdeu o direito ao sacerdócio e em seu lugar foi escolhido Samuel.

O fato é que somos uma igreja ostentação, com eventos midiáticos que arrecada cifras altíssimas, investe em templos suntuosos e, ao mesmo tempo, corrupta, quando o assunto é mordomia ou governança. Basta olhar à nossa volta para nos depararmos com muitos “filhos de Eli”.

>>> Somos todos corruptos <<<

Aqueles que se apresentam como pastores do rebanho deveriam ser modelo nessas questões, mas, no entanto, reproduzem as mesmas práticas reprováveis de um Estado corrupto e perdulário. Vemos, dentre outras coisas, a proliferação de igrejas nas quais o patrimônio da igreja (seja o terreno, templo ou conta bancária) se confunde com o patrimônio do seu líder, que normalmente exerce um ministério ditatorial em sua forma de liderar, supostamente legitimado por um discurso espiritual que serve de camuflagem para práticas reprováveis.

Quando comparamos a experiência de José e a dos filhos de Eli, verificamos, dentre outras coisas, que José atuou com integridade e transparência, trabalhando de forma estratégica com a visão que Deus havia lhe dado e, como resultado, o povo foi beneficiado com uma sociedade mais igualitária e justa.

O que pode ser aprendido a partir da experiência de José está essencialmente relacionado com o que se tem preconizado por meio da palavra Compliance, que, conforme alguém já disse: “é fazer o certo, do jeito certo, pelos motivos certos”.

• Robson Ramos é autor de Evangelização no Mercado Pós Moderno (Ultimato, 2003) e O Sequestro do Rolo Sagrado (Bookess, 2011). Advogado, Consultor e Palestrante. Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de SP e mestre em Estudos do Novo Testamento, pelo Seminário Teológico de Pittsburgh, Pensilvânia, EUA. Atuou como assessor da Aliança Bíblica Universitária (ABU) nos EUA e no Brasil, por 14 anos, com experiência em projetos missionários no Leste Europeu e Norte da África. Foi também, por nove anos, Diretor Executivo da Sociedade Bíblica Internacional, que produziu e publicou a Bíblia NVI – Nova Versão Internacional.

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