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Notícias

“A igreja pela vida das mulheres” – prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher

Iniciativa mostra como a cidade e a igreja podem trabalhar juntos pela segurança de mulheres e meninas

Por Ultimatoonline

Publicada há um ano, a quinta edição do relatório “Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”1 trouxe dados inéditos sobre as distintas formas de violência contra meninas e mulheres brasileiras. O estudo mostra que entre 2024 e 2025 a violência de gênero atingiu o maior índice desde o início da série histórica, em 2016. Apesar do crescimento da violência, 47,4% das mulheres vítimas afirmam não terem feito nada diante da agressão sofrida. Mas 6% procuraram a igreja. Dentre as entrevistadas, 42,7% das mulheres que se identificaram como evangélicas sofreram violência ao longo da vida, contra 35% das que se identificaram como católicas.

Em 2025, a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, feita pelo DataSenado e pela Nexus, mostra que mais de 50% das brasileiras que sofreram violência doméstica ou familiar buscam apoio na família e na igreja para acolhimento, demonstrando o papel relevante desses dois núcleos como espaço de segurança.

Entre outros aspectos, as pesquisas têm ajudado a colocar em pauta e a discutir o papel da igreja na prevenção da violência – tanto no acolhimento às vítimas como, se preciso for, no reconhecimento de ameaça ou prática de qualquer tipo de violência contra meninas e mulheres – porque igrejas e comunidades religiosas também podem configurar espaços de violência.

A igreja pela vida das mulheres
Para fazer frente a essa dura realidade, há poucas semanas, a cidade de Campinas, SP, deu um passo importante com o lançamento do programa “Igreja pela Vida das Mulheres”. A iniciativa é voltada à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher em ambientes religiosos, com foco nas comunidades evangélicas.

O programa é resultado de uma construção coletiva, com a formação de uma comissão que reúne o Ministério Público, a Prefeitura de Campinas e lideranças religiosas.

Durante o lançamento, que reuniu lideranças religiosas, autoridades e representantes do sistema de Justiça e do poder público, foi formalizado um pacto com as igrejas para a implementação do programa nas comunidades da cidade. A adesão representa um compromisso das lideranças em atuar de forma ativa no acolhimento, na orientação e no encaminhamento adequado de mulheres em situação de violência.

A apresentação sobre o “Igreja pela Vida das Mulheres” foi feita em conjunto pela promotora de Justiça, Cristiane Hillal, e pelo teólogo Livan Chiroma, coordenador da Aliança LAB (Laboratório de Pesquisas e Inteligência Missional).



Ações do programa
O programa está estruturado em ações práticas que buscam qualificar o acolhimento e transformar a atuação das igrejas diante de casos de violência:
- Letramento sobre violência contra mulheres e crianças
- Criação de protocolo com fluxo de encaminhamento de denúncias recebidas por lideranças religiosas
- Acolhimento de vítimas em grupos capacitados
- Realização de rodas de conversa com homens, com foco na prevenção
- Elaboração de cartilha direcionada à mulher evangélica
- Produção de vídeo institucional sobre o combate à violência contra a mulher

As medidas têm como objetivo não apenas orientar, mas estabelecer procedimentos claros e responsáveis dentro das comunidades religiosas.

Um dos eixos do programa é a cartilha “Fé que protege, amor que não fere”2 que será distribuída às igrejas em formato físico e digital.

Notas:
1. Relatório
“Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”. Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e Instituto Datafolha, 2025.
2. Cartilha de apoio e proteção à mulher em Campinas –
“Fé que protege, amor que não fere”. Prefeitura de Campinas.

Fontes:

Campinas lança programa voltado ao enfrentamento da violência contra mulheres evangélicas. Site da Prefeitura Municipal de Campinas.
Evangélicas buscam a igreja; católicas, a família diante de episódios de violência doméstica. Nexus. Pesquisa e inteligência de dados.

Imagem 1: Unsplash.
Imagem 2: Carlos Bassan. Prefeitura de Campinas.


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