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Crianças e adolescentes também são vítimas de violência sexual facilitada pela tecnologia
No Brasil, em apenas um ano, cerca de 3 milhões de meninas e meninos foram vítimas
Por Ultimatoonline
Em apenas um ano, uma a cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos foi vítima de exploração e/ou abuso sexual facilitados pela tecnologia, no Brasil. Isso representa cerca de 3 milhões de meninas e meninos vítimas de violência sexual online no país.
O dado integra o relatório Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia, lançado no início de março de 2026 pelo UNICEF Innocenti em parceria com a ECPAT International e a INTERPOL, com financiamento da Safe Online.
Mas o que é abuso e exploração sexual “facilitados” pela tecnologia?
Abuso e exploração sexual “facilitados” pela tecnologia são situações em que tecnologias digitais são usadas em algum momento durante o abuso ou exploração sexual de uma criança ou adolescente, seja para aliciar, extorquir, produzir, armazenar ou disseminar material de abuso. Podem ocorrer totalmente no ambiente virtual, combinar interações online e presenciais ou acontecer de forma física, com a tecnologia sendo usada para registrar e compartilhar as imagens.
Essas violências são facilitadas por ferramentas digitais, como redes sociais, jogos online, plataformas de mensagem e outras.
Onde, como e quem comete a violência
Em 66% dos relatos coletados pela pesquisa, a violência ocorreu por canais online, como redes sociais ou aplicativos de mensagens instantâneas (64%) e jogos online (12%). Entre as crianças e adolescentes abordados nesses espaços, Instagram (59%) e WhatsApp (51%) aparecem com destaque como os aplicativos mais utilizados pelos agressores.
Em quase metade dos casos (49%), a exploração e/ou o abuso foi cometido por alguém conhecido da vítima. Em 26% das situações, o agressor era uma pessoa desconhecida, e outros 25% não conseguiram ou não quiseram identificar quem cometeu o crime.
Entre as situações em que a vítima conhecia o agressor, na maioria das vezes (52%) o primeiro contato ocorreu no ambiente online. Houve também primeiros contatos na escola (27%), na própria casa da criança (11%) ou em espaços onde a vítima praticava esportes (2%), explicando a sobreposição entre as dinâmicas digitais e presenciais.

O uso de IA no cometimento de crimes
Outro ponto de alerta é o uso de material de abuso sexual contra crianças gerado por ferramentas de inteligência artificial generativa. Em apenas um ano, 3% das crianças e adolescentes entrevistados relataram que alguém utilizou IA para criar imagens ou vídeos de conteúdo sexual com sua aparência. A criação e a disseminação de conteúdos manipulados também configuram violência sexual e podem causar impactos profundos na vida das vítimas.
Denúncia, silêncio e impactos na vida das vítimas
Crianças e adolescentes submetidos a violências facilitadas pela tecnologia enfrentam impactos profundos em sua saúde mental, física e emocional, bem como em sua trajetória educacional, além de viverem com medo constante de que a violência seja descoberta, divulgada ou volte a acontecer. São frequentes relatos de ansiedade constante, hipervigilância, retração social e forte autoculpa, sobretudo nos casos em que houve compartilhamento prévio de conteúdo por parte da vítima.
Em mais de um terço dos casos (34%), as vítimas não contaram a ninguém sobre a situação vivenciada.Entre os principais motivos para o silêncio está a falta de informação sobre onde buscar ajuda ou para quem contar, apontada por 22% das crianças e adolescentes.
O constrangimento aparece como a segunda razão mais frequente (21%) para ficar em silêncio, somado a sentimentos de vergonha, medo de não serem acreditadas (16%), de que outras pessoas descubram o ocorrido (7%) ou à percepção de culpa teriam feito algo errado (3%). Em 12% dos casos, as vítimas afirmaram não considerar a violência “grave o suficiente” para ser denunciada.
As barreiras também se estendem ao registro formal das denúncias. Não saber como denunciar (18%), ser ameaçado pelo/a agressor/a (17%) e desconhecer que essas situações configuram crime e podem ser reportadas (15%) estão entre os principais obstáculos.
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital
Em vigor desde 17 de março de 2026, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital é uma atualização específica do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei 8.069/1990) que visa a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital – redes sociais, jogos eletrônicos, serviços de vídeo e lojas virtuais de produtos e serviços – que pode ser acessado por eles.
Com a Lei, as empresas de tecnologia passam a ter mais responsabilidade na segurança de usuários menores de idade, e devem garantir itens como: verificação real da idade, monitoramento e remoção de conteúdos nocivos como violência, exploração e abuso sexual, cyberbullying, incentivo à automutilação e jogos de azar; supervisão parental reforçada, com a obrigatoriedade de vinculação das contas de crianças e adolescentes menores de 16 anos às de um responsável legal; proibição de veiculação de conteúdos que exponham crianças e adolescentes de forma erotizada ou inadequada; ampliação da transparência das plataformas, com fiscalização pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Fontes:
Uma a cada cinco crianças e adolescentes no Brasil sofreu violência sexual facilitada pela tecnologia em um ano, revela estudo. Site UNICEF Brasil.
ECA Digital começa a valer nesta terça; confira principais pontos. Site Agência Brasil.
Imagem: Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)
A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.
Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» A Criança, a Igreja e a Missão, Dan Brewster
» Adolescência online e offline, por Klênia Fassoni
» Crianças, adolescentes e o uso excessivo das telas, por Ursula Regina Schmidt Affini
» Cuidemos de nossos adolescentes, por Carlos “Catito” Grzybowski
» “Mas por que essa criança não falou antes?”, por Alexandre Gonçalves
Por Ultimatoonline
Em apenas um ano, uma a cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos foi vítima de exploração e/ou abuso sexual facilitados pela tecnologia, no Brasil. Isso representa cerca de 3 milhões de meninas e meninos vítimas de violência sexual online no país.
O dado integra o relatório Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia, lançado no início de março de 2026 pelo UNICEF Innocenti em parceria com a ECPAT International e a INTERPOL, com financiamento da Safe Online.
Mas o que é abuso e exploração sexual “facilitados” pela tecnologia?Abuso e exploração sexual “facilitados” pela tecnologia são situações em que tecnologias digitais são usadas em algum momento durante o abuso ou exploração sexual de uma criança ou adolescente, seja para aliciar, extorquir, produzir, armazenar ou disseminar material de abuso. Podem ocorrer totalmente no ambiente virtual, combinar interações online e presenciais ou acontecer de forma física, com a tecnologia sendo usada para registrar e compartilhar as imagens.
Essas violências são facilitadas por ferramentas digitais, como redes sociais, jogos online, plataformas de mensagem e outras.
Onde, como e quem comete a violência
Em 66% dos relatos coletados pela pesquisa, a violência ocorreu por canais online, como redes sociais ou aplicativos de mensagens instantâneas (64%) e jogos online (12%). Entre as crianças e adolescentes abordados nesses espaços, Instagram (59%) e WhatsApp (51%) aparecem com destaque como os aplicativos mais utilizados pelos agressores.
Em quase metade dos casos (49%), a exploração e/ou o abuso foi cometido por alguém conhecido da vítima. Em 26% das situações, o agressor era uma pessoa desconhecida, e outros 25% não conseguiram ou não quiseram identificar quem cometeu o crime.
Entre as situações em que a vítima conhecia o agressor, na maioria das vezes (52%) o primeiro contato ocorreu no ambiente online. Houve também primeiros contatos na escola (27%), na própria casa da criança (11%) ou em espaços onde a vítima praticava esportes (2%), explicando a sobreposição entre as dinâmicas digitais e presenciais.

O uso de IA no cometimento de crimes
Outro ponto de alerta é o uso de material de abuso sexual contra crianças gerado por ferramentas de inteligência artificial generativa. Em apenas um ano, 3% das crianças e adolescentes entrevistados relataram que alguém utilizou IA para criar imagens ou vídeos de conteúdo sexual com sua aparência. A criação e a disseminação de conteúdos manipulados também configuram violência sexual e podem causar impactos profundos na vida das vítimas.
Denúncia, silêncio e impactos na vida das vítimas
Crianças e adolescentes submetidos a violências facilitadas pela tecnologia enfrentam impactos profundos em sua saúde mental, física e emocional, bem como em sua trajetória educacional, além de viverem com medo constante de que a violência seja descoberta, divulgada ou volte a acontecer. São frequentes relatos de ansiedade constante, hipervigilância, retração social e forte autoculpa, sobretudo nos casos em que houve compartilhamento prévio de conteúdo por parte da vítima.
Em mais de um terço dos casos (34%), as vítimas não contaram a ninguém sobre a situação vivenciada.Entre os principais motivos para o silêncio está a falta de informação sobre onde buscar ajuda ou para quem contar, apontada por 22% das crianças e adolescentes.
O constrangimento aparece como a segunda razão mais frequente (21%) para ficar em silêncio, somado a sentimentos de vergonha, medo de não serem acreditadas (16%), de que outras pessoas descubram o ocorrido (7%) ou à percepção de culpa teriam feito algo errado (3%). Em 12% dos casos, as vítimas afirmaram não considerar a violência “grave o suficiente” para ser denunciada.
As barreiras também se estendem ao registro formal das denúncias. Não saber como denunciar (18%), ser ameaçado pelo/a agressor/a (17%) e desconhecer que essas situações configuram crime e podem ser reportadas (15%) estão entre os principais obstáculos.
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital
Em vigor desde 17 de março de 2026, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital é uma atualização específica do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei 8.069/1990) que visa a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital – redes sociais, jogos eletrônicos, serviços de vídeo e lojas virtuais de produtos e serviços – que pode ser acessado por eles.
Com a Lei, as empresas de tecnologia passam a ter mais responsabilidade na segurança de usuários menores de idade, e devem garantir itens como: verificação real da idade, monitoramento e remoção de conteúdos nocivos como violência, exploração e abuso sexual, cyberbullying, incentivo à automutilação e jogos de azar; supervisão parental reforçada, com a obrigatoriedade de vinculação das contas de crianças e adolescentes menores de 16 anos às de um responsável legal; proibição de veiculação de conteúdos que exponham crianças e adolescentes de forma erotizada ou inadequada; ampliação da transparência das plataformas, com fiscalização pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Fontes:
Uma a cada cinco crianças e adolescentes no Brasil sofreu violência sexual facilitada pela tecnologia em um ano, revela estudo. Site UNICEF Brasil.
ECA Digital começa a valer nesta terça; confira principais pontos. Site Agência Brasil.
Imagem: Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – GENEROSIDADE - "HÁ MAIOR FELICIDADE EM DAR DO QUE EM RECEBER! (ATOS 20.35)A generosidade é paradoxal! Que dá recebe em troca. E é multifacetada, podendo apresentar-se de muitas formas, e não apenas na doação de recursos materiais e dinheiro.
Deus conta com a generosidade na relações humanas e nas relações dentro da igreja. Ela é um elemento previsto por ele para o bem comum e para o avanço de sua obra.
É disso que trata a edição 418. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» A Criança, a Igreja e a Missão, Dan Brewster
» Adolescência online e offline, por Klênia Fassoni
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