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Des_igualdade de gênero e o papel da igreja
Em Cristo a bênção da complementaridade, embora maculada pelo pecado, pode ser restaurada para o povo de Deus.
Por Oséas Heckert
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável #5 (ODS 5) visa à igualdade de gênero. As metas incluem várias ações para promover a igualdade de oportunidades para mulheres e meninas: acabar com a discriminação, eliminar todas as formas de violência, promover a responsabilidade compartilhada no trabalho doméstico, entre outras.
No século 21, já não deveria ser necessário tratar deste tema, mas infelizmente nossa sociedade e mesmo nossas igrejas ainda não aprenderam a lição. Apesar da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), os casos de violência contra mulheres e de feminicídio estão aumentando1, e sabemos que, pela precariedade da infraestrutura de saúde e de polícia, a subnotificação dessa violência persiste no Brasil.
A igreja tem sido cúmplice ou, pior, legitimadora dessa situação. Mais do que nunca, precisamos de voltar a consultar as fontes bíblicas. Em Gênesis 1, o ser humano criado por Deus à sua imagem é constituído pela complementaridade entre o masculino e o feminino. Essa complementaridade recebe a bênção de Deus (Elohim) para gerar vida e cuidar da criação. No relato de Gênesis 2, o SENHOR (YaHWeH) declara que “não é bom que o homem esteja só”; e forma “uma auxiliadora idônea” (Gn 2.18, ARA e ARC) para o homem. Vale lembrar que a função auxiliadora (ezer) não representa inferioridade. Este mesmo termo ezer é atribuído a Deus em mais de quinze ocorrências no Antigo Testamento (Sl 33.20, entre outros.). E o atributo idônea (kenegdo), significa adequada ou competente para um determinado fim (cf Houaiss), e também pode ser traduzido como “que seja semelhante a ele” (NAA) ou “que lhe corresponda” (NVI).
Entretanto, sabemos que no capítulo 3 de Gênesis, a desobediência ocorreu porque juntos – homem e mulher – desejaram ser “iguais a Deus” e ambos receberam as consequências dessa escolha: a expulsão do jardim.
O sofrimento e o desequilíbrio vieram como juízo de Deus, não como a vontade de Deus.

No Novo Testamento, as cartas de Paulo retomam o tema de que Deus deseja igualdade e complementaridade entre homens e mulheres. Em Gálatas 3.28, lemos que não pode haver discriminação entre “judeu nem gentio, escravo nem livre, homem nem mulher”, pois todos “são um em Cristo Jesus”. Em Efésios 5 e 6, Paulo retoma o assunto, reforçando que em todos os relacionamentos – marido/esposa, pais/filhos, senhores/escravos – deve prevalecer a mútua subordinação (hypotasso): "Sujeitem-se uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5.21) 2.
E, particularmente no contexto conjugal, reforça o tema da complementaridade de papeis, recomendando à esposa que “se sujeite em tudo ao seu próprio marido” (v.24) e ao marido que “ame a sua esposa, como também Cristo amou a igreja e se entregou por ela” (v.25). Neste caso, destaca o exemplo do próprio Jesus que disse que “não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida” (Mt 20.28).
Não há determinação biológica/genética que fundamente a superioridade do homem sobre a mulher, mas há visões estereotipadas que variam de acordo com as culturas e os tempos. A bênção da complementaridade recebida como clímax da criação, embora maculada pelo pecado, em Cristo pode ser restaurada para o povo de Deus, que deve ser agente de transformação da realidade da violência, discriminação e preconceito contra o diferente.
Esses temas são aprofundados no capítulo sobre o ODS 5 no livro Porque Deus Amou o Mundo3, do qual Valéria Vilhena é uma das autoras. Para conhecer mais sobre este assunto e a experiência de Valéria em defesa da igualdade de gênero, não perca a próxima live do grupo ESG (Ethica, Sola Gratia), no dia 13 de maio de 2026, quarta-feira, às 20h, pelo canal: Júlio César no YouTube.
Convidada:
Valéria Vilhena graduada em teologia (Mackenzie) e pedagogia (INESUSP), mestre em ciências da religião (UMESP) e doutora em educação (Mackenzie). É membra do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres (CNDM) e fundadora do Movimento EIG - Evangélicas pela Igualdade de Gênero.
Notas:
1. https://www.senado.leg.br/institucional/datasenado/mapadaviolencia/
2. O reformador João Calvino reconheceu que a noção de um pai se submetendo ao filho ou de um marido se submetendo à esposa pode parecer “estranha à primeira vista”; porém, ele nunca questionou que tal submissão é de fato o que Paulo prescreve. Veja mais em https://pt.christianitytoday.com/2024/06/paulo-efesios-sumissao-efesios-grudem-interpretacao-pt/
3. Jorge Barro (org.). Porque Deus Amou o Mundo. Editora Descoberta.
**
Serviço:
Live da série de conversas “O que a Bíblia tem a dizer sobre os ODS?”
Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) – Igualdade de gênero
Quando: 13 de maio de 2026, às 20 horas
Onde: Canal Júlio César no YouTube
REVISTA ULTIMATO – A ARTE PRECISA DE JUSTIFICATIVA?
“Arte” pode tornar-se um tema elitista, mas não é o caso da matéria de capa oferecida na edição 419 de Ultimato. Os artigos ressaltam a “beleza de Deus” e o fato de termos sido feitos à sua imagem e semelhança, o que torna a arte (sua apreciação ou o fazer artístico) disponível para todos – “Sejam encanadores, coletores de lixo, taxistas ou CEOs, somos chamados pelo Grande Artista a cocriar. O Artista nos chama, a nós, artistas com ‘a’ minúsculo, para cocriar, para compartilhar a ‘irrupção celestial’ na terra quebrada” (Makoto Fujimura).
Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Pessoas: Humanas e Divinas – Ensaios sobre a natureza e o valor das pessoas, Peter van Inwagen
» Macho e Fêmea os Criou – Celebrando a sexualidade, Carlos "Catito" Grzybowski
» Mulheres e homens: o que fazer com as diferenças?, por Isabella Passos
» Os diferentes na sexualidade, por Fátima Fontes
» Abuso: uma morte por mil cortes, por Norma Braga
Por Oséas Heckert
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável #5 (ODS 5) visa à igualdade de gênero. As metas incluem várias ações para promover a igualdade de oportunidades para mulheres e meninas: acabar com a discriminação, eliminar todas as formas de violência, promover a responsabilidade compartilhada no trabalho doméstico, entre outras.
No século 21, já não deveria ser necessário tratar deste tema, mas infelizmente nossa sociedade e mesmo nossas igrejas ainda não aprenderam a lição. Apesar da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), os casos de violência contra mulheres e de feminicídio estão aumentando1, e sabemos que, pela precariedade da infraestrutura de saúde e de polícia, a subnotificação dessa violência persiste no Brasil.
A igreja tem sido cúmplice ou, pior, legitimadora dessa situação. Mais do que nunca, precisamos de voltar a consultar as fontes bíblicas. Em Gênesis 1, o ser humano criado por Deus à sua imagem é constituído pela complementaridade entre o masculino e o feminino. Essa complementaridade recebe a bênção de Deus (Elohim) para gerar vida e cuidar da criação. No relato de Gênesis 2, o SENHOR (YaHWeH) declara que “não é bom que o homem esteja só”; e forma “uma auxiliadora idônea” (Gn 2.18, ARA e ARC) para o homem. Vale lembrar que a função auxiliadora (ezer) não representa inferioridade. Este mesmo termo ezer é atribuído a Deus em mais de quinze ocorrências no Antigo Testamento (Sl 33.20, entre outros.). E o atributo idônea (kenegdo), significa adequada ou competente para um determinado fim (cf Houaiss), e também pode ser traduzido como “que seja semelhante a ele” (NAA) ou “que lhe corresponda” (NVI).
Entretanto, sabemos que no capítulo 3 de Gênesis, a desobediência ocorreu porque juntos – homem e mulher – desejaram ser “iguais a Deus” e ambos receberam as consequências dessa escolha: a expulsão do jardim.
O sofrimento e o desequilíbrio vieram como juízo de Deus, não como a vontade de Deus.

No Novo Testamento, as cartas de Paulo retomam o tema de que Deus deseja igualdade e complementaridade entre homens e mulheres. Em Gálatas 3.28, lemos que não pode haver discriminação entre “judeu nem gentio, escravo nem livre, homem nem mulher”, pois todos “são um em Cristo Jesus”. Em Efésios 5 e 6, Paulo retoma o assunto, reforçando que em todos os relacionamentos – marido/esposa, pais/filhos, senhores/escravos – deve prevalecer a mútua subordinação (hypotasso): "Sujeitem-se uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5.21) 2.
E, particularmente no contexto conjugal, reforça o tema da complementaridade de papeis, recomendando à esposa que “se sujeite em tudo ao seu próprio marido” (v.24) e ao marido que “ame a sua esposa, como também Cristo amou a igreja e se entregou por ela” (v.25). Neste caso, destaca o exemplo do próprio Jesus que disse que “não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida” (Mt 20.28).
Não há determinação biológica/genética que fundamente a superioridade do homem sobre a mulher, mas há visões estereotipadas que variam de acordo com as culturas e os tempos. A bênção da complementaridade recebida como clímax da criação, embora maculada pelo pecado, em Cristo pode ser restaurada para o povo de Deus, que deve ser agente de transformação da realidade da violência, discriminação e preconceito contra o diferente.
Esses temas são aprofundados no capítulo sobre o ODS 5 no livro Porque Deus Amou o Mundo3, do qual Valéria Vilhena é uma das autoras. Para conhecer mais sobre este assunto e a experiência de Valéria em defesa da igualdade de gênero, não perca a próxima live do grupo ESG (Ethica, Sola Gratia), no dia 13 de maio de 2026, quarta-feira, às 20h, pelo canal: Júlio César no YouTube.
Convidada:
Valéria Vilhena graduada em teologia (Mackenzie) e pedagogia (INESUSP), mestre em ciências da religião (UMESP) e doutora em educação (Mackenzie). É membra do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres (CNDM) e fundadora do Movimento EIG - Evangélicas pela Igualdade de Gênero.
Notas:
1. https://www.senado.leg.br/institucional/datasenado/mapadaviolencia/
2. O reformador João Calvino reconheceu que a noção de um pai se submetendo ao filho ou de um marido se submetendo à esposa pode parecer “estranha à primeira vista”; porém, ele nunca questionou que tal submissão é de fato o que Paulo prescreve. Veja mais em https://pt.christianitytoday.com/2024/06/paulo-efesios-sumissao-efesios-grudem-interpretacao-pt/
3. Jorge Barro (org.). Porque Deus Amou o Mundo. Editora Descoberta.
- Oseas Heckert é engenheiro de pessoas (ele mesmo aqui incluído, em reengenharia permanente), apreendedor da vida abundante, poetrainee. Sazonalmente escreve para assimilar/compartilhar as ideias: http://www.antropogogia.net/aprender.php
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Serviço:
Live da série de conversas “O que a Bíblia tem a dizer sobre os ODS?”
Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) – Igualdade de gênero
Quando: 13 de maio de 2026, às 20 horas
Onde: Canal Júlio César no YouTube
REVISTA ULTIMATO – A ARTE PRECISA DE JUSTIFICATIVA?“Arte” pode tornar-se um tema elitista, mas não é o caso da matéria de capa oferecida na edição 419 de Ultimato. Os artigos ressaltam a “beleza de Deus” e o fato de termos sido feitos à sua imagem e semelhança, o que torna a arte (sua apreciação ou o fazer artístico) disponível para todos – “Sejam encanadores, coletores de lixo, taxistas ou CEOs, somos chamados pelo Grande Artista a cocriar. O Artista nos chama, a nós, artistas com ‘a’ minúsculo, para cocriar, para compartilhar a ‘irrupção celestial’ na terra quebrada” (Makoto Fujimura).
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» Pessoas: Humanas e Divinas – Ensaios sobre a natureza e o valor das pessoas, Peter van Inwagen
» Macho e Fêmea os Criou – Celebrando a sexualidade, Carlos "Catito" Grzybowski
» Mulheres e homens: o que fazer com as diferenças?, por Isabella Passos
» Os diferentes na sexualidade, por Fátima Fontes
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