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Palavra do leitor

Um só é bom – Nós contra eles

Não há um justo, nem um sequer – rei Davi

Davi canta o ceticismo. Em um de seus salmos, ele fala duas vezes da descrença. Na primeira vez ele fala de quem não acreditava na existência de Deus. "Disse o néscio no seu coração: Não há Deus". É o ceticismo humano.

Na segunda vez, porém, ele canta o ceticismo divino, Deus não acreditava haver a existência de um justo: "O Senhor olhou desde os céus... não há quem faça o bem, não há sequer um".

Portanto quando Jesus encontra aquele jovem rico, ele sabia que se tratava de um homem normal, como todos outros. Em seu extremo ele tendia ao individualismo.

Verdade, ele era um conservador exemplar. Fiel a nobres valores morais. Mas ele se desqualificava pelo seu apego às riquezas. Era exatamente liberal na economia. Não via seus deveres frente à coletividade.

No outro extremo desta polarização observamos um outro homem - Judas Iscariotes - ele se via preso na corrente totalitária.

Em seu discurso reconhecemos os traços de uma economia planificada. O que importa é os interesses coletivos: "Por que este perfume não foi vendido e o dinheiro dado aos pobres? Seriam trezentos denários".

Todavia, como é comum neste extremo, ele instrumentaliza os pobres para tirar proveito próprio. O evangelista comenta: "Ele não falou isso por se interessar pelos pobres, mas porque era ladrão e, sendo responsável pela bolsa de dinheiro, costumava tirar o que nela era colocado".

Judas não prezava por valores morais nobres...

Jesus assim o repreende: "Por que molestais esta mulher? É uma ação boa o que ela me fez. Pobres vós tereis sempre convosco. A mim, porém, nem sempre me tereis".

Tudo indica que esse confronto faz com que Judas decida trair Jesus. Pois logo após "foi ter com os principais dos sacerdotes para lho entregar".

Isto não surpreende Jesus. É o ceticismo divino. Ele sabia muito bem que Judas também era um homem normal, como todos outros, mau.

Em seu extremo, Judas tendia ao totalitarismo. Que o estado (na pessoa dos líderes do sinédrio) fizessem com o indivíduo Jesus o que bem quisesse.

E para isso Judas recebe sua "propina".

O que nos trás de volta ao veredito do Cristo sobre o jovem rico: "quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus!"

Não importa se a pessoa já possuía algo, tudo, ou nada, se sua confiança está posta nas riquezas, a entrada no Reino de Deus torna-se mui difícil.

Seu coração estava nas coisas terrenas.

É o ceticismo humano. Ele não crê na existência de um Deus celeste com recompensas celestiais e eternas.

Então mais uma vez não faz sentido o nós contra eles. Se não há diferença entre "nós" e "eles" por que uma batalha de um contra o outro?

Ninguém consegue escapar deste paradigma. Como Jesus nota: "Para os homens é impossível [se salvar], mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis".

A vida, morte e ressurreição de Jesus mostra isso. Só ele confiou plenamente em Deus. A cada momento entregou-se, tendo seu foco só no porvir, sem titubear.

E assim de certa forma, em sua ressurreição, ele aniquila o ceticismo, possibilitando a crença e devolvendo a confiança recíproca entre Deus e o ser humano. Só Ele é bom, só Ele é Deus.
Fürth - EX
Textos publicados: 321 [ver]
Site: http://teologia-livre.blogspot.de/

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