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Palavra do leitor

Uma mineirice – Uai

Sou mineiro, nascido em Belo Horizonte, na rua Mato Grosso, travessa das avenidas Guajajaras e Augusto de Lima, bairro Barro Preto, há poucos metros do antigo campo do Cruzeiro e da Praça Raul Soares; assim, sendo mineiro não se aborreçam os mineiros com o uso que vou fazer do tema "Uai", uma nossa mineirice.

Na Avenida Guajajaras, perto dali, também estavam o Grupo Escolar Professor Caetano Azeredo, no qual fiz o curso primário, o Colégio Estadual, onde eu faria o curso ginasial caso não tivéssemos mudado para Juiz de Fora, em 1952; bem próximo, também, a minha primeira Escola Bíblica Dominical na 2ª Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte, a capital dos mineiros.

Não tenho espaço para contar tudo, mas guardo diversas recordações dessa saudosa infância como andar de velocípede na Praça Raul Soares, que é redonda, linda e agradável; depois vinha o sorvete, na volta para casa, quando passávamos pela Av. Augusto de Lima – ainda existe aquela confeitaria.

Ganhei a minha primeira Bíblia, edição 1950, em um concurso bíblico na Escola Dominical, no qual tive o melhor desempenho.

Mineiro gosta de prosa, então vamos ao "UAI"!

Fiquei sabendo da história em que uma professora/historiadora perguntou ao Presidente Juscelino Kubitschek qual era a origem dessa expressão – "Uai" – e ele, como lhe era próprio, deu uma gostosa risada e respondeu: "não sei, mas a senhora, que é historiadora, vai descobrir e me contar."

Nessa condição de historiadora, ela percorreu todas as cidades históricas de Minas Gerais, visitando as igrejas nas quais manuseava o "Livro das Histórias da Paróquia": Ouro Preto, Sabará, Mariana, São João d’El Rey, Diamantina etc.

Justamente na terra do Juscelino, Diamantina, ela encontrou e copiou, no seu caderno, a história que, após isso, foi publicada em alguns periódicos, principalmente no "Jornal Correio Brasiliense".

Eis a história: à época da Inconfidência Mineira, os inconfidentes se reuniam, na madrugada, secretamente, nos porões de suas residências; para evitar que fossem descobertos combinaram uma "senha": cada inconfidente ao chegar dava três toques na porta: "toc, toc, toc" – o dono da casa também dava os três toques e perguntava "quem é?", ao que o visitante dizia "uai", sendo respondido com o mesmo "uai" e com a abertura da porta com confiança e segurança; o ritual se repetia cada vez que chegava outro inconfidente para a reunião.

Para eles qual era, então, o significado do "uai"?

U de união - A de amor - I de independência.

A expressão tornou-se um hábito entre eles, que, quando se encontravam na rua, no mercado, na praça, na igreja se cumprimentavam: "uai" e o outro respondia "uai" – assim a população assimilou e a usa até hoje; é um cumprimento pessoal característico nosso, uma mineirice só nossa, dos mineiros.

• UNIÃO – a Palavra de Deus nos ensina: "Oh quão bom e agradável é que os irmãos vivam em união" (Sl 133.1).

O Senhor Jesus, também, orou ao Pai pelos seus seguidores da época e pelos futuros: "Não rogo somente por estes [os daquela época], mas também por aqueles que vierem a crer em mim por intermédio da sua Palavra; a fim de que TODOS SEJAM UM; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em Ti, sejam eles em nós; para que o mundo creia que Tu me enviaste" (Jo 17.20-21).

• AMOR – também nos ensina a Palavra de Deus: "Nisto conhecemos o amor de Deus, que Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a vida pelos irmãos" (1Jo 3.16).

• INDEPENDÊNCIA – Não posso, nem devo me esquecer do primeiro versículo que aprendi; - na 2ª Igreja Presbiteriana de BH havia um versículo gravado na parede, acima do púlpito: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8.32).

A independência, conforme aconteceu com o Brasil, dependeu da liberdade que o País passou a gozar em relação à Coroa [Portugal], liberdade essa proclamada por Pedro I, às margens do Ipiranga, aqui em São Paulo.

Também a nossa independência cristã, em relação às coisas do mal [e do mau] depende da liberdade que encontramos quando recebemos o Senhor Jesus no coração e, com isso, adquirimos o direito de passarmos a ser chamados filhos de Deus (Jo 1.12).

Concluo reafirmando as Palavras do Senhor Jesus: "Conhecereis a verdade [Ele próprio] e a verdade vos libertará" (Jo 8.32).

Não podemos, todavia, fazer uso dessa liberdade para vivermos na libertinagem, conforme preceitua a Palavra de Deus:

"Caros irmãos, fostes chamados para a liberdade. Todavia, não useis da liberdade como desculpa para vos franquear à carne; antes, sede servos uns dos outros mediante o amor" (Gl 5.13).

"Contudo, tendes cuidado para que o exercício da vossa liberdade não se torne um motivo de tropeço para os fracos" (1Co 8.9).

Uai, uma mineirice que deve reger os nossos procedimentos.
São Paulo - SP
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