Palavra do leitor
12 de janeiro de 2026- Visualizações: 100
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Pedras nas mãos, espelhos no coração
Fui profundamente impactado por uma notícia do meio evangélico neste início de janeiro de 2026. Ao navegar pelos vídeos do YouTube, deparei-me com o título: "Famoso escritor cristão confessa adultério e abandona ministério". Tratava-se de um vídeo no qual o pastor Augustus Nicodemus comentava a confissão pública do renomado escritor cristão Philip Yancey, que admitiu manter, por cerca de oito anos, um relacionamento extraconjugal com uma mulher casada. O maior impacto, entretanto, não foi apenas a queda de nosso irmão — ainda que o fato seja gravíssimo e traga consequências dolorosas para sua família, para a igreja e para o testemunho cristão —, mas a avalanche de comentários carregados de críticas severas, julgamentos e sentenças morais. Estimo que mais de 90% das opiniões expressavam condenação imediata, muitas vezes sem qualquer sinal de graça, temor ou autoexame.
Quase que automaticamente, fui remetido ao episódio da mulher surpreendida em adultério, narrado em João 8:1-11. Diante de uma multidão armada de pedras e amparada pela Lei de Moisés, Jesus declara: "Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela." O texto mostra que, confrontados pela santidade e pela verdade de Cristo, os acusadores se retiram um a um, conscientes de sua própria culpa. Ao final, Jesus não relativiza o pecado, mas oferece perdão acompanhado de um chamado à transformação: "Vai-te e não peques mais."
É importante afirmar que não se trata de equiparar os dois casos. A mulher surpreendida em adultério ainda não havia experimentado a graça salvadora de Cristo, enquanto o escritor evangélico construiu sua trajetória pública ensinando sobre fé, graça e compromisso cristão. Há, portanto, maior responsabilidade, conforme ensina a Escritura (cf. Tiago 3:1), e é justamente por isso que a disciplina da igreja local se faz necessária - não como instrumento de vingança ou exposição pública, mas como meio bíblico de correção, arrependimento e, se Deus permitir, restauração. Contudo, a lição central permanece: as pedras que simbolizavam a condenação pela Lei, no Novo Testamento, revelam-se inúteis quando confrontadas pela graça e pela verdade de Jesus. Ainda assim, essas mesmas "pedras" continuam sendo lançadas hoje, muitas vezes por aqueles que se esquecem de que também são pecadores e que elas podem, inevitavelmente, voltar-se contra si mesmos.
As pedras tornam-se inúteis quando somos levados a reconhecer nossa própria culpa diante de Deus. O Evangelho ressalta que Jesus não anulou a Lei, mas expôs a hipocrisia de um julgamento que não nasce do arrependimento, e sim da autojustiça. Como ensina o apóstolo Paulo: "Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia" (1Co 10.12). Esse alerta não é um convite à complacência com o pecado, mas à humildade, à vigilância espiritual e ao reconhecimento de que ninguém está imune à queda.
Diante de situações como essa, a igreja é chamada a um caminho mais excelente: o da verdade aliada à graça. O pecado precisa ser tratado com seriedade, disciplina e arrependimento genuíno, mas jamais com prazer no escândalo ou espírito de condenação. O episódio nos convida ao autoexame, à intercessão e à restauração, lembrando que todos permanecemos de pé unicamente pela misericórdia de Deus. Antes de recolher pedras com as mãos, somos chamados a encarar o espelho do coração.
Quase que automaticamente, fui remetido ao episódio da mulher surpreendida em adultério, narrado em João 8:1-11. Diante de uma multidão armada de pedras e amparada pela Lei de Moisés, Jesus declara: "Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela." O texto mostra que, confrontados pela santidade e pela verdade de Cristo, os acusadores se retiram um a um, conscientes de sua própria culpa. Ao final, Jesus não relativiza o pecado, mas oferece perdão acompanhado de um chamado à transformação: "Vai-te e não peques mais."
É importante afirmar que não se trata de equiparar os dois casos. A mulher surpreendida em adultério ainda não havia experimentado a graça salvadora de Cristo, enquanto o escritor evangélico construiu sua trajetória pública ensinando sobre fé, graça e compromisso cristão. Há, portanto, maior responsabilidade, conforme ensina a Escritura (cf. Tiago 3:1), e é justamente por isso que a disciplina da igreja local se faz necessária - não como instrumento de vingança ou exposição pública, mas como meio bíblico de correção, arrependimento e, se Deus permitir, restauração. Contudo, a lição central permanece: as pedras que simbolizavam a condenação pela Lei, no Novo Testamento, revelam-se inúteis quando confrontadas pela graça e pela verdade de Jesus. Ainda assim, essas mesmas "pedras" continuam sendo lançadas hoje, muitas vezes por aqueles que se esquecem de que também são pecadores e que elas podem, inevitavelmente, voltar-se contra si mesmos.
As pedras tornam-se inúteis quando somos levados a reconhecer nossa própria culpa diante de Deus. O Evangelho ressalta que Jesus não anulou a Lei, mas expôs a hipocrisia de um julgamento que não nasce do arrependimento, e sim da autojustiça. Como ensina o apóstolo Paulo: "Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia" (1Co 10.12). Esse alerta não é um convite à complacência com o pecado, mas à humildade, à vigilância espiritual e ao reconhecimento de que ninguém está imune à queda.
Diante de situações como essa, a igreja é chamada a um caminho mais excelente: o da verdade aliada à graça. O pecado precisa ser tratado com seriedade, disciplina e arrependimento genuíno, mas jamais com prazer no escândalo ou espírito de condenação. O episódio nos convida ao autoexame, à intercessão e à restauração, lembrando que todos permanecemos de pé unicamente pela misericórdia de Deus. Antes de recolher pedras com as mãos, somos chamados a encarar o espelho do coração.
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dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.
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