Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Palavra do leitor

Notas sobre a justiça social fundamentada na Bíblia

A respeito da obra Justiça Generosa, este texto se propõe a responder às seguintes questões orientadoras: por que escrevê-la e a quem ela se dirige. O contato inicial com o livro de Tim Keller deu-se de forma contingencial, no contexto de um interesse prévio em compreender o posicionamento do pensamento cristão acerca da justiça social.

De modo geral, é possível identificar, no campo religioso, determinadas figuras públicas que se manifestam sobre a temática da justiça social. Contudo, o que se buscava, neste caso, era uma elaboração de caráter mais abrangente, fundamentada teologicamente, que partisse da compreensão da divindade e implicasse uma possível (re)organização institucional da prática religiosa. Na obra de Keller, encontram-se numerosas referências bíblicas, textos e versículos, mobilizadas para sustentar a noção de justiça social, que o autor denomina "justiça generosa", concebida como princípio teológico ancorado nas Escrituras.

Não obstante, observa-se que o autor não apresenta métodos concretos ou estratégias operacionais de implementação da justiça social, limitando-se a descrevê-la como intenção moral e ordenança divina. Ademais, o recurso a determinados eufemismos na análise das desigualdades sociais acaba por constituir um elemento problemático, funcionando como base para a elaboração da presente resenha crítica. É precisamente a partir dessas lacunas que se justifica esta resenha crítica, cujo objetivo é tensionar, complementar e pluralizar a perspectiva apresentada, sobretudo no que concerne à relação entre evangelho e justiça social.

Esta resenha dirige-se, de modo específico, a dois públicos: i) cristãos interessados em refletir criticamente sobre as implicações sociais de sua fé; e ii) leitores que não distinguem o evangelho do cristianismo historicamente marcado por experiências de trauma social, frequentemente associadas às práticas do fundamentalismo religioso.

No subtítulo intitulado "Justiça e Bíblia", Tim Keller, problematiza a articulação entre justiça social e salvação individual. Segundo o autor, há divergências significativas no campo teológico: enquanto alguns entendem essas dimensões como dissociáveis, outros as consideram intrinsecamente vinculadas. O primeiro grupo sustenta que a sã doutrina e a espiritualidade não guardam relação direta com a justiça social, posso inferir que a justiça seja compreendida como um fenômeno estritamente político. Desse modo, a justiça social seria alheia às exigências de uma comunidade cuja cosmovisão se fundamenta exclusivamente na bíblica. Em contrapartida, há um segundo grupo que compreende a justiça como elemento indissociável da doutrina bíblica clássica, entendendo que uma vida orientada por obras de justiça e compaixão em favor dos pobres é agradável à divindade. Alinhando-se a essa segunda posição, Tim Keller apresenta uma concepção que busca contrapor a imagem historicamente associada ao cristianismo como promotor de injustiça e violência.

Embora o autor fundamente biblicamente o compromisso divino com a justiça, sua abordagem também mostra-se como tentativa de mitigação, ainda que limitada, dos danos produzidos ou intensificados por interpretações bíblicas que, ao longo da história, contribuíram para a produção de traumas coletivos.

Nessa proposta, evidencia-se uma possível lacuna: a tendência de restringir a justiça cristã à intervenção pontual sobre os efeitos da desigualdade, sem avançar para o enfrentamento das estruturas que a produzem. Tal limitação sugere uma compreensão da justiça orientada mais à mitigação do sofrimento imediato do que à transformação das condições sociais que o geram.

Dessa forma, é possível inferir que a linha tênue entre religiosidade e política se rompe no momento em que a prática cristã é convocada a interferir de modo intencional na realidade social, com vistas à construção de uma sociedade mais justa. Nesse ponto, a recusa em reconhecer as implicações políticas da justiça revela-se menos como neutralidade e mais como manutenção tácita da ordem desigual existente.
-
Textos publicados: 1 [ver]

Os artigos e comentários publicados na seção Palavra do Leitor são de única e exclusiva responsabilidade
dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.