Palavra do leitor
11 de janeiro de 2026- Visualizações: 23
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Notas sobre a justiça social fundamentada na Bíblia
A respeito da obra Justiça Generosa, este texto se propõe a responder às seguintes questões orientadoras: por que escrevê-la e a quem ela se dirige. O contato inicial com o livro de Tim Keller deu-se de forma contingencial, no contexto de um interesse prévio em compreender o posicionamento do pensamento cristão acerca da justiça social.
De modo geral, é possível identificar, no campo religioso, determinadas figuras públicas que se manifestam sobre a temática da justiça social. Contudo, o que se buscava, neste caso, era uma elaboração de caráter mais abrangente, fundamentada teologicamente, que partisse da compreensão da divindade e implicasse uma possível (re)organização institucional da prática religiosa. Na obra de Keller, encontram-se numerosas referências bíblicas, textos e versículos, mobilizadas para sustentar a noção de justiça social, que o autor denomina "justiça generosa", concebida como princípio teológico ancorado nas Escrituras.
Não obstante, observa-se que o autor não apresenta métodos concretos ou estratégias operacionais de implementação da justiça social, limitando-se a descrevê-la como intenção moral e ordenança divina. Ademais, o recurso a determinados eufemismos na análise das desigualdades sociais acaba por constituir um elemento problemático, funcionando como base para a elaboração da presente resenha crítica. É precisamente a partir dessas lacunas que se justifica esta resenha crítica, cujo objetivo é tensionar, complementar e pluralizar a perspectiva apresentada, sobretudo no que concerne à relação entre evangelho e justiça social.
Esta resenha dirige-se, de modo específico, a dois públicos: i) cristãos interessados em refletir criticamente sobre as implicações sociais de sua fé; e ii) leitores que não distinguem o evangelho do cristianismo historicamente marcado por experiências de trauma social, frequentemente associadas às práticas do fundamentalismo religioso.
No subtítulo intitulado "Justiça e Bíblia", Tim Keller, problematiza a articulação entre justiça social e salvação individual. Segundo o autor, há divergências significativas no campo teológico: enquanto alguns entendem essas dimensões como dissociáveis, outros as consideram intrinsecamente vinculadas. O primeiro grupo sustenta que a sã doutrina e a espiritualidade não guardam relação direta com a justiça social, posso inferir que a justiça seja compreendida como um fenômeno estritamente político. Desse modo, a justiça social seria alheia às exigências de uma comunidade cuja cosmovisão se fundamenta exclusivamente na bíblica. Em contrapartida, há um segundo grupo que compreende a justiça como elemento indissociável da doutrina bíblica clássica, entendendo que uma vida orientada por obras de justiça e compaixão em favor dos pobres é agradável à divindade. Alinhando-se a essa segunda posição, Tim Keller apresenta uma concepção que busca contrapor a imagem historicamente associada ao cristianismo como promotor de injustiça e violência.
Embora o autor fundamente biblicamente o compromisso divino com a justiça, sua abordagem também mostra-se como tentativa de mitigação, ainda que limitada, dos danos produzidos ou intensificados por interpretações bíblicas que, ao longo da história, contribuíram para a produção de traumas coletivos.
Nessa proposta, evidencia-se uma possível lacuna: a tendência de restringir a justiça cristã à intervenção pontual sobre os efeitos da desigualdade, sem avançar para o enfrentamento das estruturas que a produzem. Tal limitação sugere uma compreensão da justiça orientada mais à mitigação do sofrimento imediato do que à transformação das condições sociais que o geram.
Dessa forma, é possível inferir que a linha tênue entre religiosidade e política se rompe no momento em que a prática cristã é convocada a interferir de modo intencional na realidade social, com vistas à construção de uma sociedade mais justa. Nesse ponto, a recusa em reconhecer as implicações políticas da justiça revela-se menos como neutralidade e mais como manutenção tácita da ordem desigual existente.
De modo geral, é possível identificar, no campo religioso, determinadas figuras públicas que se manifestam sobre a temática da justiça social. Contudo, o que se buscava, neste caso, era uma elaboração de caráter mais abrangente, fundamentada teologicamente, que partisse da compreensão da divindade e implicasse uma possível (re)organização institucional da prática religiosa. Na obra de Keller, encontram-se numerosas referências bíblicas, textos e versículos, mobilizadas para sustentar a noção de justiça social, que o autor denomina "justiça generosa", concebida como princípio teológico ancorado nas Escrituras.
Não obstante, observa-se que o autor não apresenta métodos concretos ou estratégias operacionais de implementação da justiça social, limitando-se a descrevê-la como intenção moral e ordenança divina. Ademais, o recurso a determinados eufemismos na análise das desigualdades sociais acaba por constituir um elemento problemático, funcionando como base para a elaboração da presente resenha crítica. É precisamente a partir dessas lacunas que se justifica esta resenha crítica, cujo objetivo é tensionar, complementar e pluralizar a perspectiva apresentada, sobretudo no que concerne à relação entre evangelho e justiça social.
Esta resenha dirige-se, de modo específico, a dois públicos: i) cristãos interessados em refletir criticamente sobre as implicações sociais de sua fé; e ii) leitores que não distinguem o evangelho do cristianismo historicamente marcado por experiências de trauma social, frequentemente associadas às práticas do fundamentalismo religioso.
No subtítulo intitulado "Justiça e Bíblia", Tim Keller, problematiza a articulação entre justiça social e salvação individual. Segundo o autor, há divergências significativas no campo teológico: enquanto alguns entendem essas dimensões como dissociáveis, outros as consideram intrinsecamente vinculadas. O primeiro grupo sustenta que a sã doutrina e a espiritualidade não guardam relação direta com a justiça social, posso inferir que a justiça seja compreendida como um fenômeno estritamente político. Desse modo, a justiça social seria alheia às exigências de uma comunidade cuja cosmovisão se fundamenta exclusivamente na bíblica. Em contrapartida, há um segundo grupo que compreende a justiça como elemento indissociável da doutrina bíblica clássica, entendendo que uma vida orientada por obras de justiça e compaixão em favor dos pobres é agradável à divindade. Alinhando-se a essa segunda posição, Tim Keller apresenta uma concepção que busca contrapor a imagem historicamente associada ao cristianismo como promotor de injustiça e violência.
Embora o autor fundamente biblicamente o compromisso divino com a justiça, sua abordagem também mostra-se como tentativa de mitigação, ainda que limitada, dos danos produzidos ou intensificados por interpretações bíblicas que, ao longo da história, contribuíram para a produção de traumas coletivos.
Nessa proposta, evidencia-se uma possível lacuna: a tendência de restringir a justiça cristã à intervenção pontual sobre os efeitos da desigualdade, sem avançar para o enfrentamento das estruturas que a produzem. Tal limitação sugere uma compreensão da justiça orientada mais à mitigação do sofrimento imediato do que à transformação das condições sociais que o geram.
Dessa forma, é possível inferir que a linha tênue entre religiosidade e política se rompe no momento em que a prática cristã é convocada a interferir de modo intencional na realidade social, com vistas à construção de uma sociedade mais justa. Nesse ponto, a recusa em reconhecer as implicações políticas da justiça revela-se menos como neutralidade e mais como manutenção tácita da ordem desigual existente.
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