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Notícias

Um jeito brasileiro de fazer missões

Missão Antioquia completa 50 anos celebrando o pioneirismo, o aprendizado e os frutos colhidos

Por Márcia Tostes

A Missão Antioquia, primeira agência transcultural e interdenominacional brasileira, fundada em 1976, celebra seu jubileu de ouro. A beleza e os desafios do pioneirismo trouxeram questões que, ao serem detectadas e tratadas, resultaram em princípios. Esses princípios, uma vez aprendidos, moldaram valores e práticas.

Nos anos 1970, a realidade da igreja brasileira apontava para a carência de ensino missiológico e para o fato de que a maioria dos candidatos a missões não tinha uma cultura missionária. Embora muitos fizessem cursos teológicos, a maioria tinha origem simples e, alguns, sequer sabiam ler ou escrever.

A Missão Antioquia investiu na educação formal, informal e não formal, promovendo o desenvolvimento pessoal e cognitivo por experiências práticas e convívio com mestres que testemunhavam a veracidade do que ensinavam, como Décio de Azevedo, Jonathan dos Santos e Bárbara Burns. A tarefa envolveu um treinamento holístico – nas áreas física, emocional, espiritual, acadêmica, social, bíblica, teológica e missiológica. O modelo de liderança não piramidal promoveu o princípio de corpo – colaborativo, dinâmico e de fácil acesso aos liderados. Essas características contribuíram para a criação de uma forma brasileira de fazer missões marcada pelos estilos relacional e comunitário, mais leves e flexíveis.

Os candidatos a missões ainda enfrentavam a falta de prática ministerial e de sustento adequado. Em razão da falta de visão missionária e de poucos recursos financeiros, bem como da origem humilde dos candidatos e o fato de virem de pequenas igrejas, a Missão adoto o modelo de missões de fé, desde o nosso início, o que resultou em orçamentos módicos.

A partir desse panorama, abriu-se caminho para cooperação, como princípio, mas também como forma de existência. A solução foi trabalhar em parceria com igrejas e pastores, assim como com organizações internacionais. No modelo brasileiro de fazer missões, a parceria não é opção – é necessidade.

A Missão Antioquia estabeleceu o campo intermediário, programa de um a dois anos formalmente instituído em 1994, na Bolívia, país estratégico, por ser relativamente perto do Brasil, mas distante o suficiente para abrir espaço para a adaptação cultural. Depois da pandemia da Covid-19, com o avanço do uso da tecnologia para comunicação a distância, a Missão considerou que, havendo bons receptores e treinadores para os novatos, todos os campos podem ser intermediários e, para tanto, em todos eles desenvolveram-se mentorias para os receptores e os recém-enviados.

Características da cultura brasileira como o alto grau de emocionalismo podem gerar impactos nas características pessoais, além dos desafios familiares, dúvidas e expectativas elevadas capazes de comprometer a permanência no campo. Pela experiência de envio, a Missão Antioquia também observou a necessidade de acompanhamento próximo dos missionários.

Com uma atenção concentrada aos missionários em campo nos primeiros anos e observando o princípio do envio em parcerias ou para locais nos quais houvesse obreiros da Missão Antioquia, as crises foram enfrentadas de forma efetiva.

O Programa de Imersão Cultural (PIC), acrescentado às práticas em 2010, é essencial para sistematizar esse processo. O PIC oferece mecanismos para a entrada guiada na nova cultura necessários ao desenvolvimento efetivo no campo, além de vínculos importantes com os nacionais que vão ao encontro das necessidades emocionais dos brasileiros por pertencimento e laços familiares.

Em seu programa de cuidado missionário, sistêmico, intencional e integral, a Missão Antioquia decidiu partir do interventivo para o preventivo, caminhando ao lado dos obreiros e agindo de modo acolhedor, o que é próprio da cultura brasileira, proporcionando acessibilidade e apoio humano.

A Missão Antioquia mantém sua ênfase em mobilização, formação, conexão e integralidade. No início, isso foi feito de forma empírica, pois os envolvidos nas atividades eram carentes de conhecimento e prática nas diversas áreas. O que poderia ser um empecilho, porém, conduziu à humildade e abertura para aprender com os mais experientes e ao compromisso de passar o conhecimento adiante.

Estas conquistas são fruto da confiança em Deus, tendo como base a oração e como compromisso uma rica semeadura, realizada ao longo de anos de desenvolvimento de boas práticas, como parcerias com igrejas enviadoras e organizações nacionais e internacionais, mobilização missionária em nível nacional e participação em movimentos missionários brasileiros e internacionais com forte impacto e resultados para além dos limites da própria instituição.

Pela graça de Deus, a Missão Antioquia tem colhido frutos importantes no campo da missão: missionários valorosos, baixa taxa de retorno prematuro, contentamento, igrejas plantadas, projetos com impacto transformador e coesão da equipe enviadora. Esses frutos têm redundado em vidas salvas nas nações e na glória de Deus.

Reflexão a partir do conhecimento e da experiência de Bertil Ekström, Silas Tostes e Márcia Tostes.
  • Márcia Tostes, diretora executiva da Missão Antioquia, idealizadora do Refúgio do Vale – centro de acolhimento para líderes e missionários

Para celebrar essa história, e, ao mesmo tempo, olhar para aquilo que Deus ainda está fazendo, a Missão Antioquia promoverá entre os dias 30 de outubro a 1º de novembro, sua conhecida Conferência Antioquia, com momentos de adoração, louvor e participação de palestrantes internacionais e a ConfraJovem - a mesma conferência Antioquia, com preletores e programação especial, além de louvor e adoração voltados exclusivamente para adolescentes e jovens.

Quando: 30 de outubro a 1º de novembro de 2026
Local: Igreja Vale da Bênção – Araçariguama, SP
Para informações, clique
aqui.
Imagens:
1. Missão Antioquia - frutos no campo
2. Missão Antioquia - 1976 - Cianorte, PR
3. Missão Antioquia - 1982 - Sao Paulo, SP
4. Missão Antioquia - 2026 - Araçariguama, SP


REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?
A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?
Talvez
a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença. Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
» A Missão Cristã no Mundo Moderno, John Stott
» Muitas Andorinhas Fazem Verão, Cilas Gaviolli
» O Propósito de Deus e a Nossa Vocação, Timóteo Carriker

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