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Opinião

Teólogos panfletários

De como os teólogos brasileiros estão perdendo o bonde da história (I)

De Disciplinas Exatas e Disciplinas Fluídas

Não sou teóloga. Não digo isto como um “disclaimer” porque vou meter a pancada nos teólogos, mas para explicar meu ponto de vista. Venho do mundo da linguística e de uma disciplina mais estreita e definida ainda: a fonologia. Das ciências linguísticas a fonologia é possivelmente a mais exata de todas. Os sons produzidos por falantes de uma língua determinada se organizam entre si para formar cadeias que podem ser subdividas em palavras ou frases. Nestas cadeias complexas as unidades de som se comunicam umas com as outras, desaparecem, se amoldam as unidades mais próximas, ou marcam a outra com um pedaço de si, ou influenciam a prosódia da fala. É uma dança interessante, fluída, mas extremamente exata.

O trabalho do fonólogo é entender esta dança dos sons e reduzi-la a uma série de logaritmos matemáticos de aparência algébrica, cheios de sinais letras e números. Se descrevermos algum processo do sistema de sons de maneira equivocada pode-se fazer o caminho reverso e provar que a hipótese produz um resultado final diferente. Sem esta exatidão seria impossível decodificar o som produzido pelo outro. Os logaritmos capengam.

O bom fonólogo olha o sistema e pressupõe algumas coisas sobre ele. Mas se apegar-se demais a suas hipóteses se cega para a realidade dos fatos que pode encontrar nos sons. Mais do que tudo ele tem que ser um investigador dos fatos sonoros e deixar que estes fatos o guiem em suas descobertas.

O teólogo funciona de maneira bem diferente. Na teologia lida-se também com a construção de sistemas, mas desta vez os componentes são ideias. Ao contrário do que dizem alguns “vanguardistas” evangélicos por aí, a teologia é extremamente importante para o cristianismo que construímos. Teologar é construir uma visão de mundo, é tentar encontrar os pressupostos filosóficos para todas as áreas da vida. Teologar é tornar a fé uma experiência do grupo, da comunidade.

A prática da teologia é essencialmente cristã, como diz Moltmann (2008), porque pressupõe a possibilidade de diálogo com um Deus vivo que se preocupa em arrazoar com seus filhos. Outras religiões como o Islamismo e o Budismo, Hinduísmo, não tem um “teologia”, porque não se prevê a possibilidade deste diálogo. A teologia portanto é a melhor ferramenta cristã para se construir uma proposta social para se buscar a interação com o grupo e soluções em comum, fundamentas numa interpretação bíblica culturalmente adequada (mas que não sobrepõe os valores culturais aos valores bíblicos), e iluminada pelo Espírito.

O problema é que as ideias que alimentam a discussão teológica não são factuais. Não há como testá-las, prova-las. São ideias que o teólogo recebe desta ou daquela escola de pensamento. Ele ingressa num grupo que pré-define interpretações, e passa a pertencer aquela escola. Até aí nenhum problema. Difícil seria esperar que cada novo pensador inventasse tudo do zero. Podemos ir além de Augustinho e Calvino hoje exatamente porque ele nos deram a base para nos apoiar. Porque eles existiram podemos pensar além. Ridículo presumir que se pode criar teologia no vácuo.

-- Leia este artigo completo no blog da Bráulia Ribeiro.


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Trabalhou como missionária na Amazônia durante trinta anos e no Pacífico por seis anos. Hoje é aluna de teologia na Universidade de Yale, Estados Unidos, e candidata ao doutorado pela Universidade de Aberdeen, Escócia. Mora em New Haven, CT, com sua família. É autora de Chamado Radical e Tem Alguém Aí em Cima?
Para saber mais, acesse: braulia.com.br
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