Opinião
11 de maio de 2026- Visualizações: 42
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Sempre existe um propósito enquanto vida houver
Todos podem produzir frutos, independentemente da idade. Nossas ações deixarão um legado duradouro
Por Márcia Mendes
Desde meus 15 anos, eu tentava ler a Bíblia. Iniciava, mas não conseguia continuar, achando a leitura “monótona” e “difícil de entender”. Tentei novamente aos 16, 17 e 18 anos, mas foi aos 19, em junho de 1983, após um acontecimento triste, que me sentei na mesa da cozinha, peguei minha Bíblia e comecei a ler o Salmo 91. Eu via esse Salmo como uma forma de proteção, mas, de alguma maneira, a leitura dele não me trouxe satisfação total. Orei a Deus: “Eu realmente quero compreender a Bíblia!”. Então, tive uma experiência intensa, como se meu espírito se elevasse até o teto da cozinha, e eu me visse sentada à mesa com a Bíblia à minha frente. Do teto, observei a cena e, num instante, voltei ao meu corpo e comecei a ler a Bíblia, entendendo tudo o que estava escrito. Foi algo sobrenatural e inexplicável, como se uma obstrução tivesse sido removida dos meus olhos. Não sei quantos capítulos do Evangelho li naquela noite; fui avançando e Deus me proporcionava entendimento a cada palavra. Esse foi meu primeiro encontro com Jesus, mesmo sem saber quem ele realmente era.
A partir daquele dia, Deus começou a colocar pessoas em minha vida para compartilhar o seu amor, o que me levou a me batizar e frequentar a igreja – o que faço há quase 42 anos. Em 1983, passei em um concurso público federal e, milagrosamente, trabalhei por quase todos os 34 anos em meio expediente, o que me permitiu dedicar mais tempo à obra de Deus.
Dois anos após minha conversão, mesmo sendo nova na fé, recebi o convite para ser professora de uma classe de Escola Bíblica Dominical para líderes da igreja. Aceitei o desafio, confiando em Deus. Por graça e força do Senhor, a experiência teve bom êxito. Como não colocar em prática a revelação divina que recebi ao clamar por compreensão da sua Palavra?
Minha família, sempre servindo a Deus, compartilhava comigo a comunhão na igreja e o trabalho na obra. Esses eram nossos objetivos comuns.
Durante uma gravidez de risco, mesmo em repouso total por sete meses, dediquei-me ao estudo da Palavra de Deus e até ousei, um dia, me levantar para pregar. Meditei sobre a rainha Vasti, que recusou o convite do rei Assuero. Isso me fez refletir sobre os convites e desafios que recebi do Rei Jesus. Posso afirmar que sempre respondi com fé, disposta a seguir e contribuir na missão de salvar e edificar vidas. Considero uma honra esse convite divino, que tem me permitido atuar em diferentes ministérios.

Em 2017, quando chegou o momento de me aposentar, tive receios iniciais, mas concluí que esse é um tempo de liberdade (o que mais valorizo) e de novas oportunidades – não de acomodação ou de se apagar para a vida.
Ao completar 50 anos, recebi um novo chamado bem claro: “Lembrai-vos dos presos” – foi uma instrução de Deus que escutei de maneira audível: eu deveria escrever correspondências a pessoas em situação de encarceramento, uma tarefa desafiadora. Comecei com 25 cartas que recebi do coordenador nacional de capelania prisional e, ao longo de dois anos, já havia escrito 785 cartas. Para atender à demanda, fui orientada a incluir outros missionários, elaborando uma cartilha com orientações para o trabalho. Com isso, iniciei visitas a várias igrejas, o que resultou na formação de uma equipe de 191 missionários que atualmente atende mais de 250 unidades prisionais. Tive a honra de ser a primeira coordenadora (voluntária) do Projeto Grão de Mostarda, Capelania Prisional da Junta de Missões Nacionais (JMN) durante uma década, tendo escrito 8.850 cartas e contribuído para um total de mais de 20 mil correspondências – sementes de evangelização que Deus mesmo nutrirá para o crescimento do seu reino.
Por meio de sua Palavra, Deus nos fornece a estratégia para chegar a esses locais marcados por violência e solidão. A atividade de redigir cartas torna-se uma forma de terapia para os encarcerados, permitindo-lhes expressar emoções e auxiliando na melhoria da autoestima e do bem-estar físico. Os missionários são motivados a reconhecer seus dons e servir a Deus em sua seara, pois sempre existe um propósito enquanto vida houver. O Salmo 92.14 enfatiza que todos podem produzir frutos, independentemente da idade, e que nossas ações deixarão um legado duradouro. Que nossas vidas permaneçam dedicadas ao Senhor, até o dia final.
Versão ampliada do artigo Sempre existe um propósito enquanto vida houver, publicado na edição 419 de Ultimato.
Imagem: Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – A ARTE PRECISA DE JUSTIFICATIVA?
Os artigos da edição 419 de Ultimato ressaltam a “beleza de Deus” e o fato de termos sido feitos à sua imagem e semelhança, o que torna a arte (sua apreciação ou o fazer artístico) disponível para todos – “Sejam encanadores, coletores de lixo, taxistas ou CEOs, somos chamados pelo Grande Artista a cocriar. O Artista nos chama, a nós, artistas com ‘a’ minúsculo, para cocriar, para compartilhar a ‘irrupção celestial’ na terra quebrada” (Makoto Fujimura).
Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Como Anunciar o Evangelho entre os Presos – Teologia e prática da capelania prisional, Antonio Carlos Junior, Cristiano Rezende Franco, Elben César
» O Mundo – Uma missão a ser cumprida, John Stott e Tim Chester
» Aprender a Envelhecer, Paul Tournier
» Envelhecemos. A arte de continuar – edição 404 de Ultimato
»Cada carta um nome, uma história, alguém amado por Deus, por Márcia Mendes
Por Márcia Mendes
Desde meus 15 anos, eu tentava ler a Bíblia. Iniciava, mas não conseguia continuar, achando a leitura “monótona” e “difícil de entender”. Tentei novamente aos 16, 17 e 18 anos, mas foi aos 19, em junho de 1983, após um acontecimento triste, que me sentei na mesa da cozinha, peguei minha Bíblia e comecei a ler o Salmo 91. Eu via esse Salmo como uma forma de proteção, mas, de alguma maneira, a leitura dele não me trouxe satisfação total. Orei a Deus: “Eu realmente quero compreender a Bíblia!”. Então, tive uma experiência intensa, como se meu espírito se elevasse até o teto da cozinha, e eu me visse sentada à mesa com a Bíblia à minha frente. Do teto, observei a cena e, num instante, voltei ao meu corpo e comecei a ler a Bíblia, entendendo tudo o que estava escrito. Foi algo sobrenatural e inexplicável, como se uma obstrução tivesse sido removida dos meus olhos. Não sei quantos capítulos do Evangelho li naquela noite; fui avançando e Deus me proporcionava entendimento a cada palavra. Esse foi meu primeiro encontro com Jesus, mesmo sem saber quem ele realmente era.A partir daquele dia, Deus começou a colocar pessoas em minha vida para compartilhar o seu amor, o que me levou a me batizar e frequentar a igreja – o que faço há quase 42 anos. Em 1983, passei em um concurso público federal e, milagrosamente, trabalhei por quase todos os 34 anos em meio expediente, o que me permitiu dedicar mais tempo à obra de Deus.
Dois anos após minha conversão, mesmo sendo nova na fé, recebi o convite para ser professora de uma classe de Escola Bíblica Dominical para líderes da igreja. Aceitei o desafio, confiando em Deus. Por graça e força do Senhor, a experiência teve bom êxito. Como não colocar em prática a revelação divina que recebi ao clamar por compreensão da sua Palavra?
Minha família, sempre servindo a Deus, compartilhava comigo a comunhão na igreja e o trabalho na obra. Esses eram nossos objetivos comuns.
Durante uma gravidez de risco, mesmo em repouso total por sete meses, dediquei-me ao estudo da Palavra de Deus e até ousei, um dia, me levantar para pregar. Meditei sobre a rainha Vasti, que recusou o convite do rei Assuero. Isso me fez refletir sobre os convites e desafios que recebi do Rei Jesus. Posso afirmar que sempre respondi com fé, disposta a seguir e contribuir na missão de salvar e edificar vidas. Considero uma honra esse convite divino, que tem me permitido atuar em diferentes ministérios.

Em 2017, quando chegou o momento de me aposentar, tive receios iniciais, mas concluí que esse é um tempo de liberdade (o que mais valorizo) e de novas oportunidades – não de acomodação ou de se apagar para a vida.
Ao completar 50 anos, recebi um novo chamado bem claro: “Lembrai-vos dos presos” – foi uma instrução de Deus que escutei de maneira audível: eu deveria escrever correspondências a pessoas em situação de encarceramento, uma tarefa desafiadora. Comecei com 25 cartas que recebi do coordenador nacional de capelania prisional e, ao longo de dois anos, já havia escrito 785 cartas. Para atender à demanda, fui orientada a incluir outros missionários, elaborando uma cartilha com orientações para o trabalho. Com isso, iniciei visitas a várias igrejas, o que resultou na formação de uma equipe de 191 missionários que atualmente atende mais de 250 unidades prisionais. Tive a honra de ser a primeira coordenadora (voluntária) do Projeto Grão de Mostarda, Capelania Prisional da Junta de Missões Nacionais (JMN) durante uma década, tendo escrito 8.850 cartas e contribuído para um total de mais de 20 mil correspondências – sementes de evangelização que Deus mesmo nutrirá para o crescimento do seu reino.
Por meio de sua Palavra, Deus nos fornece a estratégia para chegar a esses locais marcados por violência e solidão. A atividade de redigir cartas torna-se uma forma de terapia para os encarcerados, permitindo-lhes expressar emoções e auxiliando na melhoria da autoestima e do bem-estar físico. Os missionários são motivados a reconhecer seus dons e servir a Deus em sua seara, pois sempre existe um propósito enquanto vida houver. O Salmo 92.14 enfatiza que todos podem produzir frutos, independentemente da idade, e que nossas ações deixarão um legado duradouro. Que nossas vidas permaneçam dedicadas ao Senhor, até o dia final.- Márcia Mendes, 60 anos, é missionária voluntária do Projeto Grão de Mostarda, da Capelania Prisional da Junta de Missões Nacionais.
Versão ampliada do artigo Sempre existe um propósito enquanto vida houver, publicado na edição 419 de Ultimato.
Imagem: Unsplash.
REVISTA ULTIMATO – A ARTE PRECISA DE JUSTIFICATIVA?Os artigos da edição 419 de Ultimato ressaltam a “beleza de Deus” e o fato de termos sido feitos à sua imagem e semelhança, o que torna a arte (sua apreciação ou o fazer artístico) disponível para todos – “Sejam encanadores, coletores de lixo, taxistas ou CEOs, somos chamados pelo Grande Artista a cocriar. O Artista nos chama, a nós, artistas com ‘a’ minúsculo, para cocriar, para compartilhar a ‘irrupção celestial’ na terra quebrada” (Makoto Fujimura).
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» Como Anunciar o Evangelho entre os Presos – Teologia e prática da capelania prisional, Antonio Carlos Junior, Cristiano Rezende Franco, Elben César
» O Mundo – Uma missão a ser cumprida, John Stott e Tim Chester
» Aprender a Envelhecer, Paul Tournier
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