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Opinião

O que há por trás de um músico?

Por Sérgio Pavarini
 
− Não somos católicos, mas temos a nossa vocalista Aparecida. 
− Só ouço o microfone daquele menino de barba. Voz horrível, aliás.
− Outra música antiga? Dá pra sentir o cheiro de naftalina!
− Horrível esse louvor novo. Não gostei.
− Quase meia hora em pé. Quando vamos poder sentar?
 
Poucos temas geram tanta polêmica nas igrejas como a música. Por extensão, os músicos estão sempre no meio das "tretas". Líderes inescrupulosos sabem que a posição de destaque é cobiçada e os exploram com uma agenda extensa, sem nenhum tipo de remuneração. Se a igreja é grande e midiática, a fila para participar é quase interminável.
 
Um médico nunca pergunta ao paciente se ele é evangélico para atendê-lo. Com o músico é diferente. Se ele tocar seu instrumento em qualquer outro lugar que não o templo, estará “em pecado” e ainda corre o risco de ser suspenso. Quantos abusos ainda serão cometidos sob o pretexto de “autoridade espiritual”?  
 
Conheço musicistas de primeira linha que aceitaram emprego em igrejas para ter um rendimento fixo. Embora tenham bons conhecimentos teológicos, sujeitam-se a ouvir todo tipo de heresia para garantir o sustento da família. O prato de lentilhas tem inúmeras formas nesses tempos tristes.       
 
Para me curar, para me ensinar
O caminho que devo seguir
Podes me usar, Senhor
Como tu bem queres
Abro o meu coração
 
“Nunca fiz um vídeo falando. Fiz vários vídeos cantando louvores. Pra ser bem sincero, não sinto mais nada cantando essas músicas. Cresci dentro de uma igreja. No entanto, cansei de chorar, de pedir ajuda. Cansei de procurar amigos e me senti usado...”
 
Ao clicar no vídeo, levei um susto ao ver a tristeza estampada no rosto do rapaz. À medida que foi ele abrindo o coração, a voz ficava cada vez mais embargada. Incomodado com a cena, pausei o vídeo e só algum tempo depois consegui assistir ao desabafo completo.
 
“Desculpem-me por não ser bom o suficiente. Quero deixar um abraço para quem gosta de mim. São poucas pessoas. Obrigado pelo carinho. Eu amo cada um de vocês. Tchau.” 
 
Ainda chorando, o moço mandou um beijo pra câmera e a desligou. Em seguida, postou o vídeo no Facebook. Quando as pessoas mais próximas viram a gravação, correram até a casa dele. Infelizmente, não havia mais o que fazer. Ele havia colocado um ponto final em sua curta existência.  
 
O “manual gospel de respostas prontas” sempre apontou o suicídio como “falta de Deus”. O número crescente de líderes e evangélicos que abreviaram a vida mostra que o simplismo frequentemente é desculpa de quem prefere explicações banais em vez de manifestar empatia.
 
Segundo Soren Kierkegaard, “a função da oração não é influenciar Deus, mas especialmente mudar a natureza daquele que ora”. Da mesma forma, creio que servir ao Eterno por meio da Arte é um inigualável instrumento de transformação. 
 
Investimos um tempo enorme em arranjos bonitos que às vezes serão executados por pessoas cuja desarmonia interna nos passa despercebida. Gente que sofre calada e sozinha por ter medo de expor suas fragilidades. Esquecem-se de que a Bíblia não esconde as fraquezas de seus heróis. 
 
Carimbar nos musicistas cristãos o rótulo de “problemáticos” não ajuda nenhum dos lados envolvidos. Eles precisam de um líder atento e amoroso que os inspire a crescer na fé e no caráter. Salientar apenas eventuais falhas cria um time inseguro e desmotivado. Aos que se sentem indignos depois de apanhar muito, Philip Yancey lembra que “a graça, assim como a água, corre para as partes mais baixas”. 
 
A presença do Pastor nos ajuda a atravessar os vales sombrios, mas essa companhia é mais bem sentida quando manifestada por meio do carinho de alguém. Quando foi o seu último abraço na galera do Ministério de Música? A bondade e misericórdia, que na tradução linda de Eugene Peterson vão “correr atrás de nós”, precisam de pernas e braços. Os seus e os meus. Podes me usar, Senhor!

• Sérgio Pavarini é jornalista, musicista e atua nas Redes Sociais. 

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