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O diário mais lido do mundo: guerra, família e sexualidade

Por Karol Coelho | Resenha

Muitas vezes, quando adolescente, tentei escrever um diário e, em todas elas, pensei em como escondê-lo para não correr o risco de alguém ler. Não foi o caso da jovem judia Anne Frank. Se estivesse viva, ela teria 90 anos de idade. O seu registro pessoal tornou-se um marco da literatura autobiográfica, com 35 milhões de cópias vendidas, em 70 línguas.
 
Ela ganhou o diário de presente da sua avó quando completou treze anos de idade e, inicialmente, escreveu sobre a escola, seus colegas de turma e o próprio diário, que deu o nome de Kitty. Afirmando não ter um amigo, ela faz do caderno sua confidente, apresentando-se como se estivesse construindo um relacionamento com uma pessoa nova.
 
Até que, diante do regime alemão, que tomou Amsterdam, na Holanda, onde vivia, Anne passou a se esconder com a sua família e outros judeus em um anexo do gabinete em que seu pai trabalhara. A partir da fuga para o esconderijo, a jovem passa a documentar a convivência com os pais, a irmã e a família Van Daan, entre 1942 e 1º de agosto de 1944. 
 
Já imaginou você confinado com a sua família, sem poder sair às ruas? Os conflitos são inevitáveis e, como demonstra desde as primeiras páginas, Anne não economiza palavras para analisar situações e descrever desavenças, sobretudo com a mãe – ela deixa claro que gosta mais do pai. Além disso, também conta os desafios para permanecerem em segredo e para manter atividades comuns, como estudar, celebrar aniversários e cuidar dos afazeres domésticos.
 
Racionamento de comida, roupas desgastadas que não servem mais, espaço limitado, falta de sol, saudade da gata, medo das bombas, fazer silêncio durante o dia para não serem descobertos… O que acompanhamos é a privação da liberdade como única alternativa para evitar a morte. 
 
“No futuro, vou dedicar menos tempo à sentimentalismo e mais tempo à realidade.”
Comentário acrescentado por Anne Frank em setembro de 1942
 
Além da perspectiva sobre a Segunda Guerra Mundial, as preocupações com o futuro e as brigas, é possível acompanhar o desenvolvimento da adolescente, que sem meias palavras aborda sua sexualidade. Peter Van Daan é um jovem que, após ser desprezado por Anne, aos poucos começa a chamar sua atenção, fazendo-a admirá-lo e a sentir algo que ultrapassa a amizade.
 
Acompanhando as notícias por meio do rádio, Anne se empenhou a escrever um diário que pudesse ser publicado, após ouvir uma transmissão que incentivava as pessoas a registrar eventos e guardar documentos relacionados à guerra – como diários e jornais –, pois os materiais poderiam ter significado importante após o término do regime.
 
O esconderijo foi descoberto em 4 de agosto de 1944 e foi neste dia que a garota deu o seu diário ao pai Otto Heinrich Frank. Todos foram levados para campos de concentração diversos. Anne morreu aprisionada, em Bergen-Belsen, no fim de fevereiro de 1945.
 
Com o fim da guerra e em liberdade, o pai lutou pela publicação dos textos da filha e realizou seu sonho, lançando “O Diário de Anne Frank” em 1947.
 
Foi justamente trechos com comentários ácidos e mais íntimos que ele censurou nessa primeira edição. A sociedade, segundo sua análise, não saberia lidar com o desabrochar de sua sexualidade, nem com os conflitos que a filha tinha com sua esposa. 
 
Posteriormente, os relatos foram integralmente publicados e continuam sendo lidos em todas as partes do mundo, fazendo-nos recordar o impacto que o preconceito pode ter nas nossas histórias, nos privando da liberdade e da vida.
 
• Karol Coelho, 28. Ama as nuvens e escreve poesias, algumas estão no seu livro "Estado Atmosférico". Membro do Projeto 242, é jornalista, formada principalmente pelas histórias do Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Escreve também para o blog Ultimato Jovem.

>> Conheça também o livro Mochila nas Costas e Diário na Mão, de Elben César
 

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