Opinião
16 de janeiro de 2026- Visualizações: 65
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O Deus das pequenas coisas: contemplação e simplicidade para 2026
Perceber o agir de Deus nas pequenas coisas é uma volta ao “primeiro amor”
Por Cynthia Muniz Soares
“Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste, pergunto: Quem é o homem, para que com ele te importes? E o filho do homem, para que com ele te preocupes?” (Salmo 8.3-4).
Um novo ano se inicia e, com ele, a oportunidade de estarmos mais atentos à nossa vida espiritual e, em especial, à presença e ação de Deus no mundo. Vivemos cercados de distrações e entretenimento; passamos horas contemplando telas, buscando coisas grandiosas, ansiando por reconhecimento e temendo ser apenas mais um na multidão – a busca da relevância.
Diante disso, acredito que há duas características fundamentais, disciplinas que devem ser cultivadas para uma vida mais sábia: a contemplação e a simplicidade. A contemplação é esse discernimento da realidade, uma percepção ativa que nos faz olhar as coisas simples e comuns como reveladoras de graça, capazes de alimentar a nossa fé.
Já a simplicidade nos liberta das muitas vozes que nos cobram, pressionam e consomem. Somos bombardeados por promessas de uma vida plena fundamentada no acúmulo: mais beleza, mais desempenho, mais coisas, mais tecnologia. Mas será que realmente precisamos de tanto para viver? No clássico A Liberdade da Simplicidade, Richard Foster afirma: “A graça cristã da simplicidade pode conduzir-nos ao centro de uma paz e de um poder serenos [...] Na simplicidade adentramos os profundos silêncios do coração para os quais fomos criados"1.
Essas afirmações não são novas. É claro que todos nós sabemos, intuitivamente, que a vida espiritual floresce no terreno do ordinário e do essencial. Ainda assim, como toda disciplina espiritual, precisamos ser lembrados para que ciclos viciosos sejam desfeitos e novos hábitos possam criar raízes e frutificar.
Juliana de Norwich, teóloga e mística da Igreja, aprendeu a perceber Deus nas pequenas coisas. Ao contemplar um objeto pequeno e arredondado, algo tão simples quanto uma avelã, viu ali o amor do Criador e resumiu sua visão em três realidades fundamentais: “Deus cria, Deus ama, Deus sustenta”2. Jesus, no Sermão do Monte, também nos convidou a olhar para a criação para encontrar paz em meio às ansiedades: um lírio do campo ou uma ave pairando no céu bastam para lembrar que não estamos desamparados – e que não precisamos de muito para viver.

Lembro-me do início da minha conversão, quando conseguia perceber o agir de Deus nas pequenas coisas, nos pequenos cuidados, nas provisões diárias. Com o tempo, as demandas da vida embaçam os olhos e tornam os ouvidos desatentos. Mas, de tempos em tempos, quando me percebo distraída, procuro retornar a esse lugar, a esse “primeiro amor”, capaz de enxergar as minúcias do cuidado divino.
Talvez esse seja o grande segredo da vida cristã: permitir que o nosso crescimento e maturidade espiritual caminhem lado a lado com a simplicidade de uma criança, que se alegra humildemente ao contemplar as obras do Pai e se deleita em seu amor. Delas é o reino dos céus. Em um mundo acelerado e complexo como o nosso, é importante treinarmos os olhos para a contemplação e encontrarmos gratidão nas coisas simples da vida, pois em Deus até o simples é algo extraordinário.
Que 2026 seja um ano dedicado a encontrarmos esse equilíbrio e a vivermos de forma mais leve e atenta, sabendo que Deus é tudo o que temos – e tudo de que precisamos.
Notas
1. FOSTER, Richard. A liberdade da simplicidade. São Paulo: Editora Vida, 2008.
2. NORWICH, Juliana de. Revelações do amor divino. Petrópolis: Editora Vozes, 2018.
Artigo publicado originalmente na edição 417 da Ultimato.
Imagem: Klênia Fassoni.
REVISTA ULTIMATO – LEMBREM-SE: ‘DEIXO COM VOCÊS A PAZ, A MINHA PAZ LHES DOU”
Durante a última ceia com os discípulos, Jesus se despede com palavras de paz: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não a dou como o mundo a dá. Não vos perturbeis, nem vos atemorizeis”.
Por meio dos artigos de capa desta edição, Ultimato quer ajudar o leitor a se lembrar dessa verdade. Para fazer frente aos dias difíceis em que vivemos.
É disso que trata a edição 417. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» O que há de novo no mundo de Deus?, por Lissânder Dias
» Comece o ano contando os dias, por Délnia Bastos
» O Caminho do Coração – Meditações diárias, Ricardo Barbosa
Por Cynthia Muniz Soares
“Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste, pergunto: Quem é o homem, para que com ele te importes? E o filho do homem, para que com ele te preocupes?” (Salmo 8.3-4).Um novo ano se inicia e, com ele, a oportunidade de estarmos mais atentos à nossa vida espiritual e, em especial, à presença e ação de Deus no mundo. Vivemos cercados de distrações e entretenimento; passamos horas contemplando telas, buscando coisas grandiosas, ansiando por reconhecimento e temendo ser apenas mais um na multidão – a busca da relevância.
Diante disso, acredito que há duas características fundamentais, disciplinas que devem ser cultivadas para uma vida mais sábia: a contemplação e a simplicidade. A contemplação é esse discernimento da realidade, uma percepção ativa que nos faz olhar as coisas simples e comuns como reveladoras de graça, capazes de alimentar a nossa fé.
Já a simplicidade nos liberta das muitas vozes que nos cobram, pressionam e consomem. Somos bombardeados por promessas de uma vida plena fundamentada no acúmulo: mais beleza, mais desempenho, mais coisas, mais tecnologia. Mas será que realmente precisamos de tanto para viver? No clássico A Liberdade da Simplicidade, Richard Foster afirma: “A graça cristã da simplicidade pode conduzir-nos ao centro de uma paz e de um poder serenos [...] Na simplicidade adentramos os profundos silêncios do coração para os quais fomos criados"1.
Essas afirmações não são novas. É claro que todos nós sabemos, intuitivamente, que a vida espiritual floresce no terreno do ordinário e do essencial. Ainda assim, como toda disciplina espiritual, precisamos ser lembrados para que ciclos viciosos sejam desfeitos e novos hábitos possam criar raízes e frutificar.
Juliana de Norwich, teóloga e mística da Igreja, aprendeu a perceber Deus nas pequenas coisas. Ao contemplar um objeto pequeno e arredondado, algo tão simples quanto uma avelã, viu ali o amor do Criador e resumiu sua visão em três realidades fundamentais: “Deus cria, Deus ama, Deus sustenta”2. Jesus, no Sermão do Monte, também nos convidou a olhar para a criação para encontrar paz em meio às ansiedades: um lírio do campo ou uma ave pairando no céu bastam para lembrar que não estamos desamparados – e que não precisamos de muito para viver.

Lembro-me do início da minha conversão, quando conseguia perceber o agir de Deus nas pequenas coisas, nos pequenos cuidados, nas provisões diárias. Com o tempo, as demandas da vida embaçam os olhos e tornam os ouvidos desatentos. Mas, de tempos em tempos, quando me percebo distraída, procuro retornar a esse lugar, a esse “primeiro amor”, capaz de enxergar as minúcias do cuidado divino.
Talvez esse seja o grande segredo da vida cristã: permitir que o nosso crescimento e maturidade espiritual caminhem lado a lado com a simplicidade de uma criança, que se alegra humildemente ao contemplar as obras do Pai e se deleita em seu amor. Delas é o reino dos céus. Em um mundo acelerado e complexo como o nosso, é importante treinarmos os olhos para a contemplação e encontrarmos gratidão nas coisas simples da vida, pois em Deus até o simples é algo extraordinário.
Que 2026 seja um ano dedicado a encontrarmos esse equilíbrio e a vivermos de forma mais leve e atenta, sabendo que Deus é tudo o que temos – e tudo de que precisamos.
Notas
1. FOSTER, Richard. A liberdade da simplicidade. São Paulo: Editora Vida, 2008.
2. NORWICH, Juliana de. Revelações do amor divino. Petrópolis: Editora Vozes, 2018.
- Cynthia Muniz Soares é bióloga, mestre em saúde pública, teóloga, especialista em teologia do Novo Testamento e pastora anglicana. Atualmente, é mestranda em estudos do Novo Testamento.
Artigo publicado originalmente na edição 417 da Ultimato.
Imagem: Klênia Fassoni.
REVISTA ULTIMATO – LEMBREM-SE: ‘DEIXO COM VOCÊS A PAZ, A MINHA PAZ LHES DOU”Durante a última ceia com os discípulos, Jesus se despede com palavras de paz: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não a dou como o mundo a dá. Não vos perturbeis, nem vos atemorizeis”.
Por meio dos artigos de capa desta edição, Ultimato quer ajudar o leitor a se lembrar dessa verdade. Para fazer frente aos dias difíceis em que vivemos.
É disso que trata a edição 417. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» O que há de novo no mundo de Deus?, por Lissânder Dias
» Comece o ano contando os dias, por Délnia Bastos
» O Caminho do Coração – Meditações diárias, Ricardo Barbosa
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