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Minoria muçulmana é alvo de limpeza étnica em Mianmar, diz ONU
Mais de 400 mil rohingyas fugiram para Bangladesh e estão vivendo em condições extremamente precárias com acesso limitado a cuidados de saúde, água potável, latrinas e alimentos. O deslocamento começou dia 25 de agosto quando iniciaram operações militares em Rakhine, Mianmar (antiga Birmânia), após uma nova série de ataques contra delegacias de polícia e uma base militar reivindicada pelo Exército de Salvação Arakan Rohingya (ARSA, em inglês).O grupo é vítima de perseguições e de graves violações de direitos humanos, que o alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Al Hussein, descreveu como uma limpeza étnica. Em uma declaração conjunta nesta terça (26), sete especialistas da ONU pediram ao governo de Mianmar, o fim de toda a violência contra a minoria muçulmana Rohingya.
“Houve alegações confiáveis de violações graves de direitos humanos e abusos contra a população Rohingya. Elas incluem execuções extrajudiciais, uso excessivo da força, tortura e maus-tratos, bem como violência sexual e de gênero e deslocamento forçado. Houve ainda a queima e destruição de mais de 200 aldeias Rohingya e de dezenas de milhares de casas”, disseram os especialistas.
Para chegar em Bangladesh, a maioria cruza a fronteira depois de dias, às vezes semanas, de um longa travessia: eles fogem a pé e caminham quase sem parar e sem se alimentar, até que normalmente atravessam em barcos pesqueiros o rio Naf, fronteira natural entre os dois países do Sudeste Asiático. Mais pessoas continuam essa travessia todos os dias. As necessidades urgentes incluem alimentação, água, saneamento, abrigo e assistência médica.
Ajuda humanitária
Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), várias organizações humanitárias internacionais estão pedindo acesso imediato e sem restrições, inclusive para funcionários internacionais, para aliviar as necessidades humanitárias maciças no estado de Rakhine, em Mianmar.
O governo de Mianmar formulou e divulgou acusações contra as Nações Unidas e ONGs, negando as autorizações necessárias de viagem e atividade, além de difundir declarações e ações ameaçadoras de grupos extremistas. Tudo isso impede que todos os trabalhadores humanitários independentes forneçam a assistência necessária. Além disso, o norte de Rakhine foi declarado zona militar pelo governo de Mianmar, resultando em restrições administrativas e de acesso ainda mais severas.
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