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Opinião

Jeitinho brasileiro: o berço da corrupção?

Por Paulo F. Ribeiro
 
Podemos simplesmente dividir as pessoas entre as corruptas e as não corruptas? Às vezes não é uma questão de circunstâncias em que boas pessoas não corruptas são envolvidas em esquemas criminosos? Ou será que algo positivo em nossa formação cultural de flexibilidade e contentamento é extrapolado e corrompido e nos leva a agir e cair no ilegal? 
 
A realidade é que a corrupção não é apenas algo de nossa cultura, mas sim da natureza humana, que pode e deve ser combatido desde o berço. Nesse sentido a educação doméstica, escolar e universitária contribuem para corrigir ou reforçar hábitos. Sem a ajuda de hábitos e emoções treinadas, o intelecto sabe o que fazer, mas não tem poder contra nosso organismo animal.
 
Enquanto a mente sabe o que é certo ou errado, se não houver um desejo correspondente no coração, as emoções corretas, o amor e a disposição para fazer o certo, nenhuma proporção de razões óbvias nos levará a agir corretamente. Isto é, somente quando o coração, local das emoções e sentimentos, é corretamente treinado de acordo com valores morais objetivos, ele será capaz de controlar os apetites básicos da nossa natureza caída. 
 
A luta contra a corrupção exige um esforço contínuo. Exige que sejamos chatos, inconvenientes, puritanos, inflexíveis, caxias etc.
 
Mas a maior luta é contra o desejo que está entre aqueles mais populares e poderosos da nossa comunidade e sociedade. Esse desejo nos persegue desde a infância até a velhice. Essa distorção de desejos é a fonte primária não só da corrupção, mas de muitos outros males. 
 
A corrupção e as propinas não acontecem de repente, de forma dramática. É um processo, na maioria das vezes, lento. Começa com "vamos resolver isso com jeitinho"; "não é muita coisa"; daí vai cada vez ficando pior – até que um dia a polícia federal faz busca e apreensão na nossa casa.
 
Dado o colapso moral de nossa cultura, clamamos em vão por qualidades que parecem impossíveis de serem obtidas pela sociedade. Protestamos contra a grande corrupção, mas achamos que o jeitinho, mesmo ilegal, não é problema, e a rachadinha é ok. 
 
Como diz C. S. Lewis, o autor de A Abolição do Homem: “removemos o órgão e exigimos a função. Castramos e exigimos que haja reprodução”.[1] Em outras palavras, nos irritamos com os intransigentes contra qualquer jeitinho, e ficamos chocados quando encontramos um corrupto no nosso meio. 
 
Lembro de algo que meu sogro me contou, quando era pastor no interior do Paraná, sobre um membro da igreja que foi para posições altas na política. Ele sempre perguntava a essa pessoa (a pedido dela) quando voltava na cidade: “o irmão já aceitou propina?”. A luta contra a corrupção demanda o esforço da comunidade, além do indivíduo. 
 
A Suécia já foi um dos países mais corruptos do mundo e hoje se encontra entre os dez países com menor índice de corrupção. Essa mudança exige um comprometimento individual e coletivo com a integridade, que vai da construção de um Currículo (Lattes) até a preparação do Imposto de Renda. 
 
Se não desenvolvermos defesas para controlar estas tentações, será impossível que a mesma fique apenas em uma área, e o princípio fatal, uma vez permitido, mais cedo ou mais tarde deve infiltrar-se por toda a nossa vida. 
 
Vimos nos últimos anos no Brasil que aqueles políticos, religiosos e cidadãos comuns que eram contra a corrupção estavam entre os mais corruptos, e a hipocrisia de todos foi exposta abertamente. 
 
Portanto, vamos fazer tudo para manter a guarda e ter respostas básicas. Mais uma vez, o autor de A Abolição do Homem nos ajuda quando diz que certas respostas básicas são parte  “das primeiras necessidades da vida humana", provenientes de "um delicado equilíbrio de hábitos treinados, laboriosamente adquiridos e facilmente perdidos".[2]
 
Finalmente, como disse outro dia um amigo, a corrupção não é consequência do jeitinho brasileiro, mas o jeitinho é consequência da corrupção inerente à nossa natureza humana caída. 
 
Êxodo 32:8 diz: “também suborno não aceitarás, pois o suborno cega os que têm vista, e perverte as palavras dos justos”. 
 
Nota
[1], [2] C. S. Lewis, A Abolição do Homem, 1943 (edição brasileira 2017).

Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, foi Professor em Universidades nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Holanda, e Pesquisador em Centros de Pesquisa (EPRI, NASA). Atualmente é Professor Titular Livre na Universidade Federal de Itajubá, MG. É originário do Vale do Pajeú e torcedor do Santa Cruz.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao

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