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Opinião

Generosidade: o que a Bíblia ensina sobre isso

Por Vilson Scholz
 
Há uma interessante história ligada à vida de um presidente dos Estados Unidos, do começo do século 20, conhecido como um homem de poucas palavras. Dizem que uma vez ele foi ao culto, sem a companhia da esposa, que, por algum motivo, ficou na Casa Branca. Ao voltar, o presidente foi indagado pela esposa quanto ao tema ou assunto da pregação. A resposta lacônica foi: “Pecado”. A esposa quis saber o que o pregador teria dito a respeito. E o marido, econômico nas palavras como sempre, respondeu: “Ele é contra”.
 
Se perguntarmos o que a Bíblia tem a dizer sobre generosidade, a resposta lacônica e simples só poderá ser: “Ele é plenamente a favor”. Se alguém conhece, ainda que de forma superficial, a história do bom samaritano e sabe que é uma história bíblica, já poderá concluir que o padrão bíblico é ajudar os outros, e isto com generosidade. 

Ao abordar o tema da generosidade, um enfoque simples e seguro é fazer um levantamento do uso do termo na Bíblia, com a ajuda de uma concordância bíblica. No entanto, os resultados podem variar, dependendo da tradução da Bíblia que se consulta. No caso específico de “generosidade”, a Nova Almeida Atualizada (NAA) registra 13 ocorrências. A Nova Versão Internacional (NVI) fica em doze. Na Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH), o número baixa para sete. Quanto a “generoso”, a NAA e a NTLH usam o termo sete vezes, ao passo que a NVI traz esse termo cinco vezes.

E, é claro, existe a conhecida “falácia da concordância”. Consiste em pensar que um assunto só aparece na Bíblia nas passagens em que o termo específico é usado. Para evitar a falácia, é necessário considerar passagens bíblicas que tratam do assunto, mesmo sem o emprego do termo “generosidade”. Nos pontos listados a seguir, que não esgotam o assunto, farei as duas coisas: citarei textos que trazem o termo específico e incluirei passagens importantes em que “generosidade” e “generoso” não aparecem diretamente. As citações são tiradas da Nova Almeida Atualizada.
 
1. Deus é generoso. Foi generoso ao criar. O salmista exclama: “Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! Fizeste todas elas com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas” (Sl 104.24). 
 
2. Deus é generoso no cuidado pela criação. O salmista afirma que os olhos de todos os seres vivos esperam em Deus e que ele, a seu tempo, lhes dá o alimento (Sl 145.15). Nesta mesma linha, Jesus dirige nosso olhar para as aves do céu, que não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros. “No entanto”, diz Jesus, “o Pai de vocês, que está no céu, as sustenta” (Mt 6.26).
 
3. Deus é aquele “que a todos dá com generosidade e sem reprovações” (Tg 1.5). Por isto, se alguém necessita de sabedoria, deve pedi-la a Deus. Este é um dos poucos textos bíblicos em que o termo “generosidade” é conectado com a ação de Deus. O tema da generosidade divina aparece também na parábola dos trabalhadores na vinha, em Mateus 20.15. Ali, o dono da vinha (que representa Deus em Cristo) pergunta: “Será que não me é lícito fazer o que quero com o que é meu? Ou você ficou com inveja porque eu sou bom?”.

4. Jesus Cristo, “sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que, por meio da pobreza dele, vocês se tornassem ricos” (2Co 8.9). O termo “generosidade” não é usado, mas cabe perguntar se haveria generosidade maior do que um rico se tornar pobre para enriquecer os outros? Num contexto em que Paulo fala sobre o recolhimento de fundos para ajudar os cristãos pobres da Judeia, a metáfora do Cristo rico que se fez pobre é mais do que apropriada.
 
5. Quando se trata de uma pessoa generosa, logo se pensa na viúva pobre (Lc 21.2-4), que ofertou os últimos recursos que tinha. Mas antes dela, em Lucas 19, aparece um rico chamado Zaqueu, o publicano. Na presença de Jesus, resolveu dar a metade dos bens aos pobres, além de restituir quatro vezes mais o que eventualmente teria roubado. A restituição estava prevista na Lei (Êx 22.1), mas abrir mão da metade dos bens foi um ato de pura generosidade. Na visão do evangelista, Zaqueu é um bom modelo do homem rico que se torna discípulo de Jesus. Nesta mesma linha, mas sem estipular porcentagem, o texto de 1 Timóteo 6.17-19 estimula os ricos deste mundo a serem “ricos em boas obras, generosos em dar e prontos a repartir”.  

6. Em geral, generosidade é inversamente proporcional à disponibilidade de recursos. Dito de forma direta, os pobres tendem a ser mais generosos do que os ricos. Um bom exemplo disso são as igrejas da Macedônia, citadas em 2 Coríntios 8. Manifestando abundância de alegria, “a profunda pobreza deles transbordou em grande riqueza de generosidade” (2Co 8.2). Paulo usou este exemplo para mover os mais afortunados cristãos de Corinto a se mexer e concluir a coleta que haviam iniciado um ano antes. O apóstolo deixa claro que, além da conclusão do projeto, esperava uma contribuição que fosse “expressão de generosidade e não de avareza” (2Co 9.5). Aos cristãos de Roma, o mesmo apóstolo lembra o dom de contribuir, e acrescenta: “o que contribui, com generosidade” (Rm 12.8).

7. “O cobiçoso cobiça todo o dia, porém o justo dá com generosidade” (Pv 21.26). O oposto da generosidade é a cobiça. A parábola do rico tolo (Lc 12.13-21) é advertência a quem “ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para com Deus”. O livro de Provérbios tem muito a dizer sobre o mesmo tema. Por trás de cada provérbio existe uma experiência de vida. “Uns dão com generosidade e têm cada vez mais; outros retêm mais do que é justo e acabam na pobreza” (Pv 11.24). Nem sempre poderá ser assim, mas há muitas histórias que confirmam a veracidade do provérbio.
 
8. Generosidade não é barganha com Deus. Malaquias 3.10 – “Ponham-me à prova nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não lhes abrir as janelas do céu e não derramar sobre vocês bênção sem medida” –  e 2 Coríntios 9.6 – “o que semeia com fartura também colherá com fartura” – não são propostas divinas de um “toma lá dá cá”, mas incentivos a ofertantes e doadores temerosos. Deus está dizendo: “Seja generoso. Não vai faltar para você, porque eu não deixarei que falte”.
 
9. Talvez seja arriscado dizê-lo, mas, além de ser generoso com os outros, cabe também ser generoso consigo mesmo. O texto de Eclesiastes 4.7-8, em especial o trecho marcado em itálico, sugere esta conclusão. Diz assim: “Então considerei outra vaidade debaixo do sol: um homem sem ninguém, que não tem filhos nem irmãos, mas que não cessa de trabalhar e cujos olhos não se fartam de riquezas. E ele não pergunta: Para quem estou trabalhando, se não aproveito as coisas boas da vida? Também isto é vaidade e enfadonho trabalho”.
 
10. Sempre é bom arrematar com uma palavra de Jesus, ainda mais se é uma palavra que nem sempre é lembrada, por não estar nos Evangelhos. Em Atos 20.35, num contexto em que fala de sua ética de trabalho e de socorro aos necessitados, Paulo lembra as palavras de Jesus: “Mais bem-aventurado é dar do que receber”.

• Vilson Scholz é pastor e professor de Teologia Exegética, tem mestrado e doutorado na área do Novo Testamento. Consultor de Tradução da Sociedade Bíblica do Brasil, Scholz é professor da Universidade Luterana do Brasil, em Canoas (RS), tradutor do Novo Testamento Interlinear Grego-Português (SBB) e autor de Princípios de Interpretação Bíblica (Editora da Ulbra).

 

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