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Opinião

C. S. Lewis na capa da revista Time

Por Paulo Ribeiro

Há exatos 79 anos C. S. Lewis ocupava a capa da revista mais influente do mundo

Em 8 de setembro de 1947, C. S. Lewis estampou a capa da revista TIME. Tenho a sorte de possuir um exemplar original daquela edição — o mesmo que aparece nesta fotografia.

Lewis tinha apenas 48 anos na época. A capa, ilustrada por Boris Artzybasheff, retrata-o entre a presença simbólica de um anjo e de um demônio — uma alusão a Cartas de um Diabo a seu Aprendiz (The Screwtape Letters) e ao título memorável da matéria: "Don v. Devil" (O Professor contra o Diabo).

Considero particularmente significativas as palavras provocativas impressas abaixo de seu retrato: "Sua heresia: o Cristianismo". A frase é deliberadamente paradoxal. A "heresia" de Lewis não consistia em um afastamento do cristianismo histórico, mas sim em sua disposição de afirmá-lo e defendê-lo em uma cultura intelectual na qual a crença cristã tradicional era cada vez mais vista como algo ultrapassado ou intelectualmente inaceitável. Ele demonstrou que a fé poderia dialogar com a razão, a imaginação e as questões mais profundas da existência humana.

Naquela altura, Lewis já exercia uma influência notável sobre os leitores americanos, embora nunca tivesse visitado os Estados Unidos. A TIME descreveu-o como uma das vozes cristãs mais influentes do mundo de língua inglesa. Seus livros haviam vendido mais de um milhão de exemplares, e Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, por si só, já contava com 14 tiragens nos Estados Unidos.

Curiosamente, isso ocorreu três anos antes da publicação de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e cinco anos antes de Cristianismo Puro e Simples (Mere Christianity) ser lançado em volume único.

Só conheci os escritos de Lewis em 1975 — 28 anos após a publicação daquela capa. Na época, eu jamais poderia imaginar o quanto suas obras influenciariam profundamente minha fé, meu pensamento, meu ensino e minha compreensão da vida acadêmica.

Essa revista antiga me lembra que, às vezes, os livros aguardam pacientemente, atravessando gerações, até nos encontrarem — e que, quando isso acontece, podem nos acompanhar pelo resto de nossas vidas.

Leia mais:
> Deus em Questão - C. S. Lewis e Freud, Armand Nicholi
> C. S. Lewis, Richard Dawkins e o Sentido da Vida, Alister McGrath


Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, foi Professor em Universidades nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Holanda, e Pesquisador em Centros de Pesquisa (EPRI, NASA). Atualmente é Professor Titular Livre na Universidade Federal de Itajubá, MG. É originário do Vale do Pajeú e torcedor do Santa Cruz.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao

Pesquisa publicada recentemente aponta os cientistas destacados entre o “top” 2% dos pesquisadores de maior influência no mundo, nas diversas áreas do conhecimento. Destes, 600 cientistas são de Instituições Brasileiras. O Professor Paulo F. Ribeiro foi incluído nesta lista relacionado a área de Engenharia Elétrica.
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