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Opinião

As cidades de São Luis

Foto: Carolina Costa/Folhapress. Azulejos portugueses e ingleses do século 18 encontrados no casarão colonial em São LuísOs franceses a invadiram em 1612 e homenagearam o seu rei. Mas “Upaon Açu” ou “ilha grande” já era habitada havia séculos por guajajaras, tupinambás, kanelas e timbiras. Os portugueses proprietários da capitania do Maranhão expulsaram os franceses conquistando o controle da ilha em 1615 e subjugaram os índios.
 
Além destes, os caboclos mestiços, os negros escravizados, os brancos portugueses católicos efetivaram a sua ocupação, marcada por conflitos, negociações e violências. São Luis surgiu como resultado da expansão colonialista europeia. A Europa vivia o período após as guerras religiosas entre protestantes e católicos. Em 1642 foi invadida pelos reformados holandeses que adentraram a região à procura de riquezas, mas os portugueses a reconquistaram.
 
De entreposto colonizador, comercial e base do início da cristianização indígena por parte de capuchinhos e jesuítas, a cidade “fundada” na ilha foi identificada por diferentes referências na sua secular história de 400 anos.
 
Tornou-se a “cidade dos casarões” com seus azulejos portugueses colados com óleo de baleia dos fins do século XVIII no período pombalino. Foi chamada de a “Atenas Brasileira” devido à geração de grandes literatos e intelectuais, como Gonçalves Dias e Aluísio Azevedo no século XIX. Esta distinção cultural se estendeu com o surto de crescimento econômico na passagem do império/república, pois do porto da Praia Grande saíam o algodão e os tecidos das suas fábricas.
 
Por conta das revoltas populares e das mobilizações estudantis passou a ser identificada como “ilha rebelde”, também pelo fato de não eleger candidatos ligados ao grupo ou à oligarquia de José Sarney. Por sua vez, com a apropriação musical do ritmo do reggae nos anos de 1970 e o advento das “radiolas” nas suas periferias, colocou-se como a “capital do reggae”, com forte participação popular.
 
Como emblema da diversidade cultural e artística, a cidade está situada na “ilha do amor”. Entremeada por baías e braços de rios que formam um lindo litoral, foi e ainda é a “cidade dos pescadores”, resistentes aos avanços da especulação imobiliária e sujeitos aos ritmos das marés. Afirma a lenda escatológica que a serpente dormindo nas profundezas da cidade despertará no fim dos tempos com o retorno do rei Sebastião de Portugal e se transformará numa “cidade submersa”.
 
Cada uma destas designações são invenções que não descrevem a totalidade de uma cidade que possui várias cidades numa só. São Luis é São Luis e nisto está a sua grandeza, expressa na diversidade de culturas, tradições e devoções. Entretanto, duas outras representações inspiradas nas escrituras podem ser acrescentadas por parte de um dos seus moradores desde 1995, que aprendeu a amá-la e a respeitá-la em suas contradições e belezas.
 
A bela São Luis poderia ser chamada de “cidade refúgio”, equivalente às cidades no antigo Israel. Ao receber a vinda de centenas de milhares de migrantes do interior do estado nas décadas de 1970-1980, resultado do avanço dos conflitos gerados pelo latifúndio, acolheu aos refugiados da injustiça social no campo. As periferias e as palafitas foram os espaços criados onde floresceram igrejas e comunidades pela força do evangelho.
 
Por isso, poderia ser chamada de “cidade da paz” por causa do Evangelho da Paz que tem sido crido e aceito por pessoas que vivem e anunciam o Reino de Deus. Uma paz manifesta nos ainda relativamente baixos índices de violência urbana, se comparados com a média das cidades brasileiras e por causa do povo potencialmente conciliador nas suas relações.
 
Que o povo de Deus ore por sua paz, construa nela a justiça e viva a esperança da vinda do Reino a ser consumado. Pois o Senhor da vida a desperta todas as manhãs para ouvir da Sua graça e envia os seus profetas para anunciar a Sua misericórdia. Como nos ensina o apocalipse, a ainda hegemônica Babilônia, a cidade luxuosa e decaída, não prevalecerá na história contra a nova Jerusalém que está sendo construída na resistência do Evangelho do Reino.
 
Atravessar a ponte do São Francisco sobre a baía da São Marcos ao cair da tarde é um dos espetáculos mais belos que os olhos de alguém podem ver.
 
Parabéns, São Luis.

Nota:
São Luis do Maranhão, considerada patrimônio mundial da humanidade, completou 400 anos neste sábado, dia 08 de setembro. A comemoração contou com um bolo de 400 metros e distribuição de guaraná “Jesus” - um dos ícones da cidade.

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Foto: Carolina Costa/Folhapress. Azulejos portugueses e ingleses do século 18 encontrados no casarão colonial em São Luís
Lyndon de Araújo Santos é historiador, professor universitário e pastor da Igreja Evangélica Congregacional em São Luís, MA. Faz parte da Fraternidade Teológica Latino-americana - Setor Brasil (FTL-Br).
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