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Opinião

Tráfico de pessoas: o que a igreja pode fazer?

Na Bíblia
O tráfico de pessoas não é um assunto novo. De fato, esse é um fenômeno cuja prática, na antiguidade, era associada às muitas guerras e à cultura predominante da época que considerava normal escravizar, vender e trocar prisioneiros de batalhas. Essa era uma atividade que tinha amparo legal.
Na Bíblia, é possível encontrar inúmeros casos de nação invadindo e escravizando nação; e de povos vencidos sendo desterrados e explorados pelos vencedores. Exemplos disso: os hebreus sofreram com trabalhos forçados no Egito e o próprio Israel padeceu deportações sob os domínios babilônico e assírio.
A Bíblia registra com naturalidade que Agar era uma escrava (Gn 17.26-27; 16.16) e que Labão negociou e vendeu suas filhas (Gn 31.15). Por outro lado, a Bíblia também registra com riqueza de detalhes denunciantes a venda de José por seus irmãos (Gn 37.13-30). Aquela era uma sociedade patriarcal. Consequentemente, o mundo era dos homens, e o valor da mulher estava na sua capacidade de “produzir” filhos (observe o desespero daquelas que eram consideradas estéreis), comida e vestuário. Isso choca a nossa mentalidade pós-moderna. Mas, aqueles eram outros tempos.

Tráfico de pessoas: o que é isso?
A definição de tráfico de pessoas da ONU é ampla e inclui todo e qualquer ato de recrutamento, coerção, rapto, engano, escravização, comercialização e exploração de pessoas em “posição de vulnerabilidade”, mesmo que supostamente elas deem consentimento para isso. As pesquisas apontam que em regiões e países mais pobres, onde as oportunidades de trabalho e de desenvolvimento educacional são mais precárias, principalmente os mais jovens encontram-se em situação de risco. Além do mais, esse é considerado o 3º mais rentável negócio ilícito do mundo – movimenta cerca de US$ 32 bilhões por ano -, perdendo somente para o tráfico de drogas e de armas.

O tráfico de pessoas hoje no mundo
Se no mundo antigo traficar pessoas era normal e legal, a partir do século 19 iniciaram-se esforços para eliminar as redes internacionais do comércio de negros escravizados e traficados da África, bem como de mulheres conduzidas para trabalharem como prostitutas nas colônias. Apesar de todo desse esforço, o desafio ainda perdura. E hoje, como na antiguidade, as mulheres continuam sendo as maiores vítimas do tráfico humano tanto para exploração sexual como para trabalhos forçados. De fato, o ultimo Relatório Global sobre o Tráfico de Pessoas (2016) denunciou que 71% das vítimas são mulheres e meninas, geralmente traficadas para exploração sexual, trabalhos degradantes e forçados, casamentos coagidos e pornografia. Mas há também quem seja traficado para adoção ilegal e venda de órgãos. Em termos de áreas geográficas, cerca de 64% das vítimas de tráfico vêm da África Subsaariana, da América Central e do Caribe. Geralmente são atraídas com promessa de trabalho divertido e garantia de ganhar dinheiro fácil e rápido.

O tráfico de pessoas na América do Sul e Brasil
As estatísticas apontam que na América do Sul a grande maioria das vítimas também é formada por mulheres (45%) e crianças (40%). Aqui, como em outras regiões, as pessoas são traficadas para trabalhos análogos à escravidão, adoção ilegal, exploração sexual, venda de órgãos, assim como para a produção de materiais pornográficos. O Brasil é considerado o campeão de “exportação” de mulheres e crianças para fins diversos – especialmente para a prostituição e adoção ilegal. Por aqui também não têm sido poucos os casos de trabalho análogo ao de escravos na indústria da confecção envolvendo bolivianos e peruanos, entre outros. Na verdade, o Ministério Público tem notado, desde 2010, um crescimento do número de vítimas de tráfico. As autoridades já mapearam a existência de 241 rotas de tráfico de mulheres e adolescentes para a exploração sexual. Quanto mais pobre a região maior a existência do número de rotas. O Norte (28,63%) e o Nordeste (31,53%) concentram juntos mais de 60% das rotas conhecidas.

O que podemos fazer como Igreja?
A Igreja é um dos poucos grupos sociais organizados presente em todos os municípios, estados e camadas da sociedade. Igualmente, a Igreja tem como referência a tradição profética de anunciar a justiça, de denunciar a tirania, a iniquidade e de buscar proteger os mais vulneráveis. Acrescente-se a isso o mandamento de Jesus para que sejamos “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5.13-14), o seu modelo de proteção e bênção às crianças (Mc 10.13-16) e sua defesa de mulheres em situação de vulnerabilidade (Jo 8.1-11; Mt 26.6-13). Com isso em mente, sugiro que a Igreja pode e deve:
1. Contribuir para o estabelecimento de políticas públicas que visem eliminar o tráfico de pessoas e suas ramificações – o combate ao trabalho escravo, à adoção ilegal, a exploração sexual.
2. Disponibilizar nos seus templos e boletins informativos os telefones para denúncias (Disque 100 ou Ligue 180).
3. Conscientizar seus membros e congregados sobre a temática através dos púlpitos, escolas dominicais e pequenos grupos.
4. Alertar a população sob sua influência para que desconfie de empregos oferecidos no Brasil ou no exterior que oferecem facilidades.
5. Apoiar instituições como o Exército de Salvação, a Visão Mundial e outras que trabalham no front do combate ao tráfico de pessoas.

Internacionalmente o Exército de Salvação trabalha para o estabelecimento de leis que visam eliminar o Tráfico de Pessoas e ao mesmo tempo fornece refúgio imediato às vítimas, ajudando-as de forma holística a passar de um estado de vitimização da escravidão para a autossuficiência centrada em Deus.

Maruilson Souza, doutor em educação teológica (PhD), membro do Conselho Internacional de Teologia, secretário nacional de educação do Exército de Salvação no Brasil e coordenador do 3º Simpósio Brasileiro de Justiça Social, a ser realizado no período de 11 a 14 de junho de 2020.

>> Conheça o livro Os Cristãos e os Desafios Contemporâneos, Editora Ultimato.

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» Estados da Amazônia estão entre os dez com mais casos de tráfico humano

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