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Opinião

A vitória de Barack Obama, a crise e a democracia

Entre os dois partidos há uma percentagem de eleitores independentes, que ora pende para um lado, ora para o outro. O desastre da gestão de Bush Jr. (apenas 20% de aprovação), com a ideologia neoconservadora do mercado livre, a síndrome do cowboy e uma face extremista, parece ter se esgotado. Bontempo bem nos lembra que foi eleito um presidente e não um pastor ou um diácono, e que há pecado em cada partido. O povo norte-americano, em seu conjunto, continua voltado para si mesmo, com um mínimo de informações sobre o mundo lá fora (continuo afirmando que a minha língua materna não é o espanhol, nem a capital do Brasil é Buenos Aires).

Desde a queda do Muro de Berlim, e mesmo com as rachaduras do muro (wall street), há uma ordem imperial (por alguns considerada “benevolente”) norte-americana: cultural, econômica e militar. Todas as nações buscam em primeiro lugar os seus interesses, ainda mais quando se trata de uma potência imperial. Não podemos esperar milagres de Obama para um mundo em crise, e nem que ele prejudique seus interesses. Porém, os efeitos de uma oxigenação na atmosfera cultural do mundo, e alguma medida de multilateralismo, isso sim, creio que veremos. O Brasil e os chamados “países emergentes” que busquem maximizar os seus ganhos na nova conjuntura.

O velho pensador católico romano Alceu do Amoroso Lima nos falava de um mundo polarizado entre uma busca pela justiça social à custa da liberdade e um mundo que pretensamente buscava a liberdade à custa da justiça social. O comunismo se foi, mas ainda falta o capitalismo ser substituído por um sistema econômico solidário, com o empoderamento de todos os cidadãos.

Winston Churchill, que presidiu um gabinete de unidade nacional durante a Segunda Guerra Mundial, afirmou que: “A Democracia é o pior dos regimes, salvo todos os demais”. O emblemático é que Churchill era chegado a um whisky, não largava o seu charuto, e não foi um modelo de castidade. Enquanto isso, o seu oponente, Adolf Hitler, não fumava, não bebia, era monógamo e vegetariano (podia até se qualificar para a igreja adventista...). Churchill, depois da guerra, e de muitos comícios ralos, não foi reeleito. Hitler arrastava multidões nas paradas de Nuremberg. Fica o julgamento da história sobre quem foi um estadista.

Em Pernambuco, nos anos 1950, o governador Agamenon Magalhães era proprietário de um jornal, que, obviamente, defendia seu governo. Todas as manhãs, porém, tomava o seu desjejum lendo o jornal da oposição, para conhecer os seus críticos e suas alternativas, o que, em decorrência, o tornava um melhor administrador. Por isso, por um tempo, fui assinante do jornal do Vaticano (Ossevatore Romano) e o do Partido Comunista (Voz da Unidade).

A democracia política, sem dúvida, foi revigorada com a eleição de Obama. O que ainda precisamos avançar, em todo o mundo, é com uma democracia social e econômica. No fundo, a democracia é um pacto social de convivência entre pessoas e grupos diversos, sob o império da lei (Estado de Direito), sem que haja privilégios ou perseguições. No entanto, o preconceito, o ódio, e a exploração só podem ser erradicados do coração humano pelo milagre vindo do céu, o qual tem em nós cristãos a possibilidade do novo homem, que se torna, inclusive, um cidadão mais responsável.
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Foi bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política — teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo — desafios a uma fé engajada. Faleceu no dia 26 de fevereiro de 2012 em Olinda (PE). 
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