Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Notícias

A redação do ENEM e a intolerância religiosa

Tendo em vista alguns acontecimentos recentes envolvendo questões religiosas, como a série de atentados em Paris e o caso da jovem que usava roupas brancas – características de alguns rituais de origem africana –, e foi apedrejada no Rio de Janeiro, o tema "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, escolhido pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) para a redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) na última semana, não causou surpresa.

Durante o I Congresso Internacional de Ciências da Religião da Universidade Mackenzie, Ultimato ouviu o historiador e pós-doutor em História da Educação, Paulo de Assunção, sobre o assunto. Para o professor Paulo, que coordenou a mesa "Religião e os desafios da sociedade contemporânea", a cobrança de uma proposta resolutiva do candidato talvez não seja a melhor opção para o contexto do exame e para um tema como esse. Seria preciso incitar o pensamento crítico antes de propor respostas: “Assim não se coloca em jogo ideias reflexivas. O que seria essa intolerância? Como entender esse fenômeno?”.

Pensando em um exame que surgiu para avaliar o desempenho dos estudantes que concluíram o ensino médio, essa exigência do apontamento de soluções na redação “revela que nossa sociedade quer respostas, de qualquer maneira, a qualquer custo. E coloca sobre o jovem, a responsabilidade da busca por esse caminho. Não é em um sistema de avaliação como o Enem que isso deveria ser feito”, continua o historiador.

Para o professor Paulo, essa captação de ideias e abordagens poderia ser feita na sala de aula, com diálogo, com troca de experiências entre os alunos. E, além disso, é preciso pensar também em como o ensino sobre “religiões” vem sendo tratado no país: “Há uma má qualificação profissional dos docentes que atuam nessa área no ensino público, com muitas falhas. Uma delas, o fato de se formarem no ensino superior com deficiência nessa área, sem terem contato com um discurso específico e cuidadoso em relação à religião e, então, reproduzirem defasagens e estereótipos”.

É preciso cuidado e atenção à qualificação de quem trabalha nos ensinos fundamental e médio, atuando na formação dos indivíduos. Segundo o professor, “quem vai entrar na discussão de temas religiosos são professores de Geografia e História, abordando essa temática a partir de um certo enfoque, como messianismo, Reforma Protestante, II Guerra Mundial e massacres; e cada um a partir de uma escola de leitura”.

Intolerância em contextos diferentes

É preciso ainda pensar a intolerância religiosa em um contexto amplo. “É a tolerância religiosa do judeu em relação ao católico? Do católico em relação ao protestante? Do protestante em relação ao muçulmano?”. Para o historiador, cada cenário terá contornos diferentes, sendo sempre uma via de mão dupla.

Apesar dos atentados e outras formas de violência física tomarem as manchetes dos noticiários, é válido lembrar que a intolerância religiosa pode ocorrer também pela agressão verbal, psicológica e simbólica.

Em certas religiões, é possível falar de intolerância até dentro de seus próprios sitemas, com a formação de elites que não toleram a ideia de contaminação com castas ou grupos tidos como inferiores. “Se aquele grupo precisa continuar a existir, a intolerância também segue persistindo, visto que se todos forem iguais, não existirá ninguém que se destaque”, conclui Paulo.

Reportagem: Amanda Almeida.
Foto: Segundo dia de provas do Enem 2016 em São Paulo. Rovena Rosa, Agência Brasil

Leia mais

O Evangelho não deixa espaço para a intolerância
Ciência e Religião: uma conversa significativa
ONU: Intolerância religiosa é incentivada por governos e favorece crimes de ódio
Aprendemos a resistir. Agora experimentaremos a esperança




Equipe Editorial Web
  • Textos publicados: 1130 [ver]

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Leia mais em Notícias

Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.