Opinião
30 de novembro de 2018- Visualizações: 12973
comente!- +A
- -A
-
compartilhar
O que a igreja pode aprender com o fenômeno dos desigrejados?
Por Maurício Zágari
Cresce o número daqueles que intencionalmente não se ligam a uma igreja ou que deixaram as igrejas que frequentavam. O fenômeno dos “sem-igreja” é um desafio enorme e alcança comunidades cristãs em todo o mundo.
A edição 374 da revista Ultimato convidou 8 personalidades para conversar sobre o assunto e apresenta o Especial “Desigrejismo – Anomalia ou Opção?”, em matéria de 5 páginas da revista.
Maurício Zágari – Acima de tudo, pode aprender a amar. O fenômeno do desigrejamento deveria nos conduzir ao exercício do amor. As pessoas que se afastaram não se desigrejaram do nada. Algo aconteceu. E, se queremos trazê-las de volta à comunhão, precisamos agir com graça, empatia e amor extremo. Ortodoxia sem ortopatia não é cristianismo, é legalismo. Lamentavelmente, quando se fala de desigrejados no meio da igreja institucional, via de regra, a postura de muitos é meramente farisaica, no sentido de criticá-los, ofendê-los e tratá-los como rebeldes ou, até, inimigos. Mesmo pastores e teólogos de maior visibilidade têm errado – muito! – nesse sentido. O fenômeno do desigrejamento tem como única e exclusiva solução a prática do amor, com paciência e mansidão. E amar demanda tempo e esforço. Então, é mais fácil, rápido e popular postar cinco linhas nas redes sociais atacando os desigrejados do que sentar dia após dia com eles para tratar suas feridas e amá-los. Precisamos aprender a amar melhor, e os desigrejados podem ser excelentes meios de nos exercitarmos na prática do amor.
Maurício Zágari – Desigrejados ou não, continuamos sendo irmãos, com todas as implicações que a fraternidade em Cristo traz. Os desigrejados estão equivocados em suas decisões? A meu ver, sim, pois desigrejar-se não cura feridas, não evita novas feridas nem resolve os males da igreja institucional. Ou seja, desigrejar-se não resolve absolutamente nenhum dos problemas que levaram alguém a se desigrejar. Porém, por mais equivocados que estejam os desigrejados, ninguém deixa de ser filho do mesmo pai porque comete equívocos. Igreja institucional e desigrejados devem seguir como irmãos (e não inimigos), amando, exercendo os dons e ministérios e fazendo o reino de Deus vicejar nesta Terra. E creio, até, que, se caminharem juntos nesse propósito, com o tempo se reaproximarão e voltarão a se conectar. Porque o amor faz isso.
» Leia na íntegra o especial Desigrejismo – “anomalia” ou opção?
» Conheça o livro Dê Outra Chance à Igreja, de Todd Hunter
Cresce o número daqueles que intencionalmente não se ligam a uma igreja ou que deixaram as igrejas que frequentavam. O fenômeno dos “sem-igreja” é um desafio enorme e alcança comunidades cristãs em todo o mundo.A edição 374 da revista Ultimato convidou 8 personalidades para conversar sobre o assunto e apresenta o Especial “Desigrejismo – Anomalia ou Opção?”, em matéria de 5 páginas da revista.
Confira as respostas do jornalista, teólogo e escritor Maurício Zágari.
O que a igreja pode aprender com os desigrejados?
Maurício Zágari – Acima de tudo, pode aprender a amar. O fenômeno do desigrejamento deveria nos conduzir ao exercício do amor. As pessoas que se afastaram não se desigrejaram do nada. Algo aconteceu. E, se queremos trazê-las de volta à comunhão, precisamos agir com graça, empatia e amor extremo. Ortodoxia sem ortopatia não é cristianismo, é legalismo. Lamentavelmente, quando se fala de desigrejados no meio da igreja institucional, via de regra, a postura de muitos é meramente farisaica, no sentido de criticá-los, ofendê-los e tratá-los como rebeldes ou, até, inimigos. Mesmo pastores e teólogos de maior visibilidade têm errado – muito! – nesse sentido. O fenômeno do desigrejamento tem como única e exclusiva solução a prática do amor, com paciência e mansidão. E amar demanda tempo e esforço. Então, é mais fácil, rápido e popular postar cinco linhas nas redes sociais atacando os desigrejados do que sentar dia após dia com eles para tratar suas feridas e amá-los. Precisamos aprender a amar melhor, e os desigrejados podem ser excelentes meios de nos exercitarmos na prática do amor.
Há algo que a igreja institucional e os desigrejados possam fazer juntos?
Maurício Zágari – Desigrejados ou não, continuamos sendo irmãos, com todas as implicações que a fraternidade em Cristo traz. Os desigrejados estão equivocados em suas decisões? A meu ver, sim, pois desigrejar-se não cura feridas, não evita novas feridas nem resolve os males da igreja institucional. Ou seja, desigrejar-se não resolve absolutamente nenhum dos problemas que levaram alguém a se desigrejar. Porém, por mais equivocados que estejam os desigrejados, ninguém deixa de ser filho do mesmo pai porque comete equívocos. Igreja institucional e desigrejados devem seguir como irmãos (e não inimigos), amando, exercendo os dons e ministérios e fazendo o reino de Deus vicejar nesta Terra. E creio, até, que, se caminharem juntos nesse propósito, com o tempo se reaproximarão e voltarão a se conectar. Porque o amor faz isso.
• Maurício Zágari é teólogo, editor da Editora Mundo Cristão, autor de nove livros publicados, comentarista bíblico e jornalista.
» Conheça o livro Dê Outra Chance à Igreja, de Todd Hunter
30 de novembro de 2018- Visualizações: 12973
comente!- +A
- -A
-
compartilhar

Leia mais em Opinião
Opinião do leitor
Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta
Para escrever uma resposta é necessário estar cadastrado no site. Clique aqui para fazer o login ou seu cadastro.
Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.
Assuntos em Últimas
- 500AnosReforma
- Aconteceu Comigo
- Aconteceu há...
- Agenda50anos
- Arte e Cultura
- Biografia e História
- Casamento e Família
- Ciência
- Devocionário
- Espiritualidade
- Estudo Bíblico
- Evangelização e Missões
- Ética e Comportamento
- Igreja e Liderança
- Igreja em ação
- Institucional
- Juventude
- Legado e Louvor
- Meio Ambiente
- Política e Sociedade
- Reportagem
- Resenha
- Sessenta +
- Série Ciência e Fé Cristã
- Teologia e Doutrina
- Testemunho
- Vida Cristã
Revista Ultimato
+ lidos
- Pressão alta e alta pressão
- Vem aí o Primeiro Congresso Brasileiro de Fé Cristã e Saúde Mental
- Envelhecimento é sinônimo de declínio?
- Elben César (1930-2016), dez anos depois
- “Sejam gentis e tenham compaixão uns pelos outros”
- Como ensinar as crianças sobre a igreja perseguida
- 33º Prêmio Areté 2026 celebra a excelência da literatura cristã brasileira
- A Reforma Protestante na visão de um artista
- Venezuela: entre a dor e a esperança
- A nobre tarefa de preparar, enviar, cuidar e acolher missionários
(31)3611 8500
(31)99437 0043
Dinheiro é benção ou maldição? Você decide!
A roda do tempo
A ética do ódio, as fake news e a idoneidade cristã






