Opinião
06 de outubro de 2026- Visualizações: 35
comente!- +A
- -A
-
compartilhar
Venezuela: entre a dor e a esperança
Em visita ao país, vimos os efeitos dos terremotos, mas também uma igreja viva que luta para reconstruir sua vida
Por Lissânder Dias
Reportagem
“E como foi lá?” é a pergunta que mais me fazem depois que voltei da Venezuela. Parece uma indagação simples, mas não é. Ela suscita não somente informações objetivas, mas condições emocionais, espirituais e sociais. E eu vi um pouco de cada coisa nos dois dias e duas noites (22 a 24/09/2026) que passei naquele país.
Um caminho com pouca luz
Ir à Venezuela foi como passar por um caminho com pouca luz. Sabe aquele lugar mal iluminado onde prevalece uma penumbra angustiante? Tateamos mais do que seguimos. Há uma sensação de incompletude, típica de momentos provisórios.
Os fortes terremotos de 24 de junho afetaram gravemente o país – principalmente, a turística La Guaira banhada pelo Mar do Caribe que visitamos no dia 24 –, deixando um rastro de destruição e luto para milhares de famílias. O governo afirmou ter recolhido quase 500 mil toneladas de escombros, o que representa 23% do total e reconhece que as mortes podem chegar a 10 mil. Outros órgãos estimam que mais de 60 mil pessoas estão desaparecidas.
Os dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o país e provocaram o terremoto mais mortal da Venezuela desde 1812, além do pior desastre natural da história recente do país.
Ao percorrer La Guaira foi difícil encontrar algum edifício sem rachaduras. A bonita orla da cidade deixou de ser o ponto principal para quem chega. Nossos olhos estavam voltados para o trabalho sem fim das equipes retirando concreto, ferro contorcido, lixo e – se ainda possível – corpos.
Na capital, muitos prédios de moradia popular estão desabitados por conta do risco de queda. Ao lado deles, barracas azuis espalhadas pela ONG cristã Samaritan’s Purse; e dentro delas, famílias pobres que antes moravam nos respectivos prédios. É o caso do Carlos, que segurava a filhinha no colo enquanto nos concedia entrevista. Ao perguntarmos o que esperava do futuro, ele disse pouco: só quer um lugar para morar de novo. Pouca luz no caminho de desilusão.
Vi essa esperança fugidia nos olhos de pessoas nas ruas de Caracas. Olhares desconfiados de quem já perdeu muito, e tem poucas expectativas de ganhar algo.
Tento me colocar no lugar delas, e percebo que muito de mim estaria lá, se também tivesse que enfrentar o que elas enfrentaram.
Uma década de ruínas
Essa “penumbra” não tem apenas a tragédia natural como protagonista. O Rev. Erick Perez, meu companheiro na viagem, venezuelano que mora no Brasil há 12 anos, ressaltou que a deterioração do seu país já dura, pelo menos, uma década. E ela é resultado de uma série de desmandos políticos, econômicos e sociais que fragilizaram a sociedade e enfraqueceram as esperanças. Que, inclusive, deixaram o país despreparado para tragédias ambientais.
A olho nu, vemos que pequenos estabelecimentos comerciais – alguns com chineses como donos – também padecem de modernidade e inovação. Para um país com uma economia pujante até poucas décadas, é triste ver como que se tivessem paralisados no tempo.
Segundo uma reportagem da Forbes, “a economia da Venezuela encolheu cerca de 75% e o PIB per capita despencou prostrado por uma retração de até 90% ao longo da última década, transformando o antigo petroestado próspero em um cenário de aguda vulnerabilidade social”. A mesma reportagem ressalta que, “atualmente, mais de 20 milhões de venezuelanos, de uma população de 28,8 milhões, vivem em situação de pobreza multidimensional”.
Sem entrar na oratória política enviesada, o que eu quero ressaltar é um ambiente evidente de fragmentação social que redunda em raras perspectivas concretas.
O sol que entra pela janela
No último dia de nossa estadia na Venezuela (24/09), choveu torrencialmente. Pela janela do Colégio Presbiteriano no alto de Caracas, víamos a força das águas. Aí a chuva cessou e pudemos sair da escola em direção à Igreja Emanuel, local de nossa hospedagem. Me lembrei agora desse momento porque parece ser uma metáfora ideal para uma segunda percepção que tive no país. Se de um lado há um caminho com pouca luz, por outro lado, a claridade que vem depois da chuva metafórica, invariavelmente, chega com quem tem fé em Cristo. É como se o Evangelho brilhasse exatamente em dias nublados.
Sim, em meio à dor e ao sofrimento, ainda há muita gente disposta a acreditar. A fé brota no asfalto e restaura terrenos baldios. É o caso do jovem pastor Antony e sua esposa pastora Antonieta, que lideram um movimento diário de solidariedade na Igreja Emanuel, com distribuição de marmitas e fazendo “ponte” para doações de ONGs como o Exército de Salvação – e tudo isso com pouquíssimos recursos financeiros (a água só chega duas vezes por semana e os banheiros não têm chuveiro). Em nossa viagem também conhecemos o presbítero Ricardo, que foi nosso guia principal; um missionário articulado e dedicado, que trabalhou em cidades nas fronteiras dos Estados Unidos e que há décadas ajuda refugiados e migrantes. Ricardo é especialista em fazer pontes entre as pessoas – e mesmo sendo de uma igreja histórica, é parceiros de muitos pastores pentecostais.
Eu não poderia deixar de contar a história do pastor Carlos Navarro, que mora em La Guaira – a cidade mais atingida pelos terremotos. Como ser pastor quando o seu templo e sua casa desmoronaram, e 32 membros de sua igreja perderam a vida? O que sobra, senão a fé? Ele continuou reunindo os sobreviventes debaixo de uma árvore numa demonstração de confiança no Deus que nos sustenta. Quando o visitamos no fim de tarde, Carlos estava limpando o terreno onde irão instalar uma tenda para as reuniões da igreja.
“Deus está levantando homens e mulheres para edificarem Cristo em outras pessoas”, declarou o pastor, num trocadilho entre os efeitos da tragédia e a esperança de reconstrução material e espiritual.

Nos dias na Venezuela nos encontramos também com pastores e líderes de conselhos e sínodos eclesiásticos. E em cada encontro, corações abertos para receber ajuda. Não que eles não tenham o que oferecer – ao contrário, há muita sabedoria reunida –, mas que neste momento a fragilidade se torna um convite à compaixão, à comunhão e ao abraço.
Primeiro, conhecemos a reverenda Berla Andrade, presidente do Sínodo Reformado, e depois a pastora Sorayda Milano, uma das líderes do Conselho Evangélico da Venezuela. Ambas, com profundo compromisso com o Evangelho e o bem-estar dos mais vulneráveis. Depois visitamos o octagenário pastor Samuel Olson, o mais respeitado líder evangélico do país. Pentecostal, ele nos relevou que é parente dos fundadores da Assembleia de Deus no Brasil.
Um momento especial foi participar de um culto com dezenas de educadores cristãs do Colégio Presbiteriano. Mesmo inesperado, aquele encontro foi marcado pela emoção ao ouvirmos histórias de mães e esposas que ainda choram pelos filhos e esposos que saíram do país à procura de uma vida melhor para a família. As lágrimas regaram e as canções embalaram nossas orações sinceras ao Senhor de toda a terra. Isso me fez aprender que os terremotos só agravaram a fragmentação das famílias venezuelanas – já incompletas por conta da migração e da pobreza.
No dia a dia, conhecemos a Sair, cozinheira da Igreja Emanuel, que nos preparou a melhor arepa da cidade, e a pastora Damares que nos recebeu ao redor da mesa com um sorriso sempre contagiante. Do Exército de Salvação, conhecemos o pastor Eduardo e sua equipe de três voluntários, transportando kits escolares, galões de água, cestas básicas e outros itens para os lugares mais afetados.
Todas essas pessoas – com representação institucional ou não – nos ensinaram que nenhum sofrimento – nem morte, nem vida, nem potestades – é capaz de nos separar do amor de Deus que se expressa no amor ao próximo. E isso ilumina os olhos e traz esperança – se não uma esperança imediata, mas um senso de “luz no fim do túnel”.
O desafio da reconstrução
Enviados pela Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB), eu e o Rev. Erick fomos com a missão de conhecer a realidade – avanços e necessidades –, entregar os recursos arrecadados na campanha de solidariedade dos 123 anos da denominação (“Juntos Pela Venezuela”) e fortalecer os vínculos com as lideranças evangélicas. A verdade é que voltamos de lá com bem mais do que levamos. Trouxemos memórias, amizade, fortalecimento e comunhão espiritual e um desejo grande de firmarmos parceiras com a Igreja da Venezuela.
Ainda não sabemos quais serão os próximos passos, mas entendemos que “uma porta grande e oportuna para o trabalho se me abriu” (1 Co 16.9). E assim como as igrejas da Galácia e de Corinto se mobilizaram para ajudar financeiramente a igreja de Jerusalém (1Co 16.1-4), oramos para que a igreja brasileira seja instrumento da bondade de Deus aos irmãos da Venezuela.
Isso não somente é o ideal, mas é necessário, pois os desafios da reconstrução do país são gigantescos. Com os terremotos, os danos são ainda maiores. A verdade é que três meses depois, o drama da Venezuela está sumindo da grande mídia e as ajudas humanitárias diminuindo. O ano escolar vai começar, e muitas crianças – sem material escolar e traumatizadas – não querem voltar à escola.
No final das contas, a vida continua e os que ficam são os venezuelanos convivendo com pobreza, fome, falta de moradia, escassez de água e comida e (muitos) escombros.
Ao mesmo tempo, é justamente este o tempo oportuno para o Evangelho brilhar. Porque é precisamente isto que ele faz:
“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16).
Fotos: Acervo da IPI do Brasil. Proibida a reprodução sem autorização.
REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?
A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?
Talvez a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença.
Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
» Quando a Igreja Abraça a Cidade, Vários autores
» Muitas Andorinhas Fazem Verão, Cilas Gavioli
» Entre a crise e a esperança: fé e migração na fronteira Colômbia-Venezuela, por Mariana Albuquerque
» Como orar e ajudar a Venezuela, Notícia
» “Deus, por que estou aqui, tão longe? Qual é o propósito disso?”, por Lérderis Guerra
Por Lissânder Dias
Reportagem
“E como foi lá?” é a pergunta que mais me fazem depois que voltei da Venezuela. Parece uma indagação simples, mas não é. Ela suscita não somente informações objetivas, mas condições emocionais, espirituais e sociais. E eu vi um pouco de cada coisa nos dois dias e duas noites (22 a 24/09/2026) que passei naquele país.
Um caminho com pouca luzIr à Venezuela foi como passar por um caminho com pouca luz. Sabe aquele lugar mal iluminado onde prevalece uma penumbra angustiante? Tateamos mais do que seguimos. Há uma sensação de incompletude, típica de momentos provisórios.
Os fortes terremotos de 24 de junho afetaram gravemente o país – principalmente, a turística La Guaira banhada pelo Mar do Caribe que visitamos no dia 24 –, deixando um rastro de destruição e luto para milhares de famílias. O governo afirmou ter recolhido quase 500 mil toneladas de escombros, o que representa 23% do total e reconhece que as mortes podem chegar a 10 mil. Outros órgãos estimam que mais de 60 mil pessoas estão desaparecidas.
Os dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o país e provocaram o terremoto mais mortal da Venezuela desde 1812, além do pior desastre natural da história recente do país.
Ao percorrer La Guaira foi difícil encontrar algum edifício sem rachaduras. A bonita orla da cidade deixou de ser o ponto principal para quem chega. Nossos olhos estavam voltados para o trabalho sem fim das equipes retirando concreto, ferro contorcido, lixo e – se ainda possível – corpos.
Na capital, muitos prédios de moradia popular estão desabitados por conta do risco de queda. Ao lado deles, barracas azuis espalhadas pela ONG cristã Samaritan’s Purse; e dentro delas, famílias pobres que antes moravam nos respectivos prédios. É o caso do Carlos, que segurava a filhinha no colo enquanto nos concedia entrevista. Ao perguntarmos o que esperava do futuro, ele disse pouco: só quer um lugar para morar de novo. Pouca luz no caminho de desilusão.Vi essa esperança fugidia nos olhos de pessoas nas ruas de Caracas. Olhares desconfiados de quem já perdeu muito, e tem poucas expectativas de ganhar algo.
Tento me colocar no lugar delas, e percebo que muito de mim estaria lá, se também tivesse que enfrentar o que elas enfrentaram.
Uma década de ruínas
Essa “penumbra” não tem apenas a tragédia natural como protagonista. O Rev. Erick Perez, meu companheiro na viagem, venezuelano que mora no Brasil há 12 anos, ressaltou que a deterioração do seu país já dura, pelo menos, uma década. E ela é resultado de uma série de desmandos políticos, econômicos e sociais que fragilizaram a sociedade e enfraqueceram as esperanças. Que, inclusive, deixaram o país despreparado para tragédias ambientais.
A olho nu, vemos que pequenos estabelecimentos comerciais – alguns com chineses como donos – também padecem de modernidade e inovação. Para um país com uma economia pujante até poucas décadas, é triste ver como que se tivessem paralisados no tempo.
Segundo uma reportagem da Forbes, “a economia da Venezuela encolheu cerca de 75% e o PIB per capita despencou prostrado por uma retração de até 90% ao longo da última década, transformando o antigo petroestado próspero em um cenário de aguda vulnerabilidade social”. A mesma reportagem ressalta que, “atualmente, mais de 20 milhões de venezuelanos, de uma população de 28,8 milhões, vivem em situação de pobreza multidimensional”.
Sem entrar na oratória política enviesada, o que eu quero ressaltar é um ambiente evidente de fragmentação social que redunda em raras perspectivas concretas.
O sol que entra pela janela
No último dia de nossa estadia na Venezuela (24/09), choveu torrencialmente. Pela janela do Colégio Presbiteriano no alto de Caracas, víamos a força das águas. Aí a chuva cessou e pudemos sair da escola em direção à Igreja Emanuel, local de nossa hospedagem. Me lembrei agora desse momento porque parece ser uma metáfora ideal para uma segunda percepção que tive no país. Se de um lado há um caminho com pouca luz, por outro lado, a claridade que vem depois da chuva metafórica, invariavelmente, chega com quem tem fé em Cristo. É como se o Evangelho brilhasse exatamente em dias nublados.
Eu não poderia deixar de contar a história do pastor Carlos Navarro, que mora em La Guaira – a cidade mais atingida pelos terremotos. Como ser pastor quando o seu templo e sua casa desmoronaram, e 32 membros de sua igreja perderam a vida? O que sobra, senão a fé? Ele continuou reunindo os sobreviventes debaixo de uma árvore numa demonstração de confiança no Deus que nos sustenta. Quando o visitamos no fim de tarde, Carlos estava limpando o terreno onde irão instalar uma tenda para as reuniões da igreja.
“Deus está levantando homens e mulheres para edificarem Cristo em outras pessoas”, declarou o pastor, num trocadilho entre os efeitos da tragédia e a esperança de reconstrução material e espiritual.

Nos dias na Venezuela nos encontramos também com pastores e líderes de conselhos e sínodos eclesiásticos. E em cada encontro, corações abertos para receber ajuda. Não que eles não tenham o que oferecer – ao contrário, há muita sabedoria reunida –, mas que neste momento a fragilidade se torna um convite à compaixão, à comunhão e ao abraço.
Primeiro, conhecemos a reverenda Berla Andrade, presidente do Sínodo Reformado, e depois a pastora Sorayda Milano, uma das líderes do Conselho Evangélico da Venezuela. Ambas, com profundo compromisso com o Evangelho e o bem-estar dos mais vulneráveis. Depois visitamos o octagenário pastor Samuel Olson, o mais respeitado líder evangélico do país. Pentecostal, ele nos relevou que é parente dos fundadores da Assembleia de Deus no Brasil.Um momento especial foi participar de um culto com dezenas de educadores cristãs do Colégio Presbiteriano. Mesmo inesperado, aquele encontro foi marcado pela emoção ao ouvirmos histórias de mães e esposas que ainda choram pelos filhos e esposos que saíram do país à procura de uma vida melhor para a família. As lágrimas regaram e as canções embalaram nossas orações sinceras ao Senhor de toda a terra. Isso me fez aprender que os terremotos só agravaram a fragmentação das famílias venezuelanas – já incompletas por conta da migração e da pobreza.
No dia a dia, conhecemos a Sair, cozinheira da Igreja Emanuel, que nos preparou a melhor arepa da cidade, e a pastora Damares que nos recebeu ao redor da mesa com um sorriso sempre contagiante. Do Exército de Salvação, conhecemos o pastor Eduardo e sua equipe de três voluntários, transportando kits escolares, galões de água, cestas básicas e outros itens para os lugares mais afetados.
Todas essas pessoas – com representação institucional ou não – nos ensinaram que nenhum sofrimento – nem morte, nem vida, nem potestades – é capaz de nos separar do amor de Deus que se expressa no amor ao próximo. E isso ilumina os olhos e traz esperança – se não uma esperança imediata, mas um senso de “luz no fim do túnel”.
O desafio da reconstrução
Enviados pela Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB), eu e o Rev. Erick fomos com a missão de conhecer a realidade – avanços e necessidades –, entregar os recursos arrecadados na campanha de solidariedade dos 123 anos da denominação (“Juntos Pela Venezuela”) e fortalecer os vínculos com as lideranças evangélicas. A verdade é que voltamos de lá com bem mais do que levamos. Trouxemos memórias, amizade, fortalecimento e comunhão espiritual e um desejo grande de firmarmos parceiras com a Igreja da Venezuela.
Ainda não sabemos quais serão os próximos passos, mas entendemos que “uma porta grande e oportuna para o trabalho se me abriu” (1 Co 16.9). E assim como as igrejas da Galácia e de Corinto se mobilizaram para ajudar financeiramente a igreja de Jerusalém (1Co 16.1-4), oramos para que a igreja brasileira seja instrumento da bondade de Deus aos irmãos da Venezuela.
Isso não somente é o ideal, mas é necessário, pois os desafios da reconstrução do país são gigantescos. Com os terremotos, os danos são ainda maiores. A verdade é que três meses depois, o drama da Venezuela está sumindo da grande mídia e as ajudas humanitárias diminuindo. O ano escolar vai começar, e muitas crianças – sem material escolar e traumatizadas – não querem voltar à escola. No final das contas, a vida continua e os que ficam são os venezuelanos convivendo com pobreza, fome, falta de moradia, escassez de água e comida e (muitos) escombros.
Ao mesmo tempo, é justamente este o tempo oportuno para o Evangelho brilhar. Porque é precisamente isto que ele faz:
“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16).
Fotos: Acervo da IPI do Brasil. Proibida a reprodução sem autorização.
REVISTA ULTIMATO – VIVEMOS UMA EPIDEMIA DE SOLIDÃO?
A epidemia de solidão é um fenômeno global que ultrapassa fronteiras, níveis de renda, faixa etária e sofisticação tecnológica. Que consequências este cenário tem para a missão da igreja no mundo?Talvez a solidão seja uma grande oportunidade de voltar às verdades mais básicas do evangelho: encarnação e presença.
Esta oração pode e deve ser feita por todos nós: “Deus de toda amabilidade e beleza, até a mais humilde criatura encontra seu lar perto de ti. Que a tua igreja seja um lugar de segurança para todo viajante que te busca, todo crente que em ti confia e todo discípulo que te segue”. Saiba mais aqui.
Saiba mais:
» Quando a Igreja Abraça a Cidade, Vários autores
» Muitas Andorinhas Fazem Verão, Cilas Gavioli
» Entre a crise e a esperança: fé e migração na fronteira Colômbia-Venezuela, por Mariana Albuquerque
» Como orar e ajudar a Venezuela, Notícia
» “Deus, por que estou aqui, tão longe? Qual é o propósito disso?”, por Lérderis Guerra
Lissânder Dias do Amaral é jornalista, blogueiro, poeta e editor de livros. Integra o Conselho Nacional da Interserve Brasil e o Conselho da Unimissional. É autor de “O Cotidiano Extraordinário – a vida em pequenas crônicas” e responsável pelo blog Fatos e Correlatos do Portal Ultimato. É um dos fundadores do Movimento Vocare e ajudou a criar as organizações cristãs de cooperação Rede Mãos Dadas e Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS).
- Textos publicados: 150 [ver]
-
Site: http://www.fatosecorrelatos.com.br
06 de outubro de 2026- Visualizações: 35
comente!- +A
- -A
-
compartilhar

Leia mais em Opinião
Opinião do leitor
Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta
Para escrever uma resposta é necessário estar cadastrado no site. Clique aqui para fazer o login ou seu cadastro.
Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.
Assuntos em Últimas
- 500AnosReforma
- Aconteceu Comigo
- Aconteceu há...
- Agenda50anos
- Arte e Cultura
- Biografia e História
- Casamento e Família
- Ciência
- Devocionário
- Espiritualidade
- Estudo Bíblico
- Evangelização e Missões
- Ética e Comportamento
- Igreja e Liderança
- Igreja em ação
- Institucional
- Juventude
- Legado e Louvor
- Meio Ambiente
- Política e Sociedade
- Reportagem
- Resenha
- Sessenta +
- Série Ciência e Fé Cristã
- Teologia e Doutrina
- Testemunho
- Vida Cristã
Revista Ultimato
+ lidos
- Por que não escutamos a Igreja Palestina?
- Muito além dos templos: evangélicos no acolhimento a migrantes
- Oportunidades para outubro de 2026
- A solidão dos conectados
- Deus ama cada língua e cultura - E as crianças precisam saber disso
- A cooperação como resposta à fragmentação do movimento missionário brasileiro
- 50 anos no Ocidente: para onde estamos indo?
- Mais do que bem-vindos: envolvendo ativamente os fiéis com deficiência na vida da igreja
- Compartilhando fardos
- Infância, religião e juventude saudável
(31)3611 8500
(31)99437 0043
A devoção do descanso
CRISE DA LEGITIMIDADE DA AUTORIDADE PASTORAL -- A consequência é o descrédito, por Anderson Clayton
C.S. Lewis e a política






