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Opinião

A felicidade segundo Harvard e o pressuposto do bem

Por Rubem Amorese
 
Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores. Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo. (Tg 5.13-16)

 
“De que é feita uma vida boa? De pessoas? De dinheiro? Reconhecimento? Amor? Afinal, qual é a chave para a felicidade?” Essa parece ser a mais difícil pergunta de nossas vidas, e foi justo ela que um estudo (Harvard Study of Adult Development) se dedicou a responder. O mais longo estudo longitudinal já feito procurou encontrar os fatores que podem nos levar a desenvolver a melhor saúde física e mental quando atingirmos idade avançada.
 
O dr. Robert Waldinger — o quarto diretor que o estudo teve em 75 anos — pergunta: “Se você hoje fosse investir no seu melhor ‘eu’ futuro, no que você colocaria seu tempo e energia?” A resposta a que se chegou foi: “o que melhor garante nossa saúde física e mental são as relações pessoais. Quem criou laços fortes com outros seres humanos viveu mais e melhor — para além de dinheiro, status ou emprego. Bons relacionamentos nos mantêm mais felizes e saudáveis, e a solidão mata. O sucesso maior de nossa vida está no afeto, trocado, dividido, saboreado e devolvido entre seres humanos. Sucesso e saúde, portanto, é ter amigos, família e amores. O resto é o resto”, diz o Dr. Waldinger.1
 
No primeiro Ponto Final de 2011, eu pedi a Deus três amigos de caminhada. Eu dizia assim: “Em 2011, eu gostaria de receber três “irmãos de confissão”; irmãos que me ouvissem e de quem eu também pudesse ouvir o coração...”2  E não é que dois irmãos, o Cayo e o Rômulo, presbíteros em minha igreja, leram o artigo, e se apresentaram para essa caminhada? Deu certo. Demos certo. Resposta de Deus. E temos almoçado juntos, toda terça-feira, desde 9 de março de 2011. Quase sem falhas. Nestes dois anos de pandemia, mantivemos os encontros, virtualmente.
 
Uma pergunta que sempre nos surge, de diversas formas, e com diferentes redações, é: em que medida somos capazes de pressupor o bem em nossas relações? Porque, sem isso, não confessaremos, uns aos outros, os nossos pecados. Temos aprendido que a confissão a que Tiago se refere só pode acontecer entre amigos; entre irmãos cujo relacionamento pressupõe o bem. É preciso ter a segurança de que uma crítica, uma admoestação, uma observação, um gracejo a respeito do outro, tudo tem como pressuposto, como fundamento, o bem-querer; o querer bem. Sem essa segurança, ficaremos prudentemente na superficialidade. E permaneceremos “doentes”.

De acordo com Paulo, aos Efésios, a produção do nosso próprio crescimento se faz “seguindo a verdade, em amor”. 
 
Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem-ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor. (Ef 4:15,16)

Minha conclusão é que o Dr. Waldinger descobriu que o segredo da felicidade está em investir nas articulações! E o apóstolo Paulo acrescentaria que o segredo da saúde da igreja está “no auxílio de toda junta”. Estão falando a mesma coisa! Claro, com dois mil anos de diferença.

Então, eu pergunto, como a um idoso: como anda a sua artrite pneumatóide? Chegaremos à velhice comunitária entrevados? Incapazes de “efetuar o nosso próprio aumento”, para a edificação do corpo de Cristo, em amor? Por causa da política? De conceitos de igreja? De doutrinas? De mal-entendidos? De vacinas? 

Semelhantemente, a pergunta que de vez em quando eu e meus amigos nos fazemos é: “quanto de verdade o nosso amor (a nossa amizade) suporta?”. O quão verdadeira pode ser a nossa conversa, quando falamos uns sobre os outros? A vida já nos ensinou que a verdade sem amor é cruel; e o amor sem verdade é perigosamente indulgente.

Temos aprendido, também, que a pressuposição do bem é uma construção; é uma tarefa de resgate, a dois, três, ou mesmo coletivo, do pressuposto de que somos amados. Mesmo quando divergimos. Mesmo quando nos desentendemos.

Minha netinha Liz, agora com um ano, ao interagir com seus amiguinhos mais velhos, leva trancos e tapas, e vê seus brinquedinhos arrancados de suas mãos. E ri! E acha graça. Ela ainda “não se ressente do mal”. Em sua ingenuidade pueril ela pressupõe o bem. Fico triste em pensar que ela aprenderá rapidamente a se defender; mesmo dos irmãozinhos da igreja. Ela aprenderá a pressupor o mal em cada aproximação. Ela aprenderá a temer a “rapina fraterna”. 

Mais tarde, ela precisará aprender sobre a Igreja; sobre o Corpo de Cristo. Precisará lutar muito para construir, junto à sua geração, relações de afeto e misericórdia, de verdadeira amizade, sob a ação do Espírito Santo; com paciência, súplica, contrição, confissão, tolerância e perdão. Estará em condições, então, de ousadamente confessar seus pecados; e assim, de usufruir do mistério curativo da oração dos santos.
 
Notas:
1.
What makes a good life? Lessons from the longest study on happiness.
2. 
Anelos para 2011. Revista Ultimato, jan./fev. 2011, coluna Ponto Final. 
Autor de, entre outros, Fábrica de Missionários, Louvor, Adoração e Liturgia, Meta-História, Icabode e Ponto Final, Rubem Martins Amorese é consultor legislativo (aposentado) no Senado Federal e presbítero emérito na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. Foi professor na Faculdade Teológica Batista de Brasília (FTBB) por vinte anos e presidente do Diretório Regional – DF da Sociedade Bíblica do Brasil. Foi diretor de informática no Centro de Informática e Processamento de Dados do Senado Federal (Prodasen) e integrou a Comissão de Inquérito que desvendou a violação do painel eletrônico do Senado Federal.

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