Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Por Escrito

A estação da maturidade: quando a vida se torna convergência

Jamais teria superado a jornada sem a fé inabalável na soberania e no cuidado constante de Deus

Por Cilas Fiuza Gavioli

Sessenta +

Sou pastor ordenado há 39 anos. Comecei muito jovem, desprovido de experiência tanto no ministério quanto na própria vida. Aos 25 anos, eu já carregava a responsabilidade de ser pastor e pai. Naquela época, a insegurança e a imaturidade caminhavam lado a lado comigo; cometi erros, é verdade. Nada que fosse irreparável, mas hoje reconheço que muitos caminhos poderiam ter sido trilhados de forma diferente se eu já possuísse o discernimento que o tempo traz. No entanto, para obter a dádiva da maturidade, é preciso aceitar o desafio de encarar a vida precocemente. Hoje, estou em um ponto existencial que defino como “convergência”.

A maturidade não é um título conquistado na academia; ela é forjada no cotidiano, ao longo das décadas. Atualmente, aos 63 anos, percebo-me na última fase do meu ministério, embora não da minha vida. Curiosamente, não sinto mais o desejo impetuoso de lutar todas as batalhas. Tornei-me mais seletivo e consideravelmente menos sonhador. Contudo, sinto-me muito mais seguro, convicto de que jamais teria superado esta jornada sem a fé inabalável na soberania e no cuidado constante de Deus.

Enquanto alguns anseios mudaram, um sonho central se realizou plenamente: possuir uma família unida, amorosa e enriquecida por netos. Como bem disse alguém, os netos são a sobremesa da vida. Luísa, com apenas 3 anos, é a nossa fonte de alegria; ao seu lado, volto a ser criança. Deus me presenteou com dois filhos intensos e dedicados. Minha filha deu-nos dois netos; o pequeno Leozinho está chegando para iluminar ainda mais esta fase. Celebro também 41 anos de matrimônio com a mulher que sempre soube extrair o melhor de mim, minha companheira fiel e entusiasta do meu trabalho.

Ao refletir sobre o momento atual, aprecio o termo “maturidade”. Não sou um entusiasta daqueles que utilizam o eufemismo “melhor idade”, pois sei que isso não corresponde totalmente à realidade física e social. Entretanto, também não é a pior fase. Tenho a plena consciência de que a bacia com jabuticabas agora contém menos frutas; por isso, sou levado a saboreá-las com mais cuidado e prazer.


Nesta convergência, vejo os filhos formados e casados. Às vezes, a casa transborda de vida em torno de um churrasco familiar. Existiria algo melhor do que desfrutar da família reunida? No ministério, o sentimento é análogo. Junto às celebrações, vieram as frustrações e sonhos não realizados. Na maturidade, finalmente compreendo os propósitos divinos. Olhando pelo retrovisor, vejo Deus conduzindo minha história para que eu me tornasse quem sou hoje. O reconhecimento que recebo não é o de um grande pregador, mas o de um “pastor de gente”. Sinto profunda satisfação por ser usado como instrumento do Senhor, ajudando pessoas em suas jornadas a encontrarem Deus em meio às lutas pessoais.

Gosto de denominar o serviço aos 60+ como ministério da maturidade. Trabalhando ao lado de pastores jovens, uma geração repleta de informações, saberes e opiniões, percebo que minha maior contribuição é a sabedoria da experiência. Prefiro ser chamado de idoso a velho. Velho tem a conotação de algo obsoleto. Idoso remete a maturidade e sabedoria.

A vida não termina com a aposentadoria. Ainda nutro sonhos, agora mais conectados com meu chamado. Recentemente, realizei um antigo sonho: escrever um livro que expressa a convergência que estou vivendo. Mas também preciso de propósito para continuar vivendo bem. Assim, pretendo gastar esta última fase ministerial consolidando o Instituto Renovo, uma instituição que abriga duas dezenas de organizações cujo foco é a transformação social das pessoas vulneráveis da cidade.
  • Cilas Fiuza Gavioli é servo de Deus, casado com Raquel, pai de Silas Filipe e Karen Priscila e avô de Luiza (3), e do pequeno Leonardo, recém-chegado à família. Serve como pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Chácara Primavera, onde dedica-se ao desenvolvimento do Ministério 60+ (Maturidade). Atua voluntariamente como diretor do Instituto Renovo, consolidando seu compromisso com a transformação social e o serviço ao próximo. Autor de Muitas Andorinhas Fazem Verão – Renovo - Unindo Pessoas na Transformação Social da Cidade.

Imagem: Unsplash.

REVISTA ULTIMATO – PERDOA-NOS, COMO NÓS PERDOAMOS
A mais comprometedora petição ensinada por Jesus é essa: Deus pede de nós aquilo que pedimos a ele.
O tema do perdão se espalha por toda a Escritura e rege a relação do ser humano com Deus. É provavelmente o conceito que mais realiza conexões com temas da teologia. Sem a menção ao perdão não se discursa sobre o acesso a Deus, a obra da salvação, o objetivo da graça divina nem sobre Jesus encarnado, o amor de Deus, o resgate, a restauração, a missão da igreja etc.
Este é o assunto da matéria de capa da edição 420. Clique aqui e saiba mais. Para assinar, clique aqui.
Saiba mais:
» Muitas Andorinhas Fazem Verão – Renovo - Unindo Pessoas na Transformação Social da Cidade, Cilas Fiuza Gavioli
» A Missão Cristã no Mundo Moderno, John Stott
» Quando a Igreja Abraça a Cidade, Vários autores
» Com 75 anos, ainda tenho sonhos!, por Paulo Cezar

Leia mais em Por Escrito

Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.