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Palavra do leitor

Seria cega a justiça?

O símbolo principal do direito e da justiça é a balança, a qual simboliza o equilíbrio, a equidade e a ponderação da argumentação; a balança (instrumento de medição) com seus dois pratos representa o equilíbrio e a medida justa entre as partes litigantes; é parte a figura de uma mulher (Justiça) com os olhos vendados.

Em virtude da venda nos olhos surgiu o conceito forense de que "a Justiça é cega", ela julga sem olhar a quem, ou seja, ela deve pronunciar o seu veredito, a sua sentença, independente de quem seja o réu: alto ou baixo, gordo ou magro, homem ou mulher, rico ou pobre, erudito ou de poucas letras etc.

Hodiernamente, quiçá desde o início do mundo, todavia, não é isso o que acontece, pois a balança sempre pende a favor do mais abastado.

A sociedade julga, melhor dizendo condena e faz isso antes mesmo de serem os fatos devidamente apurados com a imparcialidade e o rigor necessários; prende-se para depois perguntar "quem é", "o que fez", "onde estava" etc.

"Primeiro atire, depois pergunte quem é" era um ditado popular, quando da minha mocidade; hoje, isso é feito com uma certa "pirotecnia" ocasionando um pouco de receio quanto à palavra "justiça".

Mas Justiça é dar a cada um segundo os seus méritos (Direito Romano); logo, o inocente é absolvido, e o culpado é condenado; isso na justiça humana, pois na Justiça de Deus o tratamento é bem diverso.

No caso da pessoa ser culpada [pecadora] e a Palavra de Deus afirma "que todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus" (Rm 3.23), ela tem a oportunidade de arrepender-se, confessar o pecado ao Senhor, e deixar o referido "hábito" obtendo o perdão de Deus conforme textos abaixo:

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e purificar-nos de toda injustiça" (1Jo 1.9).

"O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Pv 28.13).

Entretanto, se a pessoa é culpada e faz ouvidos moucos quanto à Palavra de Deus, não se arrepende, não confessa e nem deixa a prática pecaminosa, recalcitrando no erro, então, por ela não ter se apropriado da graça salvadora de Deus, pela fé em Jesus, já está julgada (Jo 3.18).

Consideremos, então, que a justiça não é sinônimo de castigar, condenar, prender, e, muito menos, de matar.

"Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las" (Madre Tereza de Calcutá); essa frase desloca o "julgamento" do sistema judiciário para o campo das relações pessoais, no qual todos julgam a todos e ninguém escapa.

Lembremo-nos das Palavras de Jesus: "Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também" (Mt 7.1-2).

Essa definição se refere aos indevidos e improcedentes julgamentos que fazemos do próximo (familiares, colegas, amigos, vizinhos etc.), quando esquecemos a "tora" que temos na vista e apontamos para o "cisco" existente no olho do nosso semelhante.

Esses julgamentos [condenações], via de regra precipitados se dão na dependência da simpatia ou antipatia pessoal entre as duas partes; se essa antipatia pessoal, geralmente gratuita, é apimentada por um disse-que-disse, um boato, uma estória leviana, um deboche, a situação fica insustentável, ultrapassa a linha divisória, aliás, tênue entre o conforto e o desconforto, entre o justo e o injusto levando, então, à separação, quase desterro da vítima do "julgamento" (des) humano e o "réu" não é ouvido, e nem os fatos são provados, sequer averiguados.

O conceito emitido por Madre Tereza tem procedência, ou seja, quem se torna algoz do outro, assim o faz porque não conhece o amor, o amor "Ágape", que é o Amor de Deus.

Ensina-nos a Palavra de Deus que "Se alguém disser: Amo a Deus e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê" (1Jo 4.20).

Essa expressão "mentiroso" é uma expressão muito forte, pesada, mas é verdadeira e insubstituível; primeiro por ser Palavra de Deus; segundo, pelo seu próprio contexto, que não admite alternativa do tipo "cartilha do politicamente correto".

E conclui o Senhor dizendo: "Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão" (1Jo 4.21).

Devemos amar os nossos semelhantes como Deus nos ama; Ele "deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16); devemos nós, seguindo essa orientação, fazer o mesmo:

"Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos" (1Jo 3.16).

Esse nosso amor para com o próximo há de ser verdadeiro e não aparente, mas sincero, leal, jamais dependente das circunstâncias.

"Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua [da boca para fora], mas de fato e de verdade" (1Jo 3.18).
São Paulo - SP
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