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Palavra do leitor

A política e o manto da fé (religiosa e antirreligiosa)!

"Ao falar sobre política e fé, sempre seremos chamados a rever nossa consciência e o nosso caráter, ao chamado para exercermos porções de autoridade a qual nos foi conferida pelo Criador de tudo e de todos’’.

Texto de Jeremias 22.3

O período de sucessão eleitoral pode ser cotejado ou comparado a espigas de milho no óleo quente, com o estourar de interesses e intenções, de ataques e escândalos e salve-se quem puder.

Mais recentemente, o embate travado no Supremo Tribunal Federal retrata, muito bem, os mosaicos sobre o momento estarrecedor e até assustador, devido as matizes de interpretações sobre assuntos tão e quão primordiais para quem acredita na justiça, na liberdade, na dignidade, na integridade e quem ainda tem vergonha na cara.

Não por menos, eis o desafio de um cenário, diga-se de passagem, não somente local, porque se estende ao global, de como podemos viver, conviver e coexistir em meio a toda uma sucessão de particularidades e peculiaridades de ordem de crenças, de valores, de tradições e de identidades, cada vez mais, marcadas por entrechoques e aversões?

Aproveito essas linhas incipientes e até rudimentares, para partir das elucubrações de Abraham Kuyper e motivo a leitura de sua obra Calvinismo para uma Era Secular e sua abordagem sobre o tema "Calvinismo e Política", "Pluralismo Constitucuional (o sistema de pesos e delimitaçoes entre individuos, instituições, tanto publicas quanto privadas, como dos gonveros" e a "força propulsora da fé, seja religiosa ou antirreligiosa", com a abertura para oportunas considerações de como devemos efetuar uma leitura coerente, inconformada e transformadora do momento no qual estamos.

Atentemos, a argucia de Kuyper no encontro entre todas essas esferas, das liberdades, dos instrumentos legais e legítimos para se opor a tentativas de interferência excessiva e desemboca no Pluralismo Constitucional, de observar, um elemento a ser escorreitamente (acuradamente) melhor ponderado, em nossos vigentes tempos.

Cabe salientar, o contexto ora apresentado, como a submersão das instituições públicas governamentais em fatos escabrosos e vituperáveis ou desaprovadores, indiscutivelmente, mediante os ensinos de Kuyper e sua Soberania das esferas e, mais detidamente, O Princípio da Soberania das esferas ou do autogoverno, em "Calvinismo e Política", mostra e demonstra de que nenhuma tradição política ou ideias políticas testadas adquire pujança e consistência histórica se, porventura, não estiver fulcrada ou amparada por uma fé ou, ouso dizer, por uma confiança – religiosa ou antirreligiosa.

Destarte, o viés adotado por Kuyper aponta para formação política, a qual começa com as instituições e depois com os indivíduos. Dou mais uma pinçada, sem nenhum eco comunista ou seu eufemismo (socialista), tem o seu promanar ou florescer não com os meus direitos e muito menos com as minhas exigências de, tão somente, possuir validação com aqueles que me são iguais ou com quem comungo de certas identidades ou ideologias ou posições.

Sumamente, Kuyper nos chama para, tenazmente, ir à direção daquilo que me conecta e me interconecta com meus semelhantes, com o outro e com o próximo em todos tipos de encontros sociais, institucionais, comunitários e interpessoais.

Por tal turno, ao se enfatizar o tema nevrálgico e pulsante do Pluralismo Constitucional, da Tradição da Política e o Manto da Fé ou da Liberdade, logramos o insight ou a percepção do Princípio da Soberania do Deus Triúno sobre todo o cosmos, com influência e impacto em todas as esferas, domínios, espaços, dimensões, visíveis ou invisíveis, materiais ou imateriais, temporais ou eternas.

Afinal, se compreendemos ser toda a autoridade oriunda do Deus Criador de tudo e de todos, como fonte e fundamento último, como contemplados com as marcas dessa autoridade e com a tarefa de nos valer da mesma sempre com responsabilidade e reverência, como uma forma de adorar e com a consciência de que somos administradores, gestores, mordomos e servos de um poder não originado por nós.

Sim e sim, a Tradição da Política e o Manto da Fé (ou da Liberdade), como uma porção de autoridade para tornar a vida humana, uma vida bem vivida, compõe-se num chamado pelo qual devemos desempenhar e exercer como agentes responsáveis e participativos, como uma dádiva a qual nos foi disponibilizada pelo Criador de tudo e de todos.
São Paulo - SP
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