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Opinião

Joana de Navarra: uma inimiga, segundo a Contrarreforma

“A reforma parece tão verdadeira e necessária que considero deslealdade e covardia permanecer mais tempo indecisa”

Por Rute Salvino


Por isso, procuro sempre ter uma consciência inculpável diante de Deus e dos homens. (At 24.16)

Joana de Navarra (1528–1572) declarou-se favorável ao protestantismo, afirmando: “A reforma parece tão verdadeira e necessária que, da minha parte, considero que seria deslealdade e covardia para com Deus, com minha consciência e com meu povo permanecer mais tempo indecisa”.

O calvinismo estava se espalhando pela França, e os reformadores afirmavam que não divulgavam um novo evangelho, mas um retorno ao evangelho dos apóstolos, e desafiavam o povo a abrir as Bíblias e estudá-las. No Natal de 1560, Joana fez sua pública profissão de fé e nunca mais olhou para trás, sendo considerada uma inimiga pela Contrarreforma.

Mesmo na corte francesa, ela fazia questão de realizar cultos em seus aposentos, com as portas abertas. Quando seu esposo, que mudava de crença conforme seus interesses políticos, declarou-se católico, Joana retornou ao reino de Navarra, que herdara de seu pai, Henrique d’Albret.

Com a morte do esposo, ferido em combate durante a primeira guerra religiosa, ela exerceu o controle exclusivo de Béarn e, em resposta ao rei da Espanha, Filipe II, que exigiu dela abrir mão de sua política religiosa, pois não toleraria o calvinismo tão perto de seus súditos, Joana declarou: “Embora eu seja apenas uma pequena princesa, Deus me deu o governo deste país para que eu possa governá-lo segundo o seu evangelho e ensinar suas leis. Eu confio em Deus, que é mais poderoso do que o rei da Espanha”.

O papa Pio IV também mandou seu embaixador com ameaças e ordens de que ela restabelecesse a igreja, lançasse fora as heresias e retornasse ao verdadeiro aprisco, ao que ela respondeu que a autoridade do legado do papa não era reconhecida em Béarn.

Atingir tal firmeza e coragem na vida é fruto de uma consciência cativa à Palavra de Deus, não cauterizada pelo pecado nem influenciada pela sociedade (1Tm 4.1-2).



Artigo publicado originalmente no livro Refeições Diárias - Celebrando a Reconciliação de Ultimato.

Imagem: World History Encyclopedia
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Mestre em teologia e pós-graduada em história do cristianismo, é autora de Vozes Femininas nos Avivamentos (Ultimato), além de Vozes Femininas no Início do Cristianismo, Uma Voz Feminina Calada pela Inquisição, Uma Voz Feminina na Reforma e Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro (Prêmio Areté 2015).
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