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Palavra do leitor

Sem ficar à deriva

Estamos no mundo, como os barcos nos mares e rios estão, mas não podemos nos contaminar com as coisas desse nosso planeta.

O barco está na água, é o seu leito, é o seu "habitat", mas ele não é a morada das águas, ele tem que estar acima delas, tê-las sob o seu inteiro domínio; o adentrar de águas no barco é a sua condenação ao desastre, ao naufrágio, à morte.

"O barco encontra-se na água, porém, a água não deve entrar no barco" (Dieter Steiger, Devocionário Uma vez ao dia – 366 Meditações).

Isso me remete à Oração Sacerdotal do Senhor Jesus: "Não peço [ó Pai] que os tires do mundo [os cristãos], mas que os preserves do mal" (Jo 17.15).

Apesar de estarmos no mundo, como os barcos nos mares e rios estão, não podemos nos contaminar com as coisas desse nosso planeta, com aquilo que não é da aprovação de Deus: os maus costumes, as palavras torpes, as ofensas, os crimes de qualquer ordem, os vícios, o pecado, que é tudo aquilo que contraria a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável.

Pecar pode ser um prazer, algo até mesmo gostoso, uma satisfação mui rápida, mas, no fim, leva à ruína.

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas" afirma a Palavra de Deus (1Co 6.12).

Por exemplo, afirma-se que "fumar não é ilícito", pois não há nenhuma lei que o proíba, mas o fumo não convém à saúde; ele é um dos maiores males existentes no mundo, mal que termina em sérias e perigosas doenças, várias até incuráveis; causa enfisema pulmonar, câncer nos seus mais variados tipos: pulmão, boca, laringe, estômago, leucemia; causa, ainda, outras moléstias como infarto do miocárdio, impotência sexual, bronquite, trombose, aneurisma arterial, angina, infecções respiratórias etc.

Há alguns anos a maior produtora de cigarros, no Brasil, à época, entrou na Justiça com uma ação para tirar do ar um comercial de TV, de 30 segundos, bem como tirar da mídia o site de uma campanha da ONG que patrocinava referido anúncio, o qual visava proibir a venda de cigarros em balcões/caixas de bares, padarias e supermercados.

A campanha apontava para o fato de que existia propaganda de cigarros nesse comércio pouco acima dos doces, balas e chiclete, mercadorias essas de grande procura pelas crianças.

Logo a colocação de cigarros nessa posição estratégica, subliminarmente, induziria a atenção das crianças para o produto que, mais tarde, seria desejado e consumido por elas.

Referida mensagem que a indústria do cigarro contestou dizia: "A indústria do tabaco vem cada vez mais camuflando seus produtos e adicionando sabores para atrair crianças e adolescentes no consumo do cigarro. Ajude a mudar essa situação".

Transcrevo o que um especialista em pontos de venda disse na mídia: "Caixa de bar e padaria são o ponto mais quente desses locais. É por isso que a indústria do cigarro investe nessas áreas. Doces ficam na altura das crianças; cigarros logo acima" (sic) e concluiu "quando crescer, a criança associa o cigarro ao mundo de gostosuras. Isso fica na memória".

Sim, é verdade que é, para muitos, um caminho sem volta: do tabaco à maconha; da maconha à cocaína; da cocaína ao crack; do crack à morte física e espiritual.

Diz a Palavra de Deus a respeito do nosso corpo: que é "o templo do Espírito Santo" (1Co 6.19); logo, temos de preservá-lo dos males que o adoentam e o destroem; o cigarro é, sem dúvida, um dos maiores males que nos contaminam fisicamente destruindo o santuário do Santo Espírito de Deus.

Quando, na infância, eu residia em Belo Horizonte, meu torrão natal, quase na esquina havia uma enorme fábrica de cigarros; a serviço retornei, uns 32 anos depois, à capital mineira e na sobra de tempo para o horário do voo fui andando a pé do centro até à rua onde eu havia residido; já senti no ar um odor sufocante de fumo cerca de 4 ou 5 quarteirões antes.

Ainda estava lá a rua, mas as residências não mais existiam; a fábrica de cigarros se expandiu por todo o quarteirão: uma agressão à cidade e aos pulmões dos moradores e transeuntes das imediações.

Repetindo, podemos estar no mundo, como os barcos nas águas estão, mas não devemos permitir que as águas entrem em nosso barco, o invadam, isto é, não podemos nos deixar ser dominados pelos males destruidores deste mundo de sutilezas, de doutrinas vãs, falsas e aniquiladoras.

Precisamos nos conscientizar que devemos proteger a infância, os menores indefesos, das malignidades que aí estão sutilmente postas à mercê da inocência e da pureza daquelas dos quais "é o Reino dos Céus", as crianças (Mc 10.14).

O ECA – Estatuto da Criança e Adolescente foi uma grande conquista, mas não é suficiente; há que haver uma ação constante e efetiva de proteção das crianças e dos adolescentes.
São Paulo - SP
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