Palavra do leitor
04 de setembro de 2026- Visualizações: 29
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O que Anitta revela sobre o mercado gospel
Se Anitta canta sobre orixás e incorpora referências das religiões de matriz africana em "EQUILIBRIVM II", ela continua fazendo pop. E ninguém pensa em chamá-la de "pop de candomblé". Porque seria estranho. Redutor. A religião entra como cultura, estética, identidade. Não como sobrenome artístico.
Agora, experimenta montar uma banda de rock e escrever meia dúzia de músicas sobre Jesus. Pronto. A religião sequestra o gênero.
Nem importa se você não se identifica com o rótulo. Nem se o som lembra Black Sabbath, Slayer ou Marilyn Manson. Se amanhã o cabra resolver tocar hardcore, vira hardcore cristão. Se fizer reggae, reggae cristão. Se inventar um indie, lá vem indie cristão. O adjetivo gruda igual carrapicho. Rodox que o diga.
O gospel no Brasil é o nosso funk carioca. Lá fora, é James Brown. A etiqueta é a mesma, mas a história e a sonoridade são completamente diferentes. É apropriação, adaptação, não uma tradução literal. É um circuito cultural inteiro: artistas, produtores, linguagem própria, rádios, eventos, gravadoras. Uma cidade construída em torno de uma palavra.
Não é culpa de ninguém, nem obra do Espírito Santo ou do capeta. É mercado.
E é justamente aí que mora a diferença entre fé e etiqueta. Como disse Zé Bruno, da banda Resgate, no podcast de Mateus Starling (bit.ly/4ybWTs8), o mercado gospel não é evangelístico, é um circuito que se retroalimenta, pensado para quem já frequenta a igreja e quer consumir música que fale de Deus, não para abrir diálogo com quem está fora dela. Pra ele, o evangelístico é o oposto disso: uma ponte, um diálogo com quem não compartilha da mesma fé, numa linguagem que faça sentido pra quem está "lá fora". É a diferença entre falar para dentro e falar com fora.
Por isso, nos afirmamos como um selo de bandas de rock gospel com defeito de fábrica e sem garantia. O "defeito" é exatamente esse: ser ponte, abrir diálogo com quem está "de fora". Fugir do espaço apertado na prateleira entre a academia gospel e a água do Jordão engarrafada. O rótulo rock gospel é uma espécie de beijo de Judas moderno, que identifica o artista antes que a música consiga abrir a boca.
Agora, experimenta montar uma banda de rock e escrever meia dúzia de músicas sobre Jesus. Pronto. A religião sequestra o gênero.
Nem importa se você não se identifica com o rótulo. Nem se o som lembra Black Sabbath, Slayer ou Marilyn Manson. Se amanhã o cabra resolver tocar hardcore, vira hardcore cristão. Se fizer reggae, reggae cristão. Se inventar um indie, lá vem indie cristão. O adjetivo gruda igual carrapicho. Rodox que o diga.
O gospel no Brasil é o nosso funk carioca. Lá fora, é James Brown. A etiqueta é a mesma, mas a história e a sonoridade são completamente diferentes. É apropriação, adaptação, não uma tradução literal. É um circuito cultural inteiro: artistas, produtores, linguagem própria, rádios, eventos, gravadoras. Uma cidade construída em torno de uma palavra.
Não é culpa de ninguém, nem obra do Espírito Santo ou do capeta. É mercado.
E é justamente aí que mora a diferença entre fé e etiqueta. Como disse Zé Bruno, da banda Resgate, no podcast de Mateus Starling (bit.ly/4ybWTs8), o mercado gospel não é evangelístico, é um circuito que se retroalimenta, pensado para quem já frequenta a igreja e quer consumir música que fale de Deus, não para abrir diálogo com quem está fora dela. Pra ele, o evangelístico é o oposto disso: uma ponte, um diálogo com quem não compartilha da mesma fé, numa linguagem que faça sentido pra quem está "lá fora". É a diferença entre falar para dentro e falar com fora.
Por isso, nos afirmamos como um selo de bandas de rock gospel com defeito de fábrica e sem garantia. O "defeito" é exatamente esse: ser ponte, abrir diálogo com quem está "de fora". Fugir do espaço apertado na prateleira entre a academia gospel e a água do Jordão engarrafada. O rótulo rock gospel é uma espécie de beijo de Judas moderno, que identifica o artista antes que a música consiga abrir a boca.
Os artigos e comentários publicados na seção Palavra do Leitor são de única e exclusiva responsabilidade
dos seus autores e não representam a opinião da Editora ULTIMATO.
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